Medidas biométricas envolvendo a porção terminal do ducto torácico no nível cervical IV à esquerda: um estudo anatômico
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v94i1p1-5Keywords:
Ducto torácico, Anatomia, Esvaziamento cervical, Cirurgia.Abstract
INTRODUÇÃO: No esvaziamento cervical do nível IV à esquerda, a porção final do ducto torácico (DT) pode ser lesada, aumentando significativamente a morbimortalidade pós-operatória. O melhor tratamento é a prevenção. Contudo, não há disponível na literatura medidas biométricas que auxiliem a identificação da desembocadura do DT. MATERIAIS E MÉTODOS: a desembocadura do DT foi identificada e distâncias úteis foram medidas em 25 cadáveres não-formolizados. Análise estatística foi realizada para verificar associações. RESULTADOS: a desembocadura do DT ocorreu na confluência jugulo-subclávia (CJS – 60%), na veia jugular interna esquerda (VJIE – 36%) e na veia braquiocefálica esquerda (4%). Uma associação estatisticamente significante foi encontrada entre a desembocadura na confluência jugulo-subclávia e a distância entre a VJIE e o músculo omo-hioide (Medida #1). Indivíduos cujo DT desemboca na CJS apresentaram a Medida #1 com mediana de 34.5±12.0mm, já os com desembocadura na VJIE apresentaram mediana de 22.3±8.7mm (p=0.015 – Student´s t-test). A regressão logística demonstrou que para cada aumento de 10mm na Medida #1 há uma chance de 1.12x de encontrar a desembocadura do DT na CJS (OR=1.12; CI95%:1,01-1,25; p=0.032). Para essa Medida #1 estabeleceu-se um cut-off de 19mm como teste diagnóstico para prever a desembocadura do DT na CJS, com sensibilidade de 86.7% (CI95%:59.5-98.3%), especificidade de 55.6% (CI95%:21.2-86.3%), PPV de 76.5% (CI95%:50.1-93.2%), NPV de 71.4% (CI95%:25.8-97.2%) e ROC AUC de 79.3% (CI95%: 58.0-92.9%). CONCLUSÃO: este estudo anatômico demonstrou que o local de desembocadura do DT mais frequente é a CJS e que a Medida #1 é capaz de prever o local de desembocadura do DT.