Avaliação preliminar da abordagem da Síndrome de Abstinência Neonatal por opióides na Unidade de Terapia Intensiva da Maternidade Odete Valadares em Belo Horizonte
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v95i2p71-75Keywords:
Síndrome de abstinência neonatal, Fentanila, Metadona, Recém-nascido.Abstract
Introdução: Para tratar a dor e a agitação psicomotora,
sintomas comuns em unidades de cuidados intensivos neonatais,
são utilizados sedativos/analgésicos opióides. Contudo, seu uso
prolongado, principalmente na forma contínua, pode provocar a
Síndrome de Abstinência Neonatal (SAN). Objetivo: Avaliar a
abordagem da Síndrome de Abstinência Neonatal por opióides
em recém nascidos (RN) internados na unidade neonatal da
Maternidade Odete Valadares em Belo Horizonte. Métodos:
Análise dos prontuários de RN que usaram metadona no período
de junho de 2013 a junho de 2014, a partir do levantamento feito
na Farmácia da unidade, portanto com diagnóstico ou risco de
abstinência por opióide, confirmada clinicamente pela escala
de Finnegan. Resultados: Foram avaliados todos os RN que,
no período de estudo, receberam metadona. Do total de 17 RN,
6 foram eliminados pois receberam alta para outros serviços
ou evoluíram para óbito, impossibilitando a análise completa
dos dados. Dos 11 RN incluídos, 7 foram prematuros, com
idade gestacional inferior a 28 semanas. Houve prevalência
do sexo masculino (72,7%). Todos os RN receberam fentanil
continuamente, cujo período de uso foi, em média, 37 dias nos
RN prematuros e 25 dias nos RN a termo. O tempo gasto para que
se atingisse a dose controle da metadona, ou seja, dose suficiente
pata evitar os sintomas de abstinência (Escala de Finnegan <8 em
3 avaliações consecutivas), em média, foi de 6 dias e o tempo
para suspensão da mesma variou de 10 a 159 dias. Dos 11 RN
acompanhados, 8 apresentaram sinais de abstinência após o início
da metadona com necessidade de ajuste da mesma. Conclusão:
O estudo permitiu uma avaliação preliminar do protocolo de
abordagem da SAN e do uso da metadona no serviço em questão.
Houve relação do uso da metadona com a sedação contínua, cuja
duração foi prolongada nestes RN, com o gênero masculino e com
a prematuridade. Considerando o número total de RN ventilados
no período (256 RN), o número de RN com possível S.A.N
foi relativamente pequeno (6.6%), podendo significar um uso
criterioso de opióides nesta população, embora uma abordagem
mais detalhada deva ser realizada.