Gastroduodenopancreatectomia em testemunha de jeová idoso com neoplasia periampular e polimorbidades
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238678Keywords:
Gastroduodenopancreatectomia, Whipple, Testemunha de Jeová, Neoplasia Periampular, Polimorbidades, Cirurgia OncológicaAbstract
A gastroduodenopancreatectomia (procedimento de Whipple) é indicada para tumores periampulares, mas associa-se a elevada morbimortalidade, especialmente em pacientes idosos e com múltiplas comorbidades. A condução cirúrgica em Testemunhas de Jeová representa desafio adicional devido à recusa de transfusões sanguíneas, exigindo planejamento rigoroso e manejo multidisciplinar. Relato de Caso Um homem de 73 anos, portador de síndrome ictérica e perda ponderal significativa, foi diagnosticado com neoplasia periampular por tomografia. Durante a internação, apresentou colangite obstrutiva e foi submetido à drenagem biliar e biópsia, que confirmou adenocarcinoma biliopancreático. O paciente, Testemunha de Jeová, possuía múltiplas comorbidades: doença arterial coronariana, dislipidemia, hipertensão, amaurose unilateral, glaucoma e nefrectomia prévia. Foi internado eletivamente para gastroduodenopancreatectomia. Durante a cirurgia, observou-se pequeno volume de líquido ascítico, sem metástases evidentes. No intraoperatório, desenvolveu síndrome da resposta inflamatória sistêmica (SIRS) e hipotensão, que respondeu à expansão volêmica. O procedimento prosseguiu com estabilidade hemodinâmica até o término. No primeiro dia pós-operatório, evoluiu com choque, acidose metabólica e hipocalcemia, necessitando três vasopressores. Apresentou elevação progressiva de lactato e troponina, piora da função renal e disfunção biventricular. Evoluiu para choque refratário e falência múltipla de órgãos. Devido à recusa de transfusão por motivos religiosos, não recebeu hemotransfusão. O paciente faleceu no terceiro dia pós-operatório, apesar das tentativas de reanimação.Discussão:A realização de gastroduodenopancreatectomia em Testemunhas de Jeová impõe desafios éticos e técnicos, sobretudo em pacientes idosos e polimórbidos, com risco elevado de complicações hemorrágicas e infecciosas. A recusa de transfusão limita opções terapêuticas em situações críticas, impactando negativamente o prognóstico, como neste caso. O manejo multidisciplinar, otimização pré-operatória e estratégias para minimizar perdas sanguíneas são essenciais, mas nem sempre suficientes para evitar desfechos desfavoráveis. Este relato reforça a importância do planejamento individualizado e da comunicação clara com o paciente e familiares sobre riscos e limitações do tratamento cirúrgico.
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