Análise do perfil de procedimentos ginecológicos e obstétricos em um hospital no Vale do Jequitinhonha
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i5e-231092Palavras-chave:
Grupos Raciais, Procedimentos Cirúrgicos Obstétricos, Procedimentos Cirúrgicos Ginecológicos, Saúde da Mulher, Monitoramento epidemiológicoResumo
A epidemiologia é essencial para a avaliação da qualidade e adequação dos serviços de saúde e torna-se ainda mais relevante no Vale do Jequitinhonha (Minas Gerais - MG), com grande disparidade na riqueza cultural e na realidade econômica. Este artigo teve como objetivo explorar o perfil epidemiológico das pacientes submetidas a cirurgias ginecológicas e obstétricas na cidade de Gouveia, MG. O estudo foi realizado por meio da análise dos históricos de cirurgias obstétricas e ginecológicas na referida cidade entre os anos de 2020 e 2023, com o intuito de analisar a intervenção realizada, idade, raça, entre outros parâmetros. Dos 272 prontuários, 92,5% se enquadraram em procedimentos ginecológicos e apenas 1,4% como obstétricos. Dentre estes foi verificado o predomínio da faixa etária de 41 a 50 anos. Quando se fala em raça, a grande maioria que se autodeclara como parda, com 73,1% das pacientes. Os dois procedimentos mais realizados no hospital em questão foram histerectomia com 26,1% dos casos e laqueadura tubária com 25,7%, seguido dos procedimentos de curetagem semiótica, com e sem dilatação do colo uterino, excisão do tipo 3 do colo uterino e colpoperineoplastia. Ainda, 99,2% dos procedimentos foram atendidos pelo Sistema Único de Saúde. A partir disso, observa-se uma busca por planejamento familiar entre as mulheres da região, especialmente aquelas que se autodeclaram pardas e pretas, por meio de procedimentos permanentes. Pode-se questionar ainda a real abordagem de toda a população feminina no local, visto que há 5.746 mulheres e apenas 272 procedimentos referente ao período. A partir disso, observou-se a necessidade de mais estudos sobre a população e os procedimentos realizados a fim de construir novas políticas e protocolos para maior inclusão, a acessibilidade e a qualidade de atendimento a todas as mulheres que utilizam este sistema de saúde.
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