Efeitos da exposição a um vídeo curto extraído de um filme de ficção médica no desempenho empático de estudantes de medicina de um centro universitário privado de Minas Gerais
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v105i1E-236222Palavras-chave:
Empatia, Educação médica, Relações médico-paciente, Recursos audiovisuaisResumo
Introdução: A empatia é competência multidimensional, com componentes cognitivos e emocionais, essencial à prática médica e passível de desenvolvimento por estratégias pedagógicas. Este estudo avaliou o impacto de estímulo audiovisual breve de ficção no desempenho empático de estudantes de Medicina. Métodos: Estudo transversal com 224 alunos (1º–12º período) de um centro universitário de MG (Parecer CEP/UNIFAGOC nº 6.245.274), distribuídos em grupo exposto (n=92) e não exposto (n=70) a vídeo de 1min37s. Após exclusão de dados incompletos, 162 participantes (111 mulheres e 51 homens; média de idade 25,3±6,9 anos) compuseram a análise. A empatia cognitiva foi avaliada pelo Reading the Mind in the Eyes Test (0–36 pontos) e analisada por regressão de Poisson. Resultados: Mulheres obtiveram escores maiores que homens (27,3±3,5 vs. 24,7±4,0; p<0,001, teste z). O vídeo aumentou o desempenho feminino (27,8±3,0 vs. 26,7±3,9) e reduziu o masculino (23,9±4,2 vs. 26,1±3,2). O melhor desempenho ocorreu entre 20 e 40 anos. A interação gênero×exposição foi significativa (β=-0,131; p=0,007). Conclusão: O desempenho empático variou conforme gênero, idade e exposição ao vídeo, sugerindo que intervenções audiovisuais curtas podem beneficiar grupos específicos. Estratégias pedagógicas contínuas e adaptadas ao perfil discente podem favorecer o desenvolvimento da empatia na formação médica.
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