Polifarmácia e risco cardiovascular em pacientes com doença renal crônica: estudo transversal
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v105i2e-237566Palavras-chave:
insuficiência renal crônica, polimedicação, fatores de risco de doenças cardíacas, diálise renalResumo
Introdução: Indivíduos com doença renal crônica (DRC) frequentemente necessitam de polifarmácia, definida como uso concomitante de quatro ou mais medicamentos, que pode contribuir para a progressão do comprometimento renal, aumento do risco cardiovascular (RCV) e ocorrência de problemas relacionados com medicamentos (PRM). Objetivo: Estimar a frequência da polifarmácia e sua associação com aumento do RCV através do Escore de Risco Global (ERG) de Framingham em indivíduos com DRC submetidos a hemodiálise em uma unidade de nefrologia no município de Feira de Santana, Bahia. Métodos: Estudo transversal com 280 participantes, durante junho a agosto de 2023. Por meio de entrevistas e análise de prontuários dos pacientes foram coletados dados sociodemográficos, sobre hábitos de vida, uso contínuo de medicamentos, presença de comorbidades e biomarcadores laboratoriais da DRC. Resultados: Predominaram indivíduos do sexo masculino (63,2%), com idade mediana de 54 anos e autodeclarados negros (90,2%). O tempo mediano de diálise foi de dois anos (IQ: 1-6). A prevalência de polifarmácia foi 46,1% (IC95% 40,3 – 59,7), sendo que 69% dos participantes utilizavam pelo menos um medicamento com potencial nefrotóxico. A maioria dos participantes 76% (IC 95% 0,71 – 081) foram classificados no estrato de médio risco cardiovascular. Na análise multivariada, polifarmácia associou-se com aumento significativo na chance de alto RCV. Conclusão: Polifarmácia associou-se com alto RCV em um período de 10 anos. São necessárias medidas que contribuam para o uso racional de medicamentos na DRC, incluindo análise do perfil de risco/benefício e potencial nefrotóxico, juntamente com ações de educação em saúde e controle dos fatores de risco para doenças cardiovasculares.
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