Abscesso esplênico: abordagens cirúrgicas de uma condição potencialmente fatal
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238240Palavras-chave:
Abscesso Esplênico, Infecção Intraabdominal, Drenagem Percutânea, Esplenectomia, Diagnóstico por Imagem, Tratamento ConservadorResumo
O abscesso esplênico é uma condição infecciosa rara, caracterizada pela formação de coleção purulenta no baço. Geralmente, está associado a estados de imunossupressão e comorbidades como diabetes mellitus, insuficiência renal e uso de terapias imunossupressoras, que favorecem a colonização bacteriana. A apresentação clínica costuma ser inespecífica, com febre persistente, dor abdominal e leucocitose, o que pode atrasar o diagnóstico. A tomografia computadorizada é fundamental para identificar e caracterizar a lesão. O tratamento varia entre antibioticoterapia com drenagem percutânea e esplenectomia, conforme a extensão do abscesso e condição clínica do paciente. Relato de Caso: Paciente feminina de 68 anos, portadora de obesidade grau III, diabetes tipo 2, hipertensão arterial, doença renal crônica em diálise e fibrilação atrial, apresentou febre persistente, dor abdominal difusa e leucocitose por 10 dias. Ao exame físico, encontrava-se em estado geral regular, com dor abdominal difusa. A tomografia revelou volumosa coleção com conteúdo gasoso no baço, compatível com abscesso esplênico. Realizaram drenagem percutânea guiada por tomografia, com saída moderada de material purulento, resultando em melhora parcial. Devido à resposta incompleta, indicaram esplenectomia. No pós-operatório, a paciente apresentou quadro prolongado com persistência da leucocitose. Nova tomografia evidenciou coleção no leito cirúrgico. Considerando o estado geral e rebaixamento do nível de consciência, optaram pelo tratamento conservador com antibioticoterapia de amplo espectro. Discussão: O abscesso esplênico é raro e frequentemente relacionado a imunossupressão e comorbidades, presentes na paciente. A tomografia é exame de escolha para diagnóstico e planejamento. Embora a esplenectomia seja padrão para abscessos volumosos ou refratários, a drenagem percutânea é alternativa eficaz em pacientes de alto risco, preservando a função esplênica e reduzindo morbidade. A mortalidade associada à esplenectomia pode ser elevada em pacientes com múltiplas comorbidades. No caso, a drenagem inicial proporcionou melhora parcial, mas a persistência do abscesso levou à esplenectomia. A complicação pós-operatória e o quadro clínico delicado justificaram o tratamento conservador, ressaltando a importância da individualização da conduta.
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Referências
Radcliffe C, Tang Z, Gisriel SD, Grant M. Splenic Abscess in the New Millennium: A Descriptive, Retrospective Case Series. Open Forum Infect Dis. 2022 Feb 17;9(4):ofac085. doi: 10.1093/ofid/ofac085. PMID: 35299986; PMCID: PMC8923382.
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