Manejo cirúrgico de fístula enterocutânea em paciente com histórico de trauma abdominal e abscessos recorrentes

Autores

  • João Victor Santana Pereira de Albuquerque Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil.
  • Brenda Margatho Ramos Martines Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil.
  • Rodrigo Marcus Cunha Frati Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil.

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238314

Palavras-chave:

Fístula Enterocutâna, Abscesso Paravertebral, Abdome Hostil, Múltiplas Abordagens, Fistulectomia, Abscesso de Iliopsoas

Resumo

Fístulas enterocutâneas são complicações desafiadoras que podem ocorrer após cirurgias abdominais e infecções crônicas. Pacientes com histórico de trauma abdominal e múltiplas intervenções cirúrgicas apresentam maior complexidade no manejo, exigindo avaliação cuidadosa e abordagem multidisciplinar. Relato de Caso: Paciente masculino, 67 anos, sem comorbidades clínicas associadas, com extenso histórico cirúrgico. Em 2005, sofreu trauma abdominal penetrante em acidente laboral, necessitando de nefrectomia total esquerda. A partir de 2018, apresentou abscessos recorrentes no músculo iliopsoas esquerdo, com drenagem para o dorso. Foram realizadas múltiplas drenagens, porém as lesões recidivavam e as culturas microbiológicas não identificavam agente etiológico. Em 2023, desenvolveu diverticulite complicada, que levou à retossigmoidectomia com colostomia em alça. Posteriormente, apresentou fístula enterocutânea com drenagem de conteúdo fecalóide (círculo). Em 2025, foi internado para correção cirúrgica da fístula. Tomografias computadorizadas de abdome foram realizadas para avaliação e planejamento cirúrgico. Foi realizada uma fistulectomia, o paciente evoluiu bem no pós-operatório e encontra-se em acompanhamento ambulatorial para programação de reconstrução do trânsito. A tomografia evidenciou múltiplas coleções em partes moles, não comunicantes, predominando na região paravertebral esquerda. Discussão: Fístulas enterocutâneas representam um desafio terapêutico, especialmente em pacientes com múltiplas cirurgias prévias e infecções crônicas. A recorrência dos abscessos e a ausência de agente etiológico dificultam o controle da infecção e a cicatrização. O histórico de trauma abdominal e nefrectomia prévia pode contribuir para alterações anatômicas e cicatriciais, aumentando a complexidade do caso. A avaliação por imagem é fundamental para o planejamento cirúrgico eficaz. O sucesso do tratamento depende da abordagem multidisciplinar, controle da infecção e suporte clínico adequado. Conclusão: O manejo de fístulas enterocutâneas em pacientes com histórico de trauma abdominal e infecções crônicas requer planejamento cuidadoso e abordagem integrada. A correção cirúrgica, associada ao acompanhamento clínico, é essencial para a resolução do quadro e melhora da qualidade de vida do paciente.

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Referências

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Publicado

2025-06-30

Como Citar

Albuquerque, J. V. S. P. de ., Martines, B. M. R. ., & Frati, R. M. C. . (2025). Manejo cirúrgico de fístula enterocutânea em paciente com histórico de trauma abdominal e abscessos recorrentes. Revista De Medicina, 104(4 esp.), e-238314. https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238314