Adenocarcinoma ductal da cabeça pancreática com icterícia obstrutiva: relato de caso e manejo paliativo
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.238455Palavras-chave:
Adenocarcinoma, Pâncreas, Obstrução, Icterícia, Manejo PaliativoResumo
O adenocarcinoma de cabeça de pâncreas é uma neoplasia maligna potencialmente letal, cuja chance de cura depende da ressecção completa do tumor. No entanto, a maioria dos pacientes apresenta doença avançada e irressecável ao diagnóstico, devido ao caráter assintomático nas fases iniciais. Mesmo em tumores ressecáveis, o prognóstico permanece reservado, com sobrevida em cinco anos de até 30% após duodenopancreatectomia. Relato de Caso Uma mulher de 40 anos procurou o pronto-socorro com icterícia progressiva há duas semanas, acompanhada de fraqueza, colúria, acolia fecal e náuseas, sem vômitos. Referia dor contínua em epigástrio e hipocôndrio direito, piorando após as refeições. Era ex-tabagista, com histórico de 10 maços-ano, cessado há um ano. Ao exame físico, apresentava icterícia acentuada, abdome flácido e doloroso à palpação epigástrica e hipocondríaca direita, com sinal de Murphy positivo. Os exames laboratoriais mostraram bilirrubina total de 4,9 mg/dL (direta 3,9 mg/dL) e elevação de enzimas hepáticas (TGO 248 U/L, TGP 692 U/L, GGT 1049 U/L, FA 247 U/L). A tomografia computadorizada revelou lesão sólida, infiltrativa e hipovascular na cabeça do pâncreas, com invasão da veia mesentérica superior e junção esplenomesentérica, sem acometimento arterial. Diante do diagnóstico de câncer pancreático localmente avançado, submeteu-se a derivação biliodigestiva e gastroenteroanastomose paliativas para alívio da icterícia e obstrução gástrica.Discussão O adenocarcinoma ductal da cabeça do pâncreas é agressivo e, na maioria das vezes, diagnosticado em estágio avançado. A paciente apresentou sintomas clássicos, como icterícia, colúria, acolia fecal e dor abdominal, associados a sinais laboratoriais de colestase. A tomografia evidenciou invasão vascular, tornando a ressecção curativa inviável. Nesses casos, a abordagem paliativa, com derivação biliodigestiva e gastroenteroanastomose, é indicada para controle sintomático e melhora da qualidade de vida.
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Referências
Allen PJ, Kuk D, Castillo CF, et al. Multi-institutional Validation Study of the American Joint Commission on Cancer (8th Edition) Changes for T and N Staging in Patients With Pancreatic Adenocarcinoma. Ann Surg. 2017;265(1):185-191. doi:10.1097/SLA.0000000000001763
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