Íleo biliar: relato de caso
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238696Palavras-chave:
Colecistite, Obstrutivo, Colecistectomia, Complicação, Vômitos, MorbimortalidadeResumo
O íleo biliar é uma obstrução intestinal mecânica causada pela impactação de cálculos biliares na luz intestinal. Trata-se de uma complicação rara da doença calculosa da vesícula biliar, que ocorre após episódios de colecistite aguda, levando à formação de fístula entre a vesícula e o intestino, permitindo a passagem dos cálculos para o trato digestivo. Grandes cálculos de colesterol frequentemente ficam impactados na válvula ileocecal. Embora a maioria dos casos de doença calculosa seja assintomática, cerca de 2% dos pacientes desenvolvem complicações anualmente, justificando a colecistectomia eletiva em portadores de colecistopatia crônica. Relato de Caso: Um homem de 58 anos, apresentou parada de eliminação de flatos e fezes há quatro dias, associada a dor abdominal no flanco direito e vômitos amarelados. Na admissão, encontrava-se desidratado, com abdome globoso e timpânico, doloroso à palpação no flanco esquerdo. Diante da suspeita de abdome agudo obstrutivo, realizou tomografia computadorizada. Os exames laboratoriais mostraram leucocitose (11.630/mm³), PCR elevada (54 mg/L), ureia elevada (91mg/dL) e hiponatremia (Na:121 mmol/L). A tomografia revelou vesícula biliar murcha com fístula comunicando com o duodeno e cálculo de aproximadamente 20 mm na transição jejunoileal, associado a distensão de alças delgadas com nível hidroaéreo. Na laparotomia exploradora, identificou-se distensão de alças até o ponto de obstrução, com cálculo calcificado de 3 cm impactado em alça ileal. Realizou-se enterotomia transversal para extração do cálculo e enterorrafia longitudinal com sutura contínua. O paciente evoluiu bem, recebeu alta sem intercorrências e retornou para acompanhamento. Discussão A colecistopatia calculosa pode causar complicações graves como o íleo biliar, que exige tratamento cirúrgico emergencial. Por ser uma condição rara, o diagnóstico é desafiador e frequentemente retardado, elevando a morbimortalidade. O reconhecimento dos sinais clínicos e fatores de risco é fundamental para o diagnóstico precoce e manejo adequado do íleo biliar.
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Referências
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