Malformação arteriovenosa como achado incidental após traumatismo cranioencefálico: relato de caso

Autores

  • Gabriel Petrin Alonso Silva Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil. https://orcid.org/0009-0009-5657-3485 (não autenticado)
  • Brenda Martines Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil.
  • Rodrigo Frati Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil.
  • Hian Vechiato Betoni Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil.
  • Thomas Haofu Yang Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil.
  • Thomas Vidal Reigas Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil.

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238733

Palavras-chave:

Malformação Arteriovenosa Cerebral (mavc), Traumatismo Cranioencefálico (tce), Epilepsia Sintomática, Angiotomografia Computadorizada (angiotc), Embolização Endovascular, Hemorragia Intracraniana

Resumo

As malformações arteriovenosas cerebrais (MAVc) são anomalias vasculares congênitas caracterizadas por conexões diretas entre artérias e veias, sem interposição capilar, resultando em alto fluxo sanguíneo e risco elevado de complicações como hemorragia, déficits neurológicos e convulsões. Essas lesões representam importante causa de morbimortalidade em adultos jovens, com incidência anual de aproximadamente 1/100.000 e taxa de ruptura de 1% ao ano. Convulsões são a segunda manifestação mais comum, ocorrendo em 20–45% dos casos, especialmente em lesões maiores, localizadas em córtex frontotemporal e sem hemorragia prévia. Relato de Caso:Um homem de 30 anos, previamente hígido, foi levado ao pronto-socorro após traumatismo cranioencefálico associado a convulsão tônico-clônica generalizada e perda de consciência. Relatou episódio semelhante prévio. Ao exame, apresentava Glasgow 15, ferimento corto-contuso em região occipital e exame neurológico sem déficits focais. A tomografia computadorizada de crânio revelou lesão vascular supratentorial parietal esquerda, sem sinais de hemorragia, sugestiva de MAVc. A angiografia cerebral confirmou enovelado de vasos tortuosos e dilatados, com opacificação venosa precoce, localizado na superfície lateral do lobo parietal esquerdo, estendendo-se até a parede do átrio ventricular, medindo 28x18x32 mm. Indicou-se embolização dos componentes macrofistulosos da malformação, com excelente resultado. O paciente foi encaminhado para seguimento ambulatorial. Discussão:Este caso ilustra o diagnóstico incidental de MAVc após traumatismo craniano e crise epiléptica. A associação entre MAVc e convulsões decorre de mecanismos como hipoperfusão cerebral crônica, gliose perilesional e irritação cortical por fluxo sanguíneo turbulento. Fatores de risco incluem sexo masculino, localização cortical e tamanho superior a 3 cm. Estudos mostram que 24–37% dos pacientes com MAVc apresentam crises epilépticas como manifestação inicial, e o controle pós-intervenção é eficaz em até 70% dos casos. A decisão terapêutica deve considerar o risco de sangramento e a localização da lesão. 

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Referências

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Publicado

2025-07-04

Como Citar

Silva, G. P. A. ., Martines, B., Frati, R. ., Betoni, H. V. ., Yang, T. H. ., & Reigas, T. V. . (2025). Malformação arteriovenosa como achado incidental após traumatismo cranioencefálico: relato de caso. Revista De Medicina, 104(4 esp.), e-238733. https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238733