Trombose da veia mesentérica superior como causa de abdome agudo: relato de caso
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i4esp.e-238909Palavras-chave:
Trombose Venosa Mesentérica, Isquemia Mesentérica Aguda, Abdome Agudo, Diagnóstico por Imagem, Laparotomia Exploradora, Enterectomia JejunalResumo
O abdome vascular é uma condição aguda, caracterizada pela redução abrupta do fluxo sanguíneo para os órgãos intra-abdominais, podendo evoluir para isquemia e necrose. A isquemia mesentérica aguda (IMA) resulta da interrupção súbita da circulação mesentérica, frequentemente comprometendo o intestino delgado. Apesar de rara, apresenta alta mortalidade devido ao diagnóstico frequentemente tardio e à rápida progressão para infarto intestinal. A trombose da veia mesentérica superior (TVMS) representa uma parcela significativa dos casos de IMA.Relato de Caso:Uma mulher de 64 anos, com histórico de acidente vascular cerebral, hipertensão e tabagismo, apresentou dor abdominal há três dias, acompanhada de vômitos e parada da eliminação de fezes e flatos há dois dias. Negava febre e cirurgias abdominais prévias. Ao exame físico, apresentava dor difusa à palpação e descompressão brusca positiva. Os exames laboratoriais mostraram aumento de marcadores inflamatórios, com amilase normal. A tomografia computadorizada de abdome evidenciou espessamento de alças jejunais com captação de contraste, densificação do mesentério, dilatação venosa e falha de enchimento parcial na veia mesentérica superior, além de massa tecidual no hilo hepático compatível com trombose crônica e pequena ascite. Diante do quadro, foi indicada laparotomia exploradora de urgência, que revelou ascite serosa e segmento jejunal isquêmico de 60 cm. Realizou-se enterectomia segmentar com anastomose término-terminal. No pós-operatório, a paciente recebeu antibioticoterapia e anticoagulação, evoluindo com melhora progressiva, alta hospitalar e acompanhamento ambulatorial.Discussão:A trombose da veia mesentérica superior manifesta-se com dor abdominal intensa, geralmente desproporcional ao exame físico. O diagnóstico precoce é desafiador devido à inespecificidade dos sintomas, sendo a tomografia com contraste o exame de escolha. O tratamento depende do grau de isquemia: casos sem necrose podem ser manejados com anticoagulação, enquanto a presença de necrose ou peritonite exige intervenção cirúrgica, como ressecção intestinal.
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Referências
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