Música na sala de espera como estratégia de humanização na Atenção Primária
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v105i3e-240345Palavras-chave:
Musicoterapia, Atenção Primária à Saúde, Humanização da Assistência, AcolhimentoResumo
Introdução: A Política Nacional de Humanização no Sistema Único de Saúde propõe práticas de acolhimento voltadas à qualificação do cuidado, sendo a sala de espera um espaço estratégico para a implementação de intervenções humanizadoras. A utilização de música nesse contexto desponta como uma estratégia simples e potencialmente eficaz para modular a experiência da espera. Este estudo teve como objetivo avaliar o impacto da música na sala de espera como estratégia de acolhimento em Unidades Básicas de Saúde (UBS) da Atenção Primária à Saúde. Método: Trata-se de um estudo aplicado, exploratório, descritivo e explicativo, com abordagem mista, realizado em quatro UBS do município de Passos, Minas Gerais, Brasil. Participaram 40 usuários adultos, distribuídos igualmente entre um grupo exposto à música clássica instrumental na sala de espera, por aproximadamente 20 a 30 minutos, e um grupo sem música. A coleta de dados incluiu entrevistas semiestruturadas e observação sistemática. A análise qualitativa seguiu a técnica de análise de conteúdo proposta por Bardin, enquanto os dados quantitativos foram organizados em tabelas e gráficos. Resultados: Observou-se predomínio do sexo feminino (85%), faixa etária entre 40 e 50 anos (32,5%) e baixa renda (92,5%). O tempo de espera foi apontado como principal fator de insatisfação em ambos os grupos; entretanto, usuários expostos à música relataram maior aceitação, resiliência e neutralidade frente aos atrasos, além de percepções mais positivas do ambiente, associadas a relaxamento, tranquilidade e acolhimento. No grupo sem música, predominaram relatos de impaciência, tensão e monotonia da espera, associados à ausência de estímulos no ambiente e à percepção ampliada do tempo. Conclusão: A utilização de música na sala de espera qualificou a experiência subjetiva da espera, promovendo bem-estar e percepção de acolhimento, e mostrou-se uma intervenção simples, de baixo custo e potencialmente replicável para a humanização do cuidado na Atenção Primária à Saúde.
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