Do currículo ao cuidado: a carga horária de Libras e a preparação para uma Atenção Primária à Saúde inclusiva
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v105i3%25pPalavras-chave:
Língua de Sinais, Avaliação Curricular das Faculdades de Medicina, Atenção Primária à Saúde, Instituições AcadêmicasResumo
A Atenção Primária à Saúde (APS) é reconhecida como a principal porta de entrada dos usuários no Sistema Único de Saúde (SUS). Portanto, os profissionais que atuam nesse nível devem estar preparados para atender toda a população, incluindo pessoas surdas. Para assegurar plenamente os princípios do SUS, como universalidade, humanização, integralidade e equidade, a formação médica deve incluir a Língua Brasileira de Sinais (Libras) em seu currículo. As Diretrizes Curriculares Nacionais de 2014 recomendam Libras como conteúdo obrigatório, mas sua implementação ainda carece de avaliação. O objetivo foi verificar a carga horária de Libras nas escolas médicas paulistas. Estudo descritivo e transversal, dispensado de aprovação ética por usar dados públicos. Identificaram-se 75 escolas médicas (EM) via e-MEC; documentos pedagógicos disponíveis foram analisados quanto à citação de Libras e carga horária. De 66 EM incluídas no estudo, 41 (54,6%) mencionaram o ensino de Libras, sendo 33 com informação sobre carga horária. Observou-se ampla variação, de 27 a 80 horas, com média de 44,75 horas e mediana/moda de 40 horas. Mesmo nas instituições com Libras obrigatória, não houve padronização da carga horária. O ensino de Libras permanece limitado e heterogêneo, sem padronização e com lacunas documentais, reflexo da ausência de diretrizes detalhadas.
Downloads
Referências
1. Pereira MFG, Abreu JSS, Freitas ALF, Santos Filho GHF, Silva VMS, Carvalho JPS, et al. Importância da Atenção Primária à Saúde (APS) no Sistema Único de Saúde (SUS). REAC [Internet]; 2025;25:e19431. Doi: https://doi.org/10.25248/REAC.e19431.2025
2. Faria RM. A territorialização da Atenção Básica à Saúde do Sistema Único de Saúde do Brasil. Ciênc. Saúde Colet. 2020;25(11):4521–30. Doi: https://doi.org/10.1590/1413-812320202511.30662018
3. Brasil. Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990. Dispõe sobre as condições para promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes e dá outras providências. Diário Oficial da União [Internet]. 1990. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8080.htm
4. Horst VSB, Orzechowski ST. O desafio e a potencialidade da interdisciplinaridade no atendimento à saúde. Laplage Rev. 2017;3(1):192–201. Doi: https://doi.org/10.24115/S2446-6220201731230p.192-201
5. Albuquerque MSV, Lyra TM, Farias SF, Medeiros MF, Martelli MPJL. Acessibilidade aos serviços de saúde: uma análise a partir da Atenção Básica em Pernambuco. Saúde Deb. 2014;38(special). Doi: https://doi.org/10.5935/0103-1104.2014S014
6. Martins KP, Costa TF, Medeiros TM, Fernandes MGM, França ISX, Costa KNFM. Estrutura interna de Unidades de Saúde da Família: acesso para as pessoas com deficiência. Ciênc. Saúde Colet. 2016;21(10):3153–60. Doi: https://doi.org/10.1590/1413-812320152110.20052016
7. Amorim ÉG, Liberali R, Medeiros Neta OM. Avanços e desafios na atenção à saúde de pessoas com deficiência na atenção primária no Brasil: uma revisão integrativa. HOLOS. 2018;1(01):224–36. Doi: https://doi.org/10.15628/holos.2018.5775
8. Tedesco JR, Junges JR. Desafios da prática do acolhimento de surdos na atenção primária. Cad. Saúde Pública. 2013;29(8):1685-9. Doi: https://doi.org/10.1590/0102-311X00166212
9. Othero MB, Dalmaso ASW. Pessoas com deficiência na atenção primária: discurso e prática de profissionais em um centro de saúde-escola.Interface. Comun, Saúde, Educ. 2009;13(28):177-88. Doi: https://doi.org/10.1590/S1414-32832009000100015
10. Mcaleer M. Communicating effectively with deaf patients. Nurs Stand. 2006;20(19):51-4. Doi: https://doi.org/10.7748/ns2006.01.20.19.51.c4044.6
11. Silva RNA, Silva SR, Filha FSSC, Silva FL, Vilanova JM. Assistência ao surdo na atenção primária: concepções de profissionais. J Manag Prim Health Care. 2015;6(2):189-204. Doi: https://doi.org/10.14295/jmphc.v6i2.266
12. Chaveiro N, Barbosa MA, Porto CC, Munari DB, Medeiros M, Duarte SBR. Atendimento à pessoa surda que utiliza a língua de sinais, na perspectiva do profissional de saúde. Cogitare Enferm. 2010;15(4):639-45. Doi: https://doi.org/10.5380/ce.v15i4.20359
13. Ramos TS, Almeida MAPT. A Importância do ensino de Libras: Relevância para Profissionais de Saúde. Rev Psicol. 2017;10(33):116–26. Doi: https://doi.org/10.14295/idonline.v10i33.606
14. Blasco PG. É possível humanizar a Medicina? Reflexões a propósito do uso do Cinema na Educação Médica. Mundo Saúde. 2010;34(3):357–67. Doi: https://doi.org/10.15343/0104-7809.20103357367
15. Brasil. Ministério da Educação. Resolução nº 3, de 20 de junho de 2014. Institui Diretrizes Curriculares Nacionais do curso de graduação em Medicina e dá outras providências [Internet]. Brasília, DF: MEC; 2014. http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&view=download&alias=15874-rces003-14&Itemid=30192
16. Brasil. Ministério da Educação. e-MEC: sistema eletrônico de monitoramento de instituições de educação superior [Internet]. Brasília, DF: MEC. https://emec.mec.gov.br/
17. Mazzu-Nascimento T, Melo DG, Evangelista DN, Silva TV, Afonso MG, Cabello J, et al. Fragilidade na formação dos profissionais de saúde quanto à Língua Brasileira de Sinais: reflexo na atenção à saúde dos surdos. Audiology — Commun Res. 2020;25:e2511. Doi: https://doi.org/10.1590/2317-6431-2020-2361
18. Salvador SJL, Lodi ACB. Resoluções do estado de São Paulo e o professor interlocutor: implicações para a educação dos surdos. Rev Bras Educ Espec. 2018;24(2):277-92. Doi: http://doi.org/10.1590/s1413-65382418000200009
19. Oliveira ASR, Oliveira CV de, Jesus RF de, Quintanilha LF, Avena K de M. Ensino da Língua Brasileira de Sinais durante a graduação em Medicina: a percepção dos futuros médicos. Audiology - Communic Res. 2022;27:e2634. Doi: https://doi.org/10.1590/2317-6431-2022-2634
20. Silva WP, Andrade ES, Marinho SS, Araújo DV, Costa Filho ESG, d’Almeida AHV, et al. Percepção dos internos de Medicina acerca do atendimento destinado às pessoas com deficiência: modelo curricular insuficiente? Rev Bras Educ Méd. 2023;47(4):e120. Doi: https://doi.org/10.1590/1981-5271v47.4-2023-0063
21. Minante BI, Fortunato IM, Pires JP, Castro SC, Varella S, Quagliato FF. O aprendizado de Libras na saúde durante o período pandêmico: um relato de experiência. Rev Interdiscip Saúde Educ. 2022;3(1):205-14. Doi: https://doi.org/10.56344/2675‑4827.v3n1a2022.12
22. Brasil. Ministério da Educação. Parecer CNE/CES nº536, de 30 de setembro de 2025. Institui Diretrizes Curriculares Nacionais do curso de graduação em Medicina e dá outras providências [Internet]. Brasília, DF: MEC; 2025. https://www.gov.br/mec/pt-br/cne/2025/agosto-de-2025/pces536_25.pdf
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Direitos autorais (c) 2026 Sheyla Ribeiro Rocha, Claudia Aparecida Stefane, Bianca Caseiro Chiuratto

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-ShareAlike 4.0 International License.