Espaço Profano e Espaço Sagrado na Música Luso-Brasileira do Século XVIII
DOI:
https://doi.org/10.11606/rm.v11i0.55095Resumo
O presente artigo pretende propor como linhas gerais de reflexão histórica para a abordagem da realidade musical luso-brasileira do Antigo Regime que, dadas as limitações do processo de laicização e de emergência da sociedade civil no Portugal e no Brasil setecentistas: 1. Na vida musical em todo o espaço lusófono o espaço profano tem menos peso do que nos outros países, e dentro dele o espaço privado sobrepõe-se de longe ao espaço público; 2. O espaço religioso continua a assegurar uma acumulação de práticas e funções sociais e artísticas muito mais amplo do que sucederia em outros países europeus e nas respectivas colónias; 3. Esta acumulação tem antecedentes históricos profundos que remontam já à prática do vilancico religioso dos séculos XVI e XVII;4. Como conseqüência destes factores, a própria natureza estética, estilística e técnico-musical da música sacra luso-brasileira do século XVIII acumula características "sacras" e "profanas"; 5. Nenhuma destas características pode ou deve ser lida como indicador de um factor de "atraso" em função de uma suposta bitola única da evolução musical européia; 6. A partilha de tendências estéticas à escala européia por parte da Música luso-brasileira do Antigo Regime deve procurar-se na análise da própria música e não no carácter profano ou religioso dos seus contextos de execução.
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