Confluências sonoras e a escrita para a mulher negra
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2238-7625.rm.2025.241669Palabras clave:
Mulheres negras na música, Aquilombamento sonoro, Epistemologias feministas negras na músicaResumen
Este artigo propõe uma reflexão crítica sobre as intersecções entre raça, gênero e música a partir de uma perspectiva afrodiaspórica e decolonial. Desde o entendimento de que a música não é uma ação neutra, mas profundamente atravessada por relações sociais, históricas e políticas, o texto valoriza a produção sonora negra como território de resistência, memória e espiritualidade. Tendo como referência autores e artistas, como Beatriz Nascimento, Lélia Gonzalez, Eurides de Souza Santos, Abdias do Nascimento, Mãe Stella de Oxóssi, Dona Dalva e outros; problematiza-se o epistemicídio promovido pela colonialidade nos campos artísticos e acadêmicos, destacando o papel dos terreiros como espaços de aquilombamento e retomada de uma ancestralidade negro-africana. A centralidade da mulher negra, especialmente no contexto dos saberes musicais e religiosos, é reconhecida como força propulsora de movimentos políticos e culturais que ressignificam a história brasileira. Por fim, o artigo afirma a potência da musicalidade negra enquanto ferramenta de construção identitária, cura coletiva e insurgência intelectual.
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