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			<journal-id journal-id-type="publisher-id">rmae</journal-id>
			<journal-title-group>
				<journal-title>Rev. Mus. Arqueol. Etnol.</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Ocean Coast. Res.</abbrev-journal-title>
			</journal-title-group>
			<issn pub-type="ppub">0103-9709</issn>
			<issn pub-type="epub">2448-1750</issn>
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				<publisher-name>Universidade de São Paulo Museu de Arqueologia e Etnologia</publisher-name>
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				<article-title>Crise, Desvalorização e Reforma na Moeda Romana do Terceiro Século: Uma Breve Consideração</article-title>
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				<contrib contrib-type="author">
					<name>
						<surname>Vanin</surname>
						<given-names>Marcos</given-names>
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					<bio>
						<label>*</label>
						<p>Doutor em Arqueologia pelo Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (MAE-USP) (2024).</p>
					</bio>
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				<institution content-type="original">Universidade de São Paulo (MAE-USP)</institution>
				<institution content-type="orgname">Universidade de São Paulo</institution>
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			<author-notes>
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					<label>E-mail:</label>
					<email>marcos.vanin@usp.br</email>
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			</author-notes>
			<pub-date date-type="pub" publication-format="electronic">
				<day>31</day>
				<month>12</month>
				<year>2024</year>
			</pub-date>
			<pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
				<year>2024</year>
			</pub-date>
			<volume>43</volume>
			<fpage>95</fpage>
			<lpage>113</lpage>
			<abstract>
				<title>Resumo:</title>
				<p>Este artigo aborda de maneira introdutória a questão econômica da Crise do Século Terceiro no Império Romano analisando a variação na desvalorização da moeda cunhada em prata, procurando recensear uma gradual pendência rumo a um papel mais intenso das cunhagens em bronze na estrutura de monetização romana. O avanço dessa modalidade está intimamente ligado à Reforma Diocleciana, que é questionada em caráter duplo, como uma falha no controle inflacionário, mas também é tida como uma importante mudança na lógica de entendimento da moeda. Em seguida, argumenta-se a coexistência de Modos Monetários diversos da moeda cunhada como elementos fundamentais para a promoção da monetização, caracterizando a Crise do Século Terceiro como um momento de interrupção dessas estruturas. A grande inovação da Reforma Diocleciana seria, então, abarcar elementos antes originários dos Modos Monetários nas novas seriações, inclusive em bronze.</p>
			</abstract>
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				<title>Resumo:</title>
				<p>Este artigo aborda de maneira introdutória a questão econômica da Crise do Século Terceiro no Império Romano analisando a variação na desvalorização da moeda cunhada em prata, procurando recensear uma gradual pendência rumo a um papel mais intenso das cunhagens em bronze na estrutura de monetização romana. O avanço dessa modalidade está intimamente ligado à Reforma Diocleciana, que é questionada em caráter duplo, como uma falha no controle inflacionário, mas também é tida como uma importante mudança na lógica de entendimento da moeda. Em seguida, argumenta-se a coexistência de Modos Monetários diversos da moeda cunhada como elementos fundamentais para a promoção da monetização, caracterizando a Crise do Século Terceiro como um momento de interrupção dessas estruturas. A grande inovação da Reforma Diocleciana seria, então, abarcar elementos antes originários dos Modos Monetários nas novas seriações, inclusive em bronze.</p>
			</trans-abstract>
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				<title>Palavras Chave:</title>
				<kwd>Numismática romana</kwd>
				<kwd>Inflação</kwd>
				<kwd>Desvalorização</kwd>
				<kwd>Reforma</kwd>
				<kwd>Crise do Terceiro Século</kwd>
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				<title>Keywords:</title>
				<kwd>Roman numismatics</kwd>
				<kwd>Inflation</kwd>
				<kwd>Debasement</kwd>
				<kwd>Reform</kwd>
				<kwd>Third Century Crisis</kwd>
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		<sec sec-type="intro">
			<title>Introdução</title>
			<p>Os estudos sobre a economia do mundo clássico são constantemente rondados pelo impacto do debate das escolas Primitivista e Modernista (“A Batalha Pela Economia Antiga”, como, de certa forma, satiriza Hindess <xref alt="2007" ref-type="bibr" rid="B26">2007</xref>). Novas tentativas de soluções mais matizadas procuram empregar conceitos derivados dessas duas abordagens ao sugerir um todo no qual a economia antiga tenha uma natureza mista e própria, respondendo de forma diversa a cada estímulo.</p>
			<p>Assim, novos olhares são propostos sobre problemas já consagrados, como a dada natureza da moeda dentro Império Romano, questão em geral abordada de uma perspectiva mais direta, procurando no próprio objeto da moeda a capacidade ou impossibilidade da sociedade romana ser uma economia monetizada<sup>	<xref ref-type="fn" rid="fn1">1</xref></sup>. Gradualmente ganha força um entendimento da moeda romana como um construto social, uma forma materializada dentre outras formas de resolução (“Monetary Modes”, como apresenta Verboven, <xref alt="2009" ref-type="bibr" rid="B48">2009</xref>), permitindo assim conceber uma sociedade monetizada prescindindo da moeda como principal e incontornável forma de valor de troca. De fato, o termo monetização pode ser percebido em várias aproximações. Na mais usual, a moeda é centrada como o foco de análise em si, apreciando-se os variados papéis que este suporte físico pode desempenhar em uma sociedade. Podemos, entretanto, abordar a questão com o aspecto social do valor de troca no centro, nessa abordagem a moeda como objeto físico se torna apenas um dos vários suportes carregados de valor. Este estudo tem como foco esta segunda interpretação.</p>
			<p>Propomos observar brevemente a crise do III século EC, as tentativas de reforma durante o IV século e os desafios lançados contra a moeda nesta que é talvez a mais famosa e certamente a mais violenta “Grande Desvalorização” do sistema monetário romano, perguntando sobre os efeitos desses processos sobre a natureza da monetização no império. Nesse sentido, argumenta-se que as limitações objetivas ao padrão metálico dos tipos monetários durante a crise se deparam com uma surpreendente resistência social e cultural voltada à preservação do costume da moeda. Não ocorre, como naturalmente se esperaria, um colapso súbito da monetização, mas na medida do possível, são preservados – e em alguns casos, expandem-se – elementos da fiducialidade da moeda como meio de troca, mantendo a sociedade romana em termos interpretáveis como mais próximos a uma economia monetizada do que de uma “economia natural” <sup>	<xref ref-type="fn" rid="fn2">2</xref></sup>.</p>
			<p>Ao argumentarmos contra a ideia de um colapso súbito da monetização, deparamo-nos com o debate acadêmico sobre a definição de crise, frente as várias considerações e desconstruções de uma visão monolítica da “Crise do Século Terceiro”, seria o termo proveitosamente aplicável para pensar na história dos modos monetários?</p>
			<p>Na vertente mais agressiva desse argumento, defendida pela polêmica de Strobel (1993) e Witschel (1999), o conceito de crise se apresentaria como um resquício reificado, preservando no discurso acadêmico um mecanicismo Gibboniano voltado a evidenciar um declínio logicamente pressuposto deduzido de uma queda irreversível e plenamente constatada: ambos os autores exemplificam esta problemática a partir de suas importantes críticas ao trabalho de Aföldy(<xref alt="1974" ref-type="bibr" rid="B1">1974</xref>), assim como adotando de forma quase moralista tanto o tom de “fim da civilização”, presente em Gibbon, quanto o de “final dos tempos” presente na oratória pessimista de fontes como os moralistas cristãos ou Dião Cássio.</p>
			<p>Autores como Liebeschuetz (<xref alt="2007" ref-type="bibr" rid="B35">2007</xref>) e Nicols (<xref alt="2007" ref-type="bibr" rid="B39">2007</xref>) apresentam formulação em um meio-termo mais “conciliatório”. Concordam, como na vertente anterior, que um “declínio romano” implica em uma afirmação ideologicamente carregada que, sobretudo, não respeita as continuidades e diferenças regionais, especialmente percebidas pela arqueologia. Mas se por um lado concordam que, a depender da localidade e do contexto, certos aspectos e regiões até mesmo prosperam dentro do cenário imbricado e complexo do século terceiro, por outro lado, não negam que os eventos preservados nos registros documentais e arqueológicos – se ideologicamente distorcidos ou de apreciação indireta – não deixam de configurar importantes desafios para o ordenamento romano. Quer as causas desses eventos tenham ou não suas origens no século anterior e a despeito de suas eventuais resoluções abalarem ou não as perspectivas de manutenção do Império, preserva-se o fato de que são realmente questões prementes para a administração pública da época.</p>
			<p>É nesse sentido que iremos direcionar este trabalho, a crise estudada não será a monolítica “Crise do Século Terceiro” em um sentido nebuloso e todo encompassante, mas uma crise metálica, uma escassez de prata, mensurável pelos trabalhos numismáticos. Suas causas estão ligadas entre si nos porecessos de longa duração, sua manifestação oscila no espaço e, sobretudo, suas consequências não implicam necessariamente no colapso automático da “urbanidade” ou do “Império”. Nossa proposta de “monetização sem moeda” percebe uma ressignificação das formas e mecanismos de resolução de obrigação pecuniária dentro das necessidades e lógicas da escassez, compreendemos a “crise” como um momento de mudança de regras, como uma questão em aberto.</p>
			<p>Como passo inicial para abordar essa questão, partimos de uma pergunta empírica: quais são os elementos preservados no registro arqueológico que nos permitem supor a “crise metálica”?</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>A emergência da moeda republicana e imperial</title>
			<p>A aparição de uma moeda propriamente romana é tardia, ocorrendo ao redor de 300 AEC (Florenzano; Ribeiro &amp; Lo Monaco 2015) em cunhagens de bronze e prata. Essas primeiras experiências guardam a tradição de um sentido de valor ao bronze derivado da prática de entesouramentos. Após um período de experimentação com pesos e formas, organiza-se um sistema centrado no uso da prata e empregando como modelo as moedas gregas. Essas cunhagens se complexificam até atingirem uma nova forma, menos ‘helenizada’, por meio do chamado Sistema do Quadrigato (datável de 269 AEC).</p>
			<p>Ao tempo da Segunda Guerra Púnica (215-214 AEC) o denário de prata se estabelece como medida central para as trocas comerciais romanas.</p>
			<p>Com a transição da república para o império, Augusto reforma um sistema já consolidado, voltado não somente para o pagamento militar como para as trocas cotidianas. Seu novo padrão se mostrará especialmente bem adaptado, mantendo-se por dois séculos e estabelecendo as relações de conversão entre moedas subsequentes: suas principais denominações incluem os áureos em ouro, utilizados para realizar as pagas militares e as funções religiosas, e os quinários e denários em prata, que baseiam a maioria das transações cotidianas. Estes últimos são reforçados por sestércios e dupôndios, moedas em liga de oricalco, e por moedas em bronze, o asse e o quadrans (Harl <xref alt="1996" ref-type="bibr" rid="B22">1996</xref>).</p>
			<p>É possível perceber uma longa identificação do bronze como metal com valor intrínseco por todo o mediterrâneo desde as tradições Homéricas, mas vale ressaltar que o papel das cunhagens imperiais nesse metal parece ser marcadamente subordinado a lastreamentos de valor principal na prata<sup>	<xref ref-type="fn" rid="fn3">3</xref></sup>, a própria proporção das estimativas de emissão divididas por classe metálica parecem concordar com esta proposta. Duncan-Jones (<xref alt="1994" ref-type="bibr" rid="B16">1994</xref>: 168-172) estima que ao final do século II EC a totalidade da cunhagem romana circulante estivesse ao redor de 21 milhões de sestércios, dos quais 60% estariam na forma de moedas de ouro, 30% em moedas de prata e apenas 10% em bronze<sup>	<xref ref-type="fn" rid="fn4">4</xref></sup> – Verboven (<xref alt="2009" ref-type="bibr" rid="B48">2009</xref>) não acredita nesses números, ele aponta uma margem de erro de cerca de 50% nessas estimativas, o que não prejudica o senso de proporção relativa. Durante as crises expostas a seguir, a importância do bronze crescerá de forma marcada.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>A “grande desvalorização”</title>
			<p>O século terceiro é marcado por repetidas depreciações sobre o sistema monetário imperial: empregaremos como narrativa central o trabalho de Kenneth Harl (<xref alt="1996" ref-type="bibr" rid="B22">1996</xref>) para, em seguida, considerar o impacto dessas mudanças na monetização romana.</p>
			<p>Os imperadores da dinastia Severa tardia (193-235 EC), ao enfrentarem um cenário de crise imperial iniciado desde o final do reinado de Marco Aurélio (circa 180 EC), pagam seus projetos com moedas valoradas ainda nos padrões que Augusto fixara dois séculos antes, as moedas retinham seu valor denominativo mesmo se os preços aos quais eram concedidas em pagamento estivessem subindo marcadamente.</p>
			<p>Isso não se verifica no conteúdo metálico das moedas: os áureos e os denários de prata emitidos por Alexandre Severo (reinando de 222 até 235 EC) são, respectivamente, 10% e 40% mais leves que os emitidos por Augusto (Walker <xref alt="1978" ref-type="bibr" rid="B50">1978</xref>). Ainda assim a subdivisão monetária permaneceu igual, de modo que os preços se inflacionaram em resposta (Harl <xref alt="1996" ref-type="bibr" rid="B22">1996</xref>:125, sugere cifras no dobro ou triplo daquilo que se encontrava no segundo século).</p>
			<p>Essa desvalorização “equilibrada” e progressiva se acelera marcadamente após o 235 EC: os turbulentos conflitos armados externos e internos que se seguem nos próximos vinte anos tem seus soldos pagos com emissões cada vez mais metalicamente impuras até culminarem em uma crise praticamente total da percepção de valor, resultando em uma espiral viciosa de inflação agravada por intervenções fiscais imprecisas ou sem efeito, erodindo a base administrativa romana não apenas pelo conflito armado como pelo próprio colapso do ideal de prosperidade que sustentava esse discurso (Harl <xref alt="1996" ref-type="bibr" rid="B22">1996</xref>).</p>
			<p>Walker (<xref alt="1978" ref-type="bibr" rid="B50">1978</xref>) nos apresenta uma materialização física dessa história de desvalorização, tomemos como termo de comparação o final do reinado de Antonino Pio em 161 EC, com o denário de prata pesando 3,21 gramas, das quais 2,68 trata-se concretamente de prata a uma finura de 83%. Com Cômodo percebemos a primeira queda concreta no peso da moeda, agora ao redor dos 3 gramas, seguida de um corte na finura rumo aos 75% e a perda de cerca de 0,35-0,65 gramas de prata comparada ao padrão Antonino.</p>
			<p>Tentativas curtas de reestabelecer a moeda ocorrem quando analisamos as emissões de Pertinax e Dídio Juliano (193 EC). No primeiro, a finura tem um marcado retorno rumo aos 87%, resultando na emissão com o maior conteúdo total de prata dentre todas as analisadas. Esse retorno abrupto é momentâneo, apenas atenuando os efeitos da marcada queda no período de Cômodo, a finura oscila aos 81%, com moedas pesando 2,95 gramas, ou seja, 0,20 gramas a menos de prata do que nosso padrão comparativo.</p>
			<p>O processo de desvalorização se torna mais instável com Septímio Severo (reunindo várias emissões de 193 a 211 EC), muito provavelmente de forma correlata às reformas militares e a expansão das campanhas. O conselho final desse imperador (segundo Dião Cássio, livro 77, parte 16) a seus filhos de “enriquecer os soldados e desprezar o resto” parece não apenas refletir a realidade política da necessidade do suporte da legião para a manutenção do imperador, como retratar um acordo econômico concreto (Harl <xref alt="1996" ref-type="bibr" rid="B22">1996</xref>: 126-127). A finura das emissões despenca rapidamente até um mínimo de 56%,e de um peso em princípio razoável, 3,22 gramas, o conteúdo total de prata decai finalmente a 0,80 gramas a menos do que o nosso padrão arbitrário Antonino (Walker <xref alt="1978" ref-type="bibr" rid="B50">1978</xref>).</p>
			<p>Essa tendência permanece praticamente inalterada a partir de Caracala, com agora já uma grama inteira de prata a menos nas moedas de denário, sendo apenas levemente e brevemente contrariada em episódios como o de Macriano (217-218 EC) ou os de Gordiano I e II no Ano dos Seis Imperadores (283 EC) divergem momentaneamente, elevando a finura em 62%.</p>
			<p>Assim, uma quebra de confiança é perceptível na adoção do <italic>antoninianus</italic> de Caracala (<xref alt="Fig 1" ref-type="fig" rid="f1">Fig 1</xref>), equivalendo ao dobro do denário mas contendo apenas 80% da prata presente em duas dessas últimas moedas, bem como pesando cerca de meia moeda de denário a menos do que a equiparação direta (Walker <xref alt="1978" ref-type="bibr" rid="B50">1978</xref>). Em resposta, o registro arqueológico para o período apresenta a recorrência de entesouramentos de denários “mais valiosos” retidos como lastro de “moeda boa” para ocasiões em que a “moeda ruim” fosse inaceitável – a famosa “Lei de Gresham” funcionando plenamente<sup>	<xref ref-type="fn" rid="fn5">5</xref></sup>.</p>
			<p>
				<fig id="f1">
					<label>Fig 1.</label>
					<caption>
						<title>O retrato de Caracala com a coroa radiada, couraça e a legenda ANTONINVS PIVS AVG GERM. Anverso de um <italic>antoninianus,</italic>circa 215 EC, integrante da Coleção Numismática do Museu Estatal de Munique, número de catálogo 184113.</title>
					</caption>
					<graphic mime-subtype="jpeg" mimetype="image" xlink:href="0103-9709-rmae-43-e226386-f1.jpg"/>
					<attrib>
						Fonte: numismatics.org
					</attrib>
				</fig>
			</p>
			<p>É importante notar que a escassez de metal precioso por si só está coligada às razões para desvalorizar intencionalmente a moeda. A grande expansão Sassânida, que ocorre após o reinado de Alexandre Severo, corta o acesso romano à mineração na Mesopotâmia, Síria e Ásia Menor, enquanto as tribos germânicas, saxãs e francas igualmente interrompem a exploração das províncias do norte, isso também reduz as possibilidades do comércio de longa distância. Emissões de baixa finura se tornam, assim, também uma necessidade prática (Harl <xref alt="1996" ref-type="bibr" rid="B22">1996</xref>).</p>
			<p>Qualquer semblante de “inflação progressiva” controlável, mesmo que cada vez mais tenuemente, esvai-se com a perda do padrão do denário durante a Guerra Civil de 238, quando o <italic>antoninianus</italic> toma de fato seu espaço nas novas emissões dos candidatos senatoriais. A partir de Gordiano III<sup>	<xref ref-type="fn" rid="fn6">6</xref></sup> o cenário seria já o da larga e irreversível circulação de moeda quase completamente fiduciária, refletida em sucessivos acréscimos de preço e revisões de peso e divisibilidade, chegando ao ponto de culminar na tentativa de uma moeda notacional<sup>	<xref ref-type="fn" rid="fn7">7</xref></sup> – <italic>os denarii comunes</italic> – para a conversão cotidiana do poder de compra dos <italic>antoninianni</italic> (Posner <xref alt="2015" ref-type="bibr" rid="B41">2015</xref>).</p>
			<p>O <italic>antoninianus</italic> seguiu se desvalorizando constantemente e, ao período de Trajano Décio (circa 250 EC), aquela que fora nos tempos de Caracalla uma moeda de 5,09 gramas pesa apenas ao redor de 4 gramas, perdendo a finura original de 52% para 41% – cerca de uma grama de prata se perdeu nessa flutuação. A próxima grande perda de conteúdo metálico se dá com Valeriano (253 EC), com moedas oscilando os 3 gramas de peso, mas com uma finura apenas nos 20%, ou seja, em torno de 2 gramas de prata perdida. Ao final do terceiro século, as moedas de Cláudio Gótico, Quintílio e Aureliano pesam raras vezes mais do que 2,5 gramas com uma finura de não mais que 5% (e mais constantemente, apenas 2%) e com quantidades de prata ao redor de 0,10 gramas (Walker <xref alt="1978" ref-type="bibr" rid="B50">1978</xref>).</p>
			<p>O cenário composto da crise de desvaloração é o de grandes emissões sucessivas, cada vez mais hábeis em empregar menores quantidades de metal, enfrentando entesouramentos e, cooptações e evasões, resultando em um padrão monetário incerto e inseguro, com rápida sucessão de tipos efêmeros.</p>
			<p>Paralelamente ocorre também uma queda no valor da moeda em bronze mais cotidiana, com um conteúdo crescente de 20-25% de chumbo na manufatura (Walker <xref alt="1978" ref-type="bibr" rid="B50">1978</xref>). Mais grave ainda, as novas emissões tendem a concentrarem-se muito intensamente nos múltiplos mais valiosos, escasseando a circulação das moedas cotidianas de bronze e atrapalhando atividades corriqueiras como coleta de impostos e comércio – uma moeda fracionária “improvisada” se torna necessária, por isso a divisão física de pedaços dos discos metálicos se torna um recurso comum. Ainda assim, as emissões em bronze conseguem reter mais valor fiduciário do que as em prata e ao tempo de Galiano (260-267 EC) já concentram a maior importância como repositórios concretos de riqueza – na maioria dos entesouramentos datáveis em torno de 250 EC, as moedas de bronze superam em muito as de prata como lastro, enquanto que moedas encontradas “em contexto de gasto” (como perdidas ou recolhidas em pequenos estabelecimentos comerciais) tendem a ser de prata – como aponta Harl (<xref alt="1996" ref-type="bibr" rid="B22">1996</xref>: 135), “poucos romanos voluntariamente alienariam suas moedas de bronze ao tempo das reformas de Diocleciano”.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Variação regional: O espaço desigual da “crise metálica”</title>
			<p>Esses fenômenos de incerteza e depreciação sofrem variações locais importantes, ressaltando o aspecto de variação regional dentro da crise. Os registros arqueológicos preservam evidências desses processos em três suportes materiais principais: estáteres de prata provinciais, as cunhagens cívicas em bronze e as emissões do Egito.</p>
			<p>Dentre esses processos, os estáteres são aqueles que parecem mais sensíveis a situação do denário, estando intimamente ligados às taxas de câmbio para essa moeda central – aqui a adoção dos <italic>antoniniani</italic> e sua queda de valor serão rapidamente sentidas, chegando à necessidade de desvalorizar os estáteres, ainda que permanecessem com uma finura superior, para impedir que esles fossem entesourados ou derretidos e recunhados como alternativa aos <italic>antoniniani</italic> (Harl <xref alt="1996" ref-type="bibr" rid="B22">1996</xref>: 136).</p>
			<p>Ainda assim, a moeda das províncias orientais segue a tendência de se encontrar mais valiosa do que o denário, ao menos até 213 EC. Com Caracala, medidas drásticas de intervenção sobre o mal desempenho do denário são realizadas via emissão de tetradracmas desvalorizadas como pagamento dos suprimentos militares (Ziegler <xref alt="1977" ref-type="bibr" rid="B51">1977</xref>). A escala dessa emissão é grande o suficiente para afetar as cunhagens asiáticas, que se encontram impedidas de continuar com suas denominações locais e passam a emitir denários desvalorizados ou moedas em conversão direta a esse padrão, como o didrácma de Cesaréia na finura de 40%, diretamente similar ao <italic>antoninianus</italic>, a prata antes concentrada em várias emissões locais mais valiosas e mais restritas passa a ser pulverizada em uma grande emissão centralizada de baixo conteúdo metálico (Ziegler <xref alt="1977" ref-type="bibr" rid="B51">1977</xref>), desgastando a confiança pública.</p>
			<p>As moedas de bronze das cunhagens cívicas, por sua vez, têm origem no emprego continuado do bronze de emissões Antoninas e Severas, especialmente os asses produzidos ao redor de 250 EC, acompanhado de forma desigual por emissões locais (Elks <xref alt="1975" ref-type="bibr" rid="B17">1975</xref>). Com a crescente desvalorização do <italic>antoninianus</italic>, essa cunhagem em bronze também tem sua finura reduzida no espaço romano-grego (em cerca de até 65-50%), mas tem sucesso em suprir o espaço vazio da cunhagem de bronze propriamente romana, retendo valor de lastro inesperado, inclusive, subindo em valor de troca apesar da perda de conteúdo metálico – ao tempo de Trajano Décio (circa 250 EC) os asses cunhados em Esmirna, por exemplo, cambiavam-se favoravelmente em valor tríplice.</p>
			<p>É particularmente interessante notar que a administração local das cunhagens cívicas apresentava tentativas de controlar a crise inflacionária com medidas que ecoaram nos futuros planos de Diocleciano, retarifando o valor das moedas de bronze por meio de contramarcas na cunhagem (a evidência tipológica recuperada dos contextos da Bitínia apresenta acréscimos iniciais de 33%, que aumentam até remarcações nos 300%), tentativas de fixação de preço e reformas de salários (Howgego <xref alt="1985" ref-type="bibr" rid="B28">1985</xref>: 67-68). Essas iniciativas não parecem terem conseguido sucesso prático.</p>
			<p>As cunhagens do Egito, por sua vez, são um caso interessante de resistência inicial a essa onda de crises de desvalorização, encontrando-se mais protegidas e insuladas da variação do denário. Isso se dá pelo sucesso em impor uma estabilização “de fato” sobre as cunhagens da tetradrácma egípcia como padrão das transações cotidianas a despeito da queda de conteúdo metálico, empregando o represamento e retirada de circulação de cunhagens de maior finura, ponto proposto por Burnett &amp; Craddock (<xref alt="1983" ref-type="bibr" rid="B9">1983</xref>), que tomam como exemplo desse fenômeno os neronianos de bronze de 191 EC, com o conteúdo metálico de um terço do original, emitidos por meio de recunhagens abrangentes das séries anteriores. A larga aceitação destas moedas, relevando a queda de finura, se dá pela ausência de uma cunhagem competidora direta e os acréscimos de preço passaram a ocorrer em velocidade consideravelmente menor.</p>
			<p>Outros fatores importantes na manutenção da aceitação dessa moeda, mesmo que desvalorizada, estão na exigência de seu emprego na liquidação de obrigações legais e nas emissões em quantidades controladas e relativamente baixas. Este último aspecto parece ser essencial para a manutenção da calmaria egípcia inicial: em 250 EC (novamente, o período de Trajano Décio) emissões massivas de tetradracmas (<xref alt="Fig 2" ref-type="fig" rid="f2">Fig 2</xref>) desvalorizadas, somando dezenas de milhares, quebram o equilíbrio de recunhagens e o já familiar entesouramento de “moedas boas” mais antigas atinge a província em força total.</p>
			<p>
				<fig id="f2">
					<label>Fig 2.</label>
					<caption>
						<title>Tetradrácma de Trajano Décio, representado laureado e em couraça, com a legenda A K G M K TRAIANOC DEKIOC, circa 250 EC, parte da coleção do Ashmolean Museum sob número de catálogo do Roman Provincial Coinage Project RPC IX.2248.</title>
					</caption>
					<graphic mime-subtype="jpeg" mimetype="image" xlink:href="0103-9709-rmae-43-e226386-f2.jpg"/>
					<attrib>
						Fonte: Ashmolean Museum
					</attrib>
				</fig>
			</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>As reformas e a expansão das cunhagens em bronze</title>
			<p>Respostas coesas e planejadas frente as crises de desvalorização foram vitalmente necessárias. A mais célebre é sem dúvida a iniciativa Diocleciana, mas em 274 EC, Aureliano Augusto, por meio de oficinas de cunhagem, aplica medidas que restituem parte da estabilidade econômica perdida, trabalhando em eliminar “moedas concorrentes” entesouráveis, não apenas pela extinção de exemplares mais valiosos como também pela formalização de padrões mais amplos e seguros nos tipos monetários (Christol <xref alt="1977" ref-type="bibr" rid="B12">1977</xref>).</p>
			<p>Os esforços em padronizar as cunhagens rumo a uma moeda única são, no entanto, inconstantes, uma vez que uma rede difusa de oficinas de produção facilmente realiza grandes séries para usurpadores e rebeliões quando capturadas, como, por exemplo, no caso das moedas galo-romanas (Drinkwater <xref alt="1987" ref-type="bibr" rid="B15">1987</xref>).</p>
			<p>Com a retomada da coleta estável de impostos sobre o império, novo fôlego se lança sobre os esforços continuados de recunhagem, que atingem um patamar importante com o sucesso em elevar a finura das séries de prata em circulação. A emissão dos <italic>aurelianianus</italic>, em 274 EC, retoma um peso de quase 4 gramas e contém cerca de 5% de metal precioso, convertida em uma taxa que reconhece a inflação acumulada, dois <italic>antoninianus</italic> e meio (Harl <xref alt="1996" ref-type="bibr" rid="B22">1996</xref>: 146). Tal série é reforçada por cunhagens cuidadosas de asses de bronze se aproximando tanto quanto possível dos mais antigos represados.</p>
			<p>A entrada do <italic>aurelianianus</italic> no oriente é também bem aceita, sobretudo no Egito. Gradualmente as moedas contramarcadas restituem seu valor nominal quando confrontadas a taxas de conversão mais estáveis frente à nova cunhagem padronizada. A Reforma Aureliana não parece obter sucesso, entretanto, em controlar a subida dos preços e fontes egípcias (Lendon <xref alt="1990" ref-type="bibr" rid="B33">1990</xref>) falam sobre acréscimos quatro vezes superiores nas trocas, bem como da falha em se difundir pelo espaço ocidental. De fato, nesse contexto, a reforma será praticamente ausente e algumas regiões – Britiânia e a região do Reno, especialmente – irão sofrer grande escassez das cunhagens novas, tendo de lançar mão de alternativas locais, como a cunhagem galo-romana “falsificada” em recunhagens evocando os novos tipos (King <xref alt="1981" ref-type="bibr" rid="B31">1981</xref>).</p>
			<p>Em 274 EC se inicia a reforma mais articulada de Diocleciano, reforçada em fases sucessivas de mudança monetária. Em seus primeiros anos, a reforma se concentra em manter o padrão do <italic>aurelianianus</italic> no mesmo patamar de 274, obtendo sucesso na emissão de uma nova cunhagem em prata, o <italic>argenteus nummus</italic>, em 293, mas apenas como denominação auxiliar, com a base do sistema sendo um novo <italic>denarius communis</italic> de bronze, bem como moedas “recobertas” de prata, como a peça de <italic>nummus</italic> e há também o restabelecimento do <italic>aureus</italic> como um termo comparativo de valor (Bruun <xref alt="1979" ref-type="bibr" rid="B8">1979</xref>).</p>
			<p>Agora nomeada <italic>solidus</italic>, essa emissão tem sua subdivisão prevista em 24 unidades teóricas de peso igual, as <italic>siliquae</italic>, origem remota da moderna divisão em quilates. Tal como as unidades modernas, as <italic>siliquae</italic> eram pesos teóricos e não unidades de contagem concretas, mas carregavam consigo a ideia de padronizar cunhagens futuras. Os <italic>argenteus nummus</italic>, de 293, são fixados como devendo pesar uma <italic>siliqua</italic> do <italic>solidus</italic>, resultando em uma taxa clara de equivalência metálica,ao comparar o peso e finura das duas moedas ao momento da fixação de medidas, 1 g de ouro deveria ter o mesmo poder de compra que 15 g de prata (Harl <xref alt="1996" ref-type="bibr" rid="B22">1996</xref>: 149). Tal indexação se aventura a considerar atrelar o sistema de cunhagem romano a um raciocínio no qual o ouro é o padrão de valor central, abandonando o sistema centrado em prata.</p>
			<p>Apesar dos sucessos iniciais da Reforma Diocleciana, seus esforços, mesmo aparentemente concatenados, resultam rapidamente em um fracasso centrado na área mais perigosamente central de todo esforço de reforma: a manutenção de preços. As novas peças de <italic>nummus</italic> nunca conseguiram estabelecer uma relação de fidúcia mantida no tempo e a queda do poder de compra dessas moedas é tão rápida (Hendy, <xref alt="1985" ref-type="bibr" rid="B25">1985</xref>) e marcada que tentativas de elevar o valor via decreto imperial acontecem em 300 EC.</p>
			<p>Em 301, o famoso e já citado, Édito de Preços Máximos tenta resolver esse aspecto por intervenção direta – o édito falha de forma marcada, sendo incapaz de evitar que as mercadorias sejam retidas e direcionadas a outros espaços de venda ou simplesmente trocadas em câmbio negro, contornando sua eficácia por completo (Harl <xref alt="1996" ref-type="bibr" rid="B22">1996</xref>: 152-153). Evidências fragmentárias de um segundo édito, recuperadas em Afrodísias (Erim &amp; Reynolds <xref alt="1973" ref-type="bibr" rid="B18">1973</xref>), sugerem medidas emergenciais de redução salarial, isenção de impostos e um novo tabelamento de preços.</p>
			<p>A realidade do poder de compra da reforma, entretanto, não parece estar no mundo ideal das inscrições, mas nos negócios cotidianos do mercado, em que as moedas conseguiam obter apenas aquilo que a confiança geral lhes permitia. Talvez a superprodução das séries monetárias da reforma tenha “diluído” o lastro em ouro do sistema, com uma superabundância de tipos em bronze e fina cobertura em prata, resultando em uma inflação causada não pela degradação da finura do valor intrínseco das moedas, mas pela sobrecarga de cunhagem fiduciária em volumes muito mais elevados do que a base de seu valor (Harl <xref alt="1996" ref-type="bibr" rid="B22">1996</xref>: 154).</p>
			<p>Para a narrativa de Harl (<xref alt="1996" ref-type="bibr" rid="B22">1996</xref>), por volta de 305 EC, a Reforma de Diocleciano já seria, para todos os efeitos, um experimento sem sucesso. Autores como Carrié (<xref alt="1994" ref-type="bibr" rid="B11">1994</xref>) discordam, segundo o autor, atendo-nos à motivação imediata das reformas, garantir a capacidade de reorganização administrativa-burocrática do Império, seria possível perceber a implementação com sucesso de mecanismos de integração inter-regional, cultural, comercial e política (Silva <xref alt="2017" ref-type="bibr" rid="B44">2017</xref>) e, para além da tentativa de controle inflacionário, as reformas estabelecem elementos como o controle da cobrança de impostos, visando evitar o desvio de poder dos <italic>curatores</italic>, e o sistema de <italic>origo</italic>, atentando sobre a situação de detentores de terras e seus colonos.</p>
			<p>Seus sucessores irão, entretanto, insistir em perseguir o ideal de uma moeda fiduciária que obtenha tanto sucesso quanto a tetradrácma egípcia, sem nunca chegar ao entendimento crucial da necessidade de controle meticuloso e constante da escala de emissão e das taxas de câmbio para com o metal lastreador. A crise resultante é vista na historiografia clássica como responsável por desmonetizar o comércio e as trocas dentro do império. O câmbio negro e a permuta tomariam o lugar de uma verdadeira reforma, cortando a retroalimentação monetária necessária para o novo equilíbrio do sistema (Bruun <xref alt="1979" ref-type="bibr" rid="B8">1979</xref>).</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>As dificuldades pós-reforma: desmonetização ou reconvenção da moeda?</title>
			<p>Chegamos, assim, ao ponto central de nosso argumento: a natureza das flutuações que se seguem à tentativa de reforma parece se adequar com a ideia de um desafio aos limites da monetização, mais do que a uma desmonetização factual das relações comerciais romanas.</p>
			<p>Esta não é uma proposta nova, De Callataÿ (<xref alt="2017" ref-type="bibr" rid="B13">2017</xref>), ao trabalhar com a diferença entre “crise monetária” e “crise da monetização”, ressalta como caracterizações diversas e por vezes nebulosas desses conceitos na aplicação variada de “historiadores-economistas” e “economistas-historiadores”, por vezes, fazem com que um fenômeno ligado à monetização seja tomado como um fenômeno monetário.</p>
			<p>Esse autor, retornando as bases da Teoria Quantitativa da Moeda e a, já venerável, Equação de Fisher (em sua formulação original, MV=PQ), argumenta, em consonância à Angeliki Laiou (<xref alt="2002" ref-type="bibr" rid="B32">2002</xref>), que o avanço diacrônico constante da monetização no espaço econômico romano resulta naturalmente em um aumento do número total de transações (Q) que pode levar ao aumento da média dos preços (P) mesmo quando a velocidade de transações (V) e a quantidade total de moeda dentro desse sistema econômico (M) permanecem estáveis, ou seja, um aumento de preços nascendo do aumento da quantidade de transações monetarizadas e não do escasseamento do suprimento de dinheiro, ou, como Rathbone (<xref alt="1996" ref-type="bibr" rid="B43">1996</xref>) titula seu artigo, “Monetization, not price-inflation in third-century AD Egypt”.</p>
			<p>Nesse sentido, um certo posicionamento teórico está implícito nos autores: a aplicabilidade da Equação de Fisher como uma ferramenta capaz de informar políticas econômicas públicas é ponto contencioso entre os economistas, com a vertente clássica atrelando inflação ao aumento da quantidade de dinheiro e operando apenas neste sentido. Milton Friedman formula esta opinião de forma axiomática: “Inflação é sempre e em toda parte um fenômeno monetário” (<xref alt="1978" ref-type="bibr" rid="B21">1978</xref>), enquanto que vertentes como a Escola Keynesiana (mas não somente, visto que esta é uma posição crescente) rejeitam tal unilateralidade, reconhecendo a capacidade da equação de funcionar “em sentido inverso”, ou seja, com a inflação tendo uma origem alheia à flutuação monetária estrita.</p>
			<p>O entendimento dos artigos aqui mencionados parece contornar relativamente essa questão, desatrelando cada sentido da equação como um fenômeno separado, “inflação” ocorrendo no aumento da quantidade de dinheiro, “crise de monetização” ocorrendo no aumento do número de transações”, mas estão implicitamente empregando os contornos gerais dos críticos do uso padrão da Equação de Fisher. Este é o sentido que as conclusões deste artigo pretendem apontar: se a crise metálica não aniquila o uso dos conceitos monetarizados, estamos frente a uma crise de monetização, mas não frente ao colapso imediato do conceito de moeda.</p>
			<p>Essas balizas teóricas são, é claro, projeções de contextos modernos, realizadas por De Callataÿ, sobre o mundo antigo, mas abrem a questão: como caracterizar os processos de monetização na economia romana?</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Modos monetários: O espaço da “moeda-não-moeda”</title>
			<p>Precisar em que medida o sistema econômico romano era capaz de consolidar a monetização frente às negociações de valor intrínseco é um ponto que gera debates. Já é um argumento consagrado apresentar que, mesmo dentro da estabilidade do sistema de valores e medidas de Augusto, fosse fisicamente impossível liquidar a totalidade de grandes negócios exclusivamente em moeda, a epítome do exemplo está talvez na, muito citada, cifra de 3,5 milhões de sestércios que Cícero pagou por uma vila no Palatino (<italic>Epistulae ad Familiares</italic>, V, 6, 2) que, convertida em prata, deveria somar 3,4 toneladas de moedas de denário (Harris <xref alt="2008" ref-type="bibr" rid="B23">2008</xref>: 175-176).</p>
			<p>Mecanismos de pagamento independentes da moeda física deveriam ser necessários nessas ocasiões, sugerindo ou uma monetização incompleta ao império ou a existência de um paradigma de valor interpretável como “funcionalista”, nas palavras de Verboven (<xref alt="2009" ref-type="bibr" rid="B48">2009</xref>:94), tentar afirmar que “tudo aquilo que faz as vias de moeda é por si mesmo moeda”. A crítica deste autor está centrada na propensão em interpretar estes mecanismos como “acessórios” ou “alternativos” a um núcleo mais comum e constante de pagamentos “principais” em moeda, propondo, ao invés disso, que a construção gradual da ideia de moeda como uma realidade social aceitasse diferentes modos de resolução de dívida paralelamente com a mesma “liquidez”, a depender do caso prático. “Dinheiro”, nesse sentido, poderia ser definido como o resultado do processo cultural em que relações sociais se tornam institucionalizados como transações monetárias dentro de contextos reforçados como de troca pecuniária<sup>	<xref ref-type="fn" rid="fn8">8</xref></sup> (Verboven <xref alt="2009" ref-type="bibr" rid="B48">2009</xref>).</p>
			<p>Partindo desta crítica, propomos que durante a situação de crise certas formas destes “pagamentos paralelos” se retraem em favor da moeda de bronze e de liga pobre, em efeito dilatando a “fiducialidade” implícita no conceito de moeda, esse resultado seria talvez um dos conteúdos centrais do sucesso da tetradrácma egípcia, por exemplo, “estruturando” ou “aculturando” a população de agentes econômicos à adotar a moeda como meio preferido de solvência, com sucesso variado em intensidade e no tempo.</p>
			<p>Esse processo de “aculturação” se apresenta de forma marcada tanto na documentação escrita quanto nos dados arqueológicos. A autorrepresentação romana no texto claramente vê na moeda uma natureza “civilizadora” e na permuta a conduta de “bárbaros” (por exemplo: Tácito, Germania 5, 3-5; Estrabão, III, 7). O registro material agrega uma concentração de moedas maior do que a esperada mesmo em sítios rurais (De Ligt <xref alt="1990" ref-type="bibr" rid="B14">1990</xref>), entretanto, aparentemente, sempre se mantém alternativas viáveis de pagamento que usem a moeda como escala comparativa ao invés de meio físico. O termo pecunia, por exemplo, pode ser entendido não somente como o valor em moeda metálica, como também de objetos, imóveis e direitos aos quais se atribui um valor mesurável<sup>	<xref ref-type="fn" rid="fn9">9</xref></sup> (Verboven <xref alt="2009" ref-type="bibr" rid="B48">2009</xref>).</p>
			<p>Nesse sentido outro termo se apresenta como indício de um sistema mais “aberto” e “paralelo” do que normalmente conceituado: <italic>pretium</italic>, significando, a depender do contexto, “moeda”, “valor”, “prêmio”, “gasto”, “recompensa”, “suborno”, “resgate” e “despesa”, em suma, juízos de valor monetário de situações pecuniarizadas (Lo Cascio <xref alt="1996" ref-type="bibr" rid="B36">1996</xref>). Em contrapartida, o termo <italic>merx</italic>, mercadoria, não é empregado com a mesma sinonímia à moeda e ao conceito valor. A mercadoria pode ser expressa comparando-a com um valor, mas não é, linguisticamente, uma unidade de expressão de valor em si.</p>
			<p>Tal comparação não significa que a mercadoria não fosse capaz de se apresentar como um método de solvência por si só, apenas que a operação conceitual para tal realização precisasse, dentro do contexto do império, de uma “conversão” socialmente aceita ao plano monetário. Neste patamar podemos situar também os lingotes de metal precioso, existindo em uma posição especial entre o plano da moeda e a natureza de mercadoria, como veremos mais à frente.</p>
			<p>Finalmente, os valores de troca podem ser ainda completamente abstratos entre si, como nos episódios de cessão de crédito. Neles, o direito de cobrar uma dívida é transferido para uma outra parte que se torna o novo credor, quase constituindo uma forma de operação “superfiduciária”, na qual a expectativa de pagamento é o único valor cambiado. Dentre os romanos, essa modalidade se apresentará como o núcleo de um futuro conceito de “finanças”, em “embrião” nas <italic>nomina</italic> (“cartas de crédito”, Harris <xref alt="2019" ref-type="bibr" rid="B24">2019</xref>), em um contexto muito bem definido, aceitáveis apenas dentro das relações com cambistas e emprestadores de dinheiro ou dentro da confiança pessoal de cidadãos privados.</p>
			<p>Esse padrão de finanças emergentes alivia de forma significativamente as dificuldades materiais da monetização (Andreau <xref alt="1999" ref-type="bibr" rid="B3">1999</xref>; Von Reden <xref alt="2007" ref-type="bibr" rid="B49">2007</xref>). Por meio da intervenção de cambistas, grandes somas poderiam ser trocadas sem deslocamento físico dos valores metálicos, simplesmente cedendo o registro de valores depositados, inclusive, despersonalizando a necessidade da presença imediata do credor e do devedor para a conclusão do negócio.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>As comódites como modo monetário</title>
			<p>Em sua natureza central, a troca em mercadoria (não seria de todo excessivo empregar o temo moderno “comódites”) é capaz de conjugar dois valores simultâneos: o valor intrínseco do objeto em sua utilidade “própria”, independente de futuras trocas econômicas, e a construção cultural de um valor comparativo, capaz de se mensurar contra o valor de outras comódites visando futuras alienações. Comódites, como ressalta Verboven (<xref alt="2009" ref-type="bibr" rid="B48">2009</xref>), não nascem imediatamente como moeda, mas são capazes de adotar aspectos construídos de moeda quando assim percebidas.</p>
			<p>Que a alteridade do pagamento de uma obrigação seja por moeda cunhada ou mercadoria não implica na existência inescapável de uma monetização fraca em uma sociedade. Ao invés disso, é possível estar diante de um cenário de institucionalização de conceitos de valor “monetarizantes”, expressos por vias diferentes, mas correlatas e, ainda mais importante, metricamente equiparáveis.</p>
			<p>Dentro de nosso recorte histórico romano, percebemos nos grãos um importante papel de valor de comódite, sendo especialmente comum como forma alternativa de pagamento de impostos (Bagnall <xref alt="1985a" ref-type="bibr" rid="B4">1985a</xref>). Von Reden (<xref alt="2007" ref-type="bibr" rid="B49">2007</xref>: 70-78), por exemplo, chega a argumentar a respeito da utilidade dos grãos em suplantar a escassez de moeda metálica no Egito como forma de troca de valores. Sua aceitação fora das obrigações frente ao governo, entretanto, é um ponto controverso. Exemplos casuísticos da aceitação de comódites em trocas comerciais são verificáveis, mas não se conhece ao certo a conceitualização comercial romana para o papel desses valores. A utilização, entretanto, de objetos em metal precioso – de jóias até os lingotes – é bem atestada. Lo Cascio (<xref alt="2000" ref-type="bibr" rid="B37">2000</xref>) argumenta que a função central destes objetos seria a oferta de garantia para o crédito e o empréstimo, imbricando de forma ainda mais marcada um caráter monetizado a seu uso. Juridicamente, parte da natureza daquilo que é moeda parece estender-se sobre os lingotes preciosos, por exemplo, pelas medidas contra falsificação presentes na <italic>lex Cornelia de falsis</italic> de 49 AEC.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Trapezas, cambistas, crédito e empréstimo: O modo monetário “financiário”</title>
			<p>As relações de crédito parecem ser capazes também de “herdar” parte da estrutura de dom recíproco e da ideologia aristocrática das obrigações de honra, “reconstruindo” as noções de valor rumo a um sistema monetizado (Hollander <xref alt="2005" ref-type="bibr" rid="B27">2005</xref>).</p>
			<p>A partir do momento em que os títulos de dívidas (por natureza personalíssimos) começam a ser aceitos como transmissíveis (via rito especial), mais um aspecto “financiário” se estabelece no sistema romano, tornando os valores – quer monetários, quer em comódites – lançados ao redor do crédito mais fluídos e ainda mais comparáveis, mesmo que dependentes de negociações prévias e estipulações jurídicas diretas. Em um certo sentido, os títulos de dívidas romanos transformam as alianças e liames entre famílias e cidadãos privados em um plano de monetização em si, um conjunto de canais em que valores expressos em moeda podem circular sem a necessidade obrigatória dos valores metálicos (Minaud <xref alt="2005" ref-type="bibr" rid="B38">2005</xref>). Cícero (Carta para Ático, XII, 3, 2), por exemplo, apresenta de forma concreta uma dessas negociações, vendendo o direito de cobrar uma dívida pela metade de seu crédito.</p>
			<p>Essa prática é tão difundida e tão capaz de exercer uma função similar à moeda, que as fontes romanas apresentam o conceito da “<italic>concurratio nominis</italic>”, balancear a realização de dívidas pessoais com a aquisição de créditos de outrem.</p>
			<p>Mesmo em esferas cotidianas, como as compras no mercado, o crédito se faz necessário como um mecanismo de reforço a monetização. Compras volumosas podem ser realizadas por meio de crédito não apenas para angariar o valor dentro do prazo, como pela necessidade objetiva de se esperar o transporte de valores até o credor (Bailey <xref alt="1970" ref-type="bibr" rid="B6">1970</xref>).</p>
			<p>Grande ímpeto para esta expansão de “monetização para além da moeda” parece vir da agência da Legião na organização social romana. Requisições de suprimentos, soldos e obras de bonificação são gastos expressos em moeda (Verboven <xref alt="2007" ref-type="bibr" rid="B47">2007</xref>) e seu dispêndio anual pode acumular uma alta soma. Speidel (<xref alt="1996" ref-type="bibr" rid="B45">1996</xref>) sugere que a legião no Reno durante o século I EC gasta cerca de 89 milhões de sestércios ao ano, apenas em necessidades básicas e sem contar os donativos. O mesmo autor também calcula que o acréscimo no soldo garantido por Domiciano para a legião na Britânia infla o custo anual de operação de 34 milhões de sestércios para 45 milhões.</p>
			<p>Um jogo de “<italic>concurratio nominis</italic>” alargado ao raciocino público já está embutido na lógica de “anular” partes do pagamento contra os dispêndios de consumo dos legionários (provisões, equipamento etc.). Entretanto, nessas situações não apenas o montante resultante não pode ser sempre liquidado em moeda como a própria entrada de recursos administrativos para solver esses dispêndios – advinda sobretudo de impostos – carrega importante conteúdo não-monetário. Parte da solução está precisamente em conferir aos legionários o direito de guardar uma “conta” com o exército romano, um fundo registrado no qual seu soldo é depositado em crédito e pelo qual esse agente econômico pode realizar futuras aquisições, prática que fomentará mais força para a difusão de trocas monetizadas e do raciocino de valor em moeda, mesmo quando na ausência do metal precioso (Verboven <xref alt="2007" ref-type="bibr" rid="B49">2007</xref>).</p>
			<p>No âmbito administrativo civil, formas similares são conhecidas. Trabalhadores assalariados no Egito (Rathbone, <xref alt="1991" ref-type="bibr" rid="B42">1991</xref>) podem comprar bens lançando-os contra salários futuros via “contas” de forma quase idêntica, apresentando tanto nos campos militares quanto nos de trabalho uma “moeda de conta” interna, suplantando os tipos monetários, mas operando dentro de seu mesmo padrão. Assim, são as formas de trabalho “por soldo” que constituem importantes agentes de difusão da ideia de moeda, apresentando as bases de confiança e conexão social necessárias para embasar os fundamentos de um sistema fiduciário.</p>
			<p>Este ímpeto em formar novas conexões se traduz também na abertura de novas possibilidades de investimento. Embora não possamos igualar a experiência monetária antiga à moderna, é possível argumentar o embasamento dos inícios da ideia de uma reserva fracionária: bancos modernos operam plenamente na expectativa de que seus correntistas mantenham suas reservas dentro do banco a maior parte do tempo, assumindo o risco de empregar o montante resultante de várias contas depositas para especular em negócios. A evidência da mesma situação para as trapezas romanas são discrepantes. A prática passa a ser evitada por completo no Egito (Lerouxel <xref alt="2008" ref-type="bibr" rid="B34">2008</xref>), por exemplo, enquanto nas Digestas claramente se apresentam regras para cálculo de juros (XVI, 3, 28-29), medidas anti-fraude (XVI, 3, 8) e determinação de credores privilegiados (XLII, 5, 24). Tais práticas são justificadas no texto jurídico como parte do interesse público, sugerindo uma compreensão, ao menos implícita, de seu papel em ampliar os limites da monetização efetiva.</p>
			<p>As vias de acesso a esses “serviços” de depósito e crédito seriam, entretanto, desiguais. Andreau (<xref alt="1997" ref-type="bibr" rid="B2">1997</xref>) argumenta que a aristocracia romana estivesse muito mais próxima dos grupos fornecedores de empréstimo e crédito, enquanto os artesãos estivessem posicionados mais avizinhados das “contas” de depósito que abastecem estas reservas fracionais. O efeito resultante seria de que, a despeito das tentativas jurídicas de garantia, os riscos das “contas” em depósito fossem substancialmente maiores do que os dos empréstimos.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>As flutuações do período pós-reforma como um espaço monetizado</title>
			<p>Esses fenômenos são materialmente visíveis quando consideramos as demandas militares da Guerra Civil de 306-324 EC, que levam Constantino a desvalorizar o <italic>nummus</italic>, e os preços, cada vez maiores para o ouro e a prata, chegam a interromper a manufatura das séries dependentes desses metais. Mas em 309 as oficinas em Tiveri – alimentadas pelas capturas de metais preciosos de vitórias recentes – voltam a produzir novos <italic>solidus</italic> em finuras razoavelmente próximas às emitidas pelos Augustos da Itália e Oriente, seguindo com o já habitual ciclo de emissões desvalorizadas, seguidas de incrementos fracionários para então rescindir em desvalorizações (Bagnall <xref alt="1985b" ref-type="bibr" rid="B5">1985b</xref>). Em nenhum momento, entretanto, a utilidade da moeda como meio de liquidar as custas militares parece se esvaziar completamente rumo a uma solvência alternativa plenamente conduzida por meios paralelos.</p>
			<p>As obrigações fiscais também permanecem monetizadas, mesmo se futuramente, ao tempo de Valentiniano I e seu sucessor Valente (366-67 EC), uma legislação especial seja necessária para confrontar pagamentos realizados em moeda falsificada ou fora de peso. Tais preocupações, somadas a medidas como os carimbos de puridade para os lingotes de ouro e prata<sup>	<xref ref-type="fn" rid="fn10">10</xref></sup> a serem empregados em cunhagens muito cuidadosamente controladas refletem um esforço considerável em preservar o conceito de moeda romana como meio de troca confiável, resultando em uma maior aceitação para o <italic>solidus</italic> (Hendy <xref alt="1985" ref-type="bibr" rid="B25">1985</xref>).</p>
			<p>Esta busca por maior aceitação está ligada também a novos desenvolvimentos no modo de recrutamento militar: os <italic>foederati</italic> bárbaros exigiam pagamento em moedas de peso fixo e finura demonstrável e, um tanto ironicamente, mantém o interesse romano em uma economia monetizada precisamente por sua fixação particular no extremo oposto, a asserção do valor intrínseco metálico. Assim, proliferam-se também figuras como a exigência do pagamento em <italic>solidus</italic> para o <italic>aurus tirocinium</italic><sup>	<xref ref-type="fn" rid="fn11">11</xref></sup> e a especialização de oficinas de cunhagem em apenas um metal específico, formas de garantir a constante circulação, boa aceitação e controle mais estrito da qualidade de manufatura da moeda, sempre reafirmando sua estabilidade (King <xref alt="1980" ref-type="bibr" rid="B30">1980</xref>).</p>
			<p>Durante a primeira parte do quarto século as séries em prata se escasseiam fortemente, sendo mantidas em entesouramentos bárbaros que não revertiam ao império ou perdidos nas conquistas pelos rivais orientais, resultando em vazios sentidos em distâncias tão grandes quanto o Egito. Já ao redor de 307, os estoques disponíveis de prata são priorizados exclusivamente para produção de <italic>nummi,</italic> cessando quase por completo a confecção de outras séries nesse material. De forma inconstante novas reservas são obtidas – ou antigas minas reconquistas – ocasionando oportunidades para novas cunhagens em prata, inclusive em caráter cerimonial. Entretanto, como regra geral, o consumo massivo desse metal para a manutenção das emissões dos <italic>nummi</italic> resulta em um novo cenário de desvalorização, com o diâmetro da moeda decaindo constantemente, dos 32 milímetros de 305 EC até os 17 milímetros ou menos de 498 EC (Harl <xref alt="1996" ref-type="bibr" rid="B22">1996</xref>: 163).</p>
			<p>O resultado prático destas flutuações é talvez a pior inflação de preços desde 260 EC, repetindo os já usuais entesouramentos populares de lastro de moeda antiga. Respostas no império fracionado diferem, com Constantino e Licínio (314-318 EC) empregando a redução do fluxo de produção, fechando parte da infraestrutura de oficinas, enquanto no oriente a situação aparenta ter progredido selvagemente resultando em uma taxa de conversão do ouro para os <italic>denariis communes</italic> defasada ao menos em quatro vezes, a despeito de tabelações oficiais (Harl <xref alt="1996" ref-type="bibr" rid="B22">1996</xref>: 165).</p>
			<p>Às vésperas da reunificação do império por Constantino (325 EC), o risco de desmonetização da economia romana é o maior até o momento (Harl <xref alt="1996" ref-type="bibr" rid="B22">1996</xref>)<sup>	<xref ref-type="fn" rid="fn12">12</xref></sup>, em uma sucessão de explosões inflacionárias, com preços registrados nas fontes papíricas e talmúdicas (Sperber <xref alt="1978" ref-type="bibr" rid="B46">1978</xref>) que alcançam valores de centenas de milhões de <italic>denarii communes</italic>. No entanto ao invés do abandono da moeda como forma de troca, o próprio registro arqueológico mostra a insistência em tentar salvar essa forma de pagamento por meio de sacos costurados com grandes quantidades de <italic>nummi</italic> dentro e valores em <italic>denarii communes</italic> claramente expressos (os <italic>folles communes</italic>) e rolos de papiro embrulhando pilhas de moeda e inscritos com o valor total, recursos de contagem já existes, mas antes reservados aos grandes negócios abastados se tornavam parte das trocas mais cotidianas (Callu <xref alt="1959" ref-type="bibr" rid="B10">1959</xref>).</p>
			<p>Assim, as tentativas de reforma parecem falhar quase de imediato, tendo sido fundadas ou em emitir moedas múltiplas que facilitem o pagamento – mas que duram efemeramente –, ou em revisar novas taxas de conversão, constantemente obsoletas pela inflação contínua: em 325, um <italic>solidus</italic> deveria equivaler a 240 <italic>nummi</italic>, enquanto em 445, a taxa de conversão sobe para além de 7.000 <italic>nummi</italic>.</p>
			<p>Classicamente, os estudos econômicos e numismáticos apontam o reinado de Flávio Cláudio Juliano, em 360 EC, como uma situação de desmonetização rampante, mas é possível argumentar uma natureza mais mista para a situação. A documentação escrita é ambígua e por um lado pode ser lida como a emergência de um mercado paralelo de permuta, a seção 23.1 do tomo IX do Códice Teodosiano (redigida entre 354 e 356), por exemplo, frisa que “o correto é que as coisas sejam apreçadas em moeda corrente e pública, não em mercadoria”. Por outro lado aquilo que o registro arqueológico percebe é uma enorme difusão de moedas em liga muito pobre como o sistema primário de solução de obrigações, ou seja, uma expansão da cunhagem fiduciária promovida precisamente pela falta de alternativa derivada de um cenário de metais escasseados (Hendy <xref alt="1985" ref-type="bibr" rid="B25">1985</xref>). Nesse sentido mesmo a seção do Códice citada acima pode ser lida de forma mais detalhada, a conduta repudiada não é apenas a permuta, mas o uso de moeda que não fosse corrente, que fugisse ao cunho atual. A imagem final é a de um sistema que corre o risco da desmonetização como um final de processo, mas que se encontra em um momento da transformação em que ainda se esforça para salvar a moeda com a própria moeda.</p>
			<p>É precisamente este intuito de salvar a moeda com a própria moeda que leva Juliano a, em 362, cortar os gastos estatais, reformar os impostos e fechar metade da rede de oficinas de cunhagem, produzindo por meio dessas medidas séries restritas de cunhagem operando quase exclusivamente em sentido fiduciário. Sua proposta é empregar moedas pesadas, mas de finura muito baixa (cerca de 2% de prata, no máximo), emitindo um novo <italic>nummus</italic> que suplanta a deficiência de abastecimento do anterior, mas que não compete com ele. Em suma, aceitando por completo a inflação em um primeiro momento ao invés de tentar elevar de um golpe os padrões monetários apenas para que as novas séries despenquem progressivamente de valor.</p>
			<p>Nesse momento, uma experiência interessante se dá também com a proposta de séries em liga de bronze, a <italic>dichoneutum</italic>. Como mencionamos antes, é argumentável que o bronze tenha um atrativo de valor intrínseco superior ao das ligas pobres, mas, como veremos também com Valério, a expansão de fiducialidade que ocorre aqui é a de que o bronze, o metal utilizado para arredondar os cantos do sistema monetário romano, seja cada vez mais visto como com um valor central em si, capaz de sustentar o próprio sistema.</p>
			<p>Em princípio, todo o experimento parece falhar. Em 367 Valério cessa a produção dessas moedas, represa as existes e as recunha, assim como as moedas de finura de prata baixíssima. As recunhagens, entretanto, acontecem então, na maior parte, em composição majoritária de bronze, de certa forma “escamoteando” um novo metal de confiança mais acessível do que a prata como lastro de valor<sup>	<xref ref-type="fn" rid="fn13">13</xref></sup>. Essa mudança tem como objetivo permitir a proposição de novas taxas de câmbio para os múltiplos monetários, em efeito aproximando o plano da realidade do sistema de cunhagem ao da moeda notacional. Consequentemente, os preços finalmente poderiam baixar, ou assim se pretende em lei, como expresso no Códice Justiniano 11.11.2 (Hendy <xref alt="1985" ref-type="bibr" rid="B25">1985</xref>).</p>
			<p>Carecemos de evidências concretas sobre o sucesso dessa empreitada, mas é importante ressaltar que uma prática muito semelhante se desenvolverá dentro dos sistemas bancários medievais ingleses e, mais tarde, será difundida pela Europa da renascença, “chorar o dinheiro” (“crying up the coinage”)<sup>	<xref ref-type="fn" rid="fn14">14</xref></sup>. De forma diversa da experiência romana, a nova modalidade não alterará o metal de lastro, mas trabalhará exclusivamente com a taxa de conversão – ao “chorar” a moeda metálica real lastreia por édito a moeda de notação a um metal mais fraco, por consequência, desvaloriza a unidade de contagem a uma paridade maior frente a crise. Que os romanos se aproximem de forma oblíqua a este desenvolvimento futuro é notável, e demonstra uma percepção crescente da natureza do papel da moeda em uma economia monetizada, rumando em seus inícios mais remotos a uma bancária.</p>
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		<sec sec-type="conclusions">
			<title>Conclusão</title>
			<p>No século III EC a disparidade econômica se faria sentir de forma incisiva. A estabilidade derivada de redes de contatos aristocráticos, fluxos de finanças embasados no trabalho artesanal e a malha de cambistas necessária para movimentar essas somas na forma de moeda de crédito, depende de uma situação de pacificação política, social, militar e econômica, mas todos esses frontes se desorganizam em turbulência e crise, resultando em uma recessão marcada do papel da “moeda não metálica” e na necessidade de se reforçar a emissão do dinheiro físico e do uso de comódites para suplantar o vazio, pois a moeda de crédito teria se tornado arriscada demais, fazendo a preferência pública pender rumo a moedas físicas (Verboven <xref alt="2007" ref-type="bibr" rid="B49">2007</xref>).</p>
			<p>O cenário ao tempo da reforma de Diocleciano poderia ser descrito, então, não como o de uma crescente desmonetização da economia romana, mas sim o da retração do modo monetário de crédito. O influxo de moedas de baixa qualidade consegue – apesar de sua espiral inflacionária – resgatar a ideia de monetização em si e manter ativa uma economia plenamente monetizada. Não se verifica o retorno de formas pré-monetárias de transação em volume significativo, como a permuta, o dom e a redistribuição. O espaço das comódites, em especial dos lingotes de ouro, é preservado e até expandido, sendo talvez a única forma de moeda não cunhada estável, mas apenas por sua equiparação direta da fungibilidade do dinheiro. Essas formas de moeda física resgatam o sistema monetizado de uma crescente insuficiência de câmbio em circulação, mas o fazem por meio de uma disparidade fundamental de valor: o componente fiduciário antes presente nas relações de crédito se transporta para a moeda em si de um modo que ainda não é plenamente suportável pelo sistema romano, resultando em inflacionamento constante. A crise metálica, elemento de questões trazidas pelo século III, não aniquila a monetização, mas sua “resolução” orgânica – no simples sentido de caminho historicamente trilhado – compõe uma espiral mais lenta de crises que ao mesmo momento dilatará o tempo até o final desse sistema e semeará precisamente as bases dos próximos ordenamentos econômicos que sucederão a Roma.</p>
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					<source>Crises and the Roman Empire: Proceedings of the Seventh Workshop of the International Network Impact of Empire</source>
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					<article-title>The Natural Economy Revisited</article-title>
					<source>Economic Development and Cultural Change</source>
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					<article-title>The Value of Money: Coinage and Dioclecian’s Price Edict</article-title>
					<source>Journal of the Numismatic Association of Australia</source>
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					<source>Economic rationalism and rural society in 3d century A.D. Egypt</source>
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					<article-title>Monetization, not price-inflation in third-century A.D. Egypt</article-title>
					<source>Coin finds and coin use in the Roman world: The Thirteenth Oxford Symposium of Coinage and Monetary History, 25-27 March 1993</source>
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					<article-title>A historiografia do Império Romano tardio: do Estado máximo ao Estado mínimo, e de volta outra vez</article-title>
					<source>Revista de História</source>
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					<source>Die römischen Schreibtafeln von Vindonissa: Lateinische Texte des militärischen Alltags und ihre geschichtliche Bedeutung</source>
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					<article-title>Roman Palestine 200-400. The Land: Crisis and Change in Agrarian Society as Reflected in Rabbinic Sources</article-title>
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					<source>The Impact of the Roman Army (200 BC – AD 476): Economic, social, political, religious and cultural aspects</source>
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					<article-title>Currency, bullion and accounts: Monetary modes in the Roman world</article-title>
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					<fpage>91</fpage>
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					<article-title>Münzen Kilikiens als Zeugnis kaiserlicher Getreidespend</article-title>
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			<fn fn-type="other" id="fn1">
				<label>1</label>
				<p>Finley (<xref alt="1973" ref-type="bibr" rid="B19">1973</xref>), por exemplo, refuta a ideia com um argumento primitivista direto: “A moeda se trata apenas de metal cunhado, e nada mais”.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn2">
				<label>2</label>
				<p>Um termo pleno de controvérsia, mas que tomaremos aqui apenas em sua interpretação mais simples: uma sociedade “desmonetizada”, com a permuta em posição central e com meios de produção conduzidos com a habitação e a família como unidades centrais. Para uma discussão mais pormenorizada, vide Perrings (<xref alt="1985" ref-type="bibr" rid="B40">1985</xref>).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn3">
				<label>3</label>
				<p>Ou seja, que o valor do bronze de fato é perceptível como intrínseco, mas sempre subordinado ao valor principal do sistema monetário, em prata, cuja aceitação seria mais imediata e pervasiva em contextos de baixa confiabilidade.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn4">
				<label>4</label>
				<p>Jongman (<xref alt="2000" ref-type="bibr" rid="B29">2000</xref>) calcula um “produto interno bruto” para o império no mesmo período, guardando nos limites do termo, ao redor de 18 milhões de sestércios. Se a estimativa do autor está correta, um certo descompasso entre produção e emissão já estaria presente desde o início do sistema de Augusto.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn5">
				<label>5</label>
				<p>A Lei de Gresham é muitas vezes invocada de forma pouco precisa quando se pretende direcionar sua aplicação ao mundo antigo – de fato, embora seja comum formular o enunciado desse princípio como “dinheiro ruim afasta dinheiro bom” sua formulação ocorre originalmente de forma inversa: “dinheiro bom toma espaço de dinheiro ruim”. O fenômeno econômico que queremos aludir aqui é aquele expresso pela discussão da Lei de Gresham em seu verbete no Palgraves Dictionary of Political Economy (1926, vol 2: 262): “em casos onde o total combinado [de dinheiro bom e ruim] em circulação não seja suficiente para suportar a demanda por moeda, o meio mais valioso simplesmente circulará em ágio”</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn6">
				<label>6</label>
				<p>O personagem final da instável sequência do Ano dos Seis Imperadores.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn7">
				<label>7</label>
				<p>Por moeda notacional nos referimos a um índice calculado e por vezes reajustado do valor objetivo de compra de uma moeda por ele “resguardada”. Os <italic>denarii communes</italic> advém do Édito de Preços Máximos de Diocleciano emitido em 301 EC, que mesmo após a total abolição do denário durante as reformas monetárias do imperador da época ainda o utiliza como métrica para ancorar o valor do novo sistema baseado no <italic>argenteus</italic>. Não há evidência de reajustes posteriores e, já por volta de 305 EC a taxa de conversão muito provavelmente se encontrava vastamente obsoleta e sobrecarregada, fazendo o édito ruir sobre o próprio propósito.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn8">
				<label>8</label>
				<p>Já excluindo desta definição por oposição, por exemplo, o dom sagrado.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn9">
				<label>9</label>
				<p>Efetivamente lançando as bases para a conceituação do Direito Civil.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn10">
				<label>10</label>
				<p>Respectivamente os dizeres <italic>obryziatum</italic> e <italic>pustulatum</italic></p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn11">
				<label>11</label>
				<p>O imposto que os cidadãos providos de terras podem optar por pagar ao invés de se alistarem</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn12">
				<label>12</label>
				<p>“(…)Tenha pressa em se desfazer de toda cunhagem itálica que tiver e compre com elas para mim todo o tipo de bem, a qualquer preço que encontre”, ordena o administrador egípcio Ápion em uma das cartas do arquivo de Teófanes</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn13">
				<label>13</label>
				<p>As políticas de emissão de Constantino ( Banaji, <xref alt="2007" ref-type="bibr" rid="B7">2007</xref>) irão futuramente empregar o ouro para dentro do espaço das cunhagens de bronze como o canal de trocas corriqueiras: para este autor, mencionando a já bastante antiga teoria metálica de David Buchanan, o “escamoteamento” da prata parece não só não ter tido sucesso, como a própria adução de uma padronização de ouro criaria um excesso de circulação desvalorada de prata, caindo em valor e marginalizaria o bronze a ser aceito apenas em seu valor intrínseco.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn14">
				<label>14</label>
				<p>Vale notar que nesse sistema o dinheiro também pode ser &quot;cryed down&quot; (&quot;chorado abaixo&quot;), ou seja, se realizar a operação de modo inverso: enfraquecer a própria moeda real e fortalecer a moeda fictícia. Com ambas as operações o sistema renascentista pode começar os fundamentos por exemplo, da manipulação sistêmica dos ganhos de importações e exportações de forma antes basicamente incontrolável - poder jogar com estes valores torna também as trocas de grande distância muito mais viáveis e lucrativas. Para uma apresentação mais pormenorizada desta terminologia, vide Lane e Mueller, &quot;Money and Banking in Medieval and Renaissance Venice: Volume I: Coins and Moneys of Account&quot; (2020).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other">
				<p>VANIN, M. Crise, Desvalorização e Reforma na Moeda Romana do Terceiro Século: Uma Breve Consideração. <italic>R. Museu Arq. Etn</italic>. 43: 95-113, 2024.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other">
				<p>VANIN, M. The Roman Coinage in the Third Century: A Brief Consideradion on its Crisis, Debasement and Reform <italic>R. Museu Arq. Etn</italic>. 43: 95-113, 2024.</p>
			</fn>
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