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				<journal-title>Revista do Museu de Arqueologia e Etnologia</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Rev. Mus. Arqueol. Etnol.</abbrev-journal-title>
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			<issn pub-type="ppub">0103-9709</issn>
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				<publisher-name>Universidade de São Paulo Museu de Arqueologia e Etnologia</publisher-name>
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					<subject>Articles</subject>
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				<article-title>Os Asnos no período paleoassírio: animais indispensáveis à vida do mercador e ao funcionamento do comércio (Mesopotâmia, Idade do Bronze Médio)<xref ref-type="fn" rid="fn1"><sup>1</sup></xref>
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						<surname>Fattori</surname>
						<given-names>Anita</given-names>
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						<p>Doutoranda em regime de duplo diploma.</p>
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				<institution content-type="original"> Universidade de São Paulo</institution>
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				<institution content-type="original"> Université Paris 1 - Panthéon Sorbonne</institution>
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				<corresp id="c1"> E-mail: <email>anitafattori@usp.br</email>
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					<p>Bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo-FAPESP (Processo n.o 2019/12945-6; BEPE Processo n.o 20/07395-4).</p>
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			<pub-date date-type="pub" publication-format="electronic">
				<day>25</day>
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				<year>2025</year>
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			<pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
				<year>2025</year>
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			<issue>42</issue>
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				<copyright-statement>Esta licença permite que outros distribuam, remixem, adaptem e criem a partir do seu trabalho, mesmo para fins comerciais, desde que lhe atribuam o devido crédito pela criação original. É a licença mais flexível de todas as licenças disponíveis. É recomendada para maximizar a disseminação e uso dos materiais licenciados.</copyright-statement>
				<copyright-year>2025</copyright-year>
				<copyright-holder>Revista do Museu de Arqueologia e Etnologia</copyright-holder>
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					<license-p> Este é um artigo de acesso aberto distribuído sob os termos da <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0">Licença Creative Commons CC BY NC SA</ext-link>
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			<abstract>
				<title>Resumo:</title>
				<p>No início do II milênio AEC, o chamado período paleoassírio, a cidade de Aššur, no norte da Mesopotâmia, destacou-se como uma potência dentro de uma extensa rede de comércio de longa distância. Centenas de mercadores assírios e membros de suas famílias aventuraram-se nas longínquas terras anatólias, sendo Kaneš o principal destino para comercializar estanho, tecido e, algumas vezes, cobre e lã, em troca de metais preciosos como ouro e prata. O sucesso dessa empreitada em muito se deve ao uso dos asnos como animais de carga que, organizados em caravanas, partiam da Mesopotâmia algumas vezes ao ano com destino a Anatólia central, onde posteriormente também se tornariam mercadorias. O objetivo deste artigo é apresentar, por um lado, a importância fundamental dos asnos na organização do comércio de longa distância e, por outro, todo o trabalho envolvido em torno da seleção e cuidado desse animal. Para isso, será realizada uma revisão bibliográfica a partir do debate com a literatura existente em cotejo com a documentação encontrada no arquivo de um mercador assírio de nome Elamma. O trabalho com a documentação cuneiforme desse arquivo nos serve como estudo de caso e permitirá dimensionar a extensão da presença desses animais na vida de um mercador.</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title/>
				<sec>
					<title>Abstract:</title>
					<p> </p>
					<p>At the beginning of the second millennium BCE, in the Old Assyrian period, the municipality of Aššur (in northern Mesopotamia) emerged as a prominent center in an extensive long-distance trade network. Hundreds of members of Assyrian merchant families ventured into the remote Anatolian lands, specially Kaneš, to trade tin and textiles and sometimes copper and wool in exchange for gold and silver. The success of this endeavor largely owns to the use of donkeys as pack-animals. Donkeys were organized in caravans, leaving Mesopotamia a couple of times a year to reach central Anatolia, in which they were also traded. This study aims to describe the fundamental importance of donkeys in the organization of long-distance trade as well as all the effort required to properly select and care for this animal along its life cycle. For this purpose, we intend to carry out a bibliographical review based on a discussion of available literature in dialogue with the Old Assyrian textual sources. The archive of an Assyrian merchant named Elamma provides us a case study that will enable us to examine in detail the presence of these animals in the life of merchants.</p>
				</sec>
			</trans-abstract>
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				<title>Palavras-chave:</title>
				<kwd>Período Paleoassírio</kwd>
				<kwd>Asnos</kwd>
				<kwd>Comércio Inter-regional</kwd>
				<kwd>Aššur</kwd>
				<kwd>Kaneš</kwd>
			</kwd-group>
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				<title>Keywords:</title>
				<kwd>Old Assyrian Period</kwd>
				<kwd>Donkeys</kwd>
				<kwd>Long Distance Trade, Aššur</kwd>
				<kwd>Kaneš</kwd>
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					<funding-source>FAPESP</funding-source>
					<award-id>2019/12945-6</award-id>
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					<funding-source>BEPE</funding-source>
					<award-id>20/07395-4</award-id>
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				<funding-statement>FAPESP (Processo n.o 2019/12945-6; BEPE Processo n.o 20/07395-4</funding-statement>
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	<body>
		<disp-quote>
			<p><italic>Mais il était déjà trop tard quand la nouvelle parvint à la femme de mon oncle. Elle se précipita vers le sceau pour sauver de son cher orge ce qui pouvait encore l’être, mais elle le trouva parfaitement nettoyé, brillant dans la lumière du crépuscule, l’âne le reniflant encore à la recherche d’un grain oublié. Elle alla prendre un bâton dans l’écurie, revient vers l’animal vorace et, de désespoir, se mit à le rouer de coups. Coup de rage contre l’âne qui avait liquidé la réserve d’orge de la famille, de colère contre elle-même qui s’était si généreusement empressée de le payer d’un travail qu’il n’avait pas encore accompli, […] et le destin qui n’avait point de pitié, pour la misère, la coupe trop pleine, et surtout pour elle-même qui voulait cesser de frapper mais ne le pouvait pas.</italic> 
 <italic>Arabesques, Antoine</italic><xref ref-type="bibr" rid="B48"><italic>Shammas</italic></xref>
			</p>
		</disp-quote>
		<disp-quote>
			<p><italic>Animals can be treated simply as storage-eateries for summer slaughter, or intensively managed for breeding and sale as cash crop, depending on the economic climate; and when they need to be realized as capital, they can be moved with their own energy sent for sale on the hoof.</italic>
 <italic>The Corrupting Sea, Horden &amp; Purcell</italic></p>
		</disp-quote>
		<sec sec-type="intro">
			<title>Introdução</title>
			<p>O cenário retratado acima por <xref ref-type="bibr" rid="B48">Shammas</xref>, em seu livro <italic>Arabesques</italic>, ilustra a complexa relação entre uma família e seu asno em um momento de escassez extrema. O animal, assim como seus donos, tem fome. A necessidade da fuga da família do vilarejo que habitavam fez com que o asno fosse o primeiro a receber alimentação, pois ele seria o responsável por conduzir os refugiados e carregar seus bens. Pouco depois de se alimentar com o restante precioso de grãos que a família possuía, a notícia de uma trégua faz com que sua dona corra até o pátio para tentar recuperar o alimento. O fato de o animal não precisar realizar o trabalho de transporte desperta a ira de sua dona. Apesar dos tempos áridos, a família não o sacrifica. O asno aqui se comporta como um símbolo vivente de estocagem, sendo por si só um indicativo de valor, energia e alimentação.</p>
			<p>Andew <xref ref-type="bibr" rid="B49">Sherrat (1981</xref>), em seu artigo sobre a revolução dos produtos secundários, discutiu amplamente a questão dos animais como símbolos viventes de estocagem. O autor explica (1981: 285) que, apesar da domesticação dos animais remontar ao Neolítico, com o aumento da urbanização durante a Idade do Cobre, podemos observar o início da intensa exploração dos produtos secundários, ou seja, o que se pode extrair de um animal ao longo de sua vida. O surgimento de novos modelos de exploração socioeconômica derivou em modificações que impactaram a maneira de transportar os produtos e permitiram a domesticação de equídeos e sua utilização como animais de carga. Eles substituíram outros animais e deram abertura a diferentes maneiras de pensar o transporte e o deslocamento de coisas e pessoas por distâncias mais longas. Animais como asnos surgem na condição de estoques de força e de valor ou, nos termos de <xref ref-type="bibr" rid="B27">Horden &amp; Purcell</xref> (2000: 199) para o Mediterrâneo pré-moderno, <italic>a crash crop</italic> que pode mover-se por si só. Eles podem transportar coisas e pessoas, serem usados como força de tração, servir de alimento e serem utilizados como matéria-prima.</p>
			<p>No início do II milênio AEC, durante o chamado período paleoassírio, no norte da Mesopotâmia, o emprego dos asnos como animais de carga vai ser fundamental para o sucesso do comércio assírio, que vivia seu período áureo. Milhares de asnos partiam de Aššur e atravessavam anualmente a Mesopotâmia carregados de estanho e tecidos que seriam comercializados nas longínquas terras da Anatólia central<xref ref-type="fn" rid="fn2"><sup>2</sup></xref>. Parte do valor recebido por essas mercadorias era reenviado para Aššur, quando pequenos comboios com alguns desses animais voltavam para a cidade. O restante das centenas de asnos que chegavam na Anatólia a cada viagem de caravana era comercializado ali mesmo, sendo também uma importante mercadoria assíria.</p>
			<p>Transportando junto as mercadorias uma quantidade considerável de tabletes de argila escritos em acadiano cuneiforme - como cartas e contratos -, os asnos também desempenharam um papel essencial na circulação de informações entre os membros das famílias que permaneciam em Aššur, aqueles que se estabeleceram em Kaneš, ou mesmo os que estavam em constante deslocamento dentro dessa rota. Não é surpreendente que a maior fonte para a história do período paleoassírio e para a compreensão do papel dos asnos como elementos integrante dessa rede de comércio de longa distância são os mais de 22.500 mil tabletes cuneiformes encontrados nas casas desses mercadores em Kaneš.</p>
			<p>A análise das fontes disponíveis levou assiriólogos como Klaas <xref ref-type="bibr" rid="B54">Veenhof (1972</xref>), Cécile <xref ref-type="bibr" rid="B36">Michel (2003</xref>) e Jan Guerrit <xref ref-type="bibr" rid="B21">Dercksen (2004a</xref>) a apresentarem sínteses sobre os asnos nesse contexto. Veenhof (1972: 1-76) examinou o vocabulário disponível na época sobre os asnos, as cargas e os equipamentos utilizados nas caravanas. Michel (2003) procurou compreender, por meio da análise de fontes iconográficas, arqueológicas e textuais, o lugar dos híbridos - especificamente as mulas - entre os asnos e cavalos. Já Dercksen (2004a: 255-285) dedicou-se a uma minuciosa discussão sobre o lugar dos asnos nas fontes textuais do período. Este artigo tem como objetivo revisitar essa literatura a fim de compreender o lugar dos asnos no cotidiano das famílias mercadoras assírias e sua importância na organização do comércio de longa distância. Para isso, iniciamos a discussão apresentando as fontes disponíveis para esse estudo. Propomos, em seguida, uma análise direcionada das fontes textuais a partir do arquivo da família de um mercador, o arquivo da família de Elamma. O cotejo entre o trabalho de revisão bibliográfica e a discussão deste estudo de caso permitirá compreender quais as esferas de organização do comércio assírio envolviam a seleção e o cuidado com os asnos, bem como os esforços mobilizados por um mercador para o sucesso de sua empreitada.</p>
			<sec>
				<title>A domesticação dos asnos</title>
				<p>Os asnos pertencem a família dos equídeos e recebem o nome científico de <italic>equus asinus</italic><xref ref-type="fn" rid="fn3"><sup>3</sup></xref>. Em termos morfológicos eles se aproximam dos cavalos, mas são menores, dotados de um corpo mais compacto, com orelhas grandes e a pelagem longa e mais espessa sob o dorso. Assim como é o caso de outros equídeos, a domesticação desses animais teve um grande impacto na mobilidade de pessoas e coisas. O processo de domesticação dos asnos, entretanto, foi pouco estudado em comparação à atenção dada aos cavalos, seja pela falta de prestígio em contextos modernos de mobilidade, seja pela dificuldade de acesso as evidências, principalmente arqueológicas (<xref ref-type="bibr" rid="B58">Wang et al. 2020</xref>: 2; <xref ref-type="bibr" rid="B53">Todd et al. 2022</xref>: 1).</p>
				<p>Desses estudos, duas hipóteses sobre a origem da domesticação dos asnos tomaram forma. A primeira delas argumenta por dois centros distintos de domesticação, um na Ásia e outro na África<xref ref-type="fn" rid="fn4"><sup>4</sup></xref>. A segunda hipótese defende que a domesticação teria acontecido entre 5500-4500 AEC na África, em contextos de pastoralismo, devido as dificuldades climáticas postas pelo Saara (<xref ref-type="bibr" rid="B41">Mitchell 2018</xref>: 39)</p>
				<p>Pesquisas realizadas nos últimos anos corroboram com a hipótese de um único centro de domesticação, com destaque para a publicação do artigo <italic>The genomic history and global expansion of domestic donkey</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B53">Todd et al. 2022</xref>)<xref ref-type="fn" rid="fn5"><sup>5</sup></xref>. Nesse trabalho, pesquisadores de 38 laboratórios realizaram a análise de material genético de 207 amostras de asnos modernos e de 31 amostras de asnos antigos, sendo a maior escala de contextos de análise já coberta sobre o assunto. A análise desse painel genômico levou os autores a afirmar que os asnos foram domesticados na África, aproximadamente em 5200 AEC, sendo a região do Chifre da África e do Quênia os lugares mais prováveis.</p>
				<p>A partir desse único centro, os asnos se espalharam para outras regiões. A domesticação dos asnos teve um impacto profundo na Mesopotâmia, sendo considerados os animais mesopotâmicos por excelência<italic>.</italic> O material zooarqueológico disponível sugere sua domesticação em Uruk na segunda metade do IV milênio AEC, sendo largamente atestados nas fontes textuais a partir do final do IV milênio até o fim da cultura cuneiforme (<xref ref-type="bibr" rid="B26">Goulder 2021</xref>: 249; <xref ref-type="bibr" rid="B30">Lafonte 2000</xref>: 208)<xref ref-type="fn" rid="fn6"><sup>6</sup></xref>.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>As viagens de caravana entre Aššur e Kaneš: a vantagem dos asnos</title>
				<p>O comércio de longa distância que se desenvolveu entre Mesopotâmia e Anatólia no início do II milênio pode ser caracterizado como um comércio de larga escala. Mercadores assírios conectavam diferentes geografias por meio da importação de tecidos e estanho, e sua posterior exportação para a Anatólia. Os tecidos fabricados pelas mulheres assírias não davam conta de suprir as demandas do mercado da Anatólia. Era necessária a importação de grandes quantidades de peças do Sul da Mesopotâmia (Babilônia), os chamados tecidos acadiano-<italic>kušītam ša akkidiē.</italic> No caso do estanho, sua entrada na Mesopotâmia parece ter ocorrido através da cidade de Susa, no Irã, “<italic>along with tin, small quantities of luxury goods arrived, such as iron, lapis lazuli from Afghanistan, and carnelian from Pakistan</italic>” (<xref ref-type="bibr" rid="B23">Dercksen 2022</xref>: 80). O deslocamento de toneladas dessas mercadorias implicava uma logística imensurável.</p>
				<p>O transporte das mercadorias durante o período paleoassírio era organizado em caravanas de asnos, comumente designadas nos textos pelo termo acadiano <italic>ellatum</italic>. As caravanas percorriam cerca de mil quilômetros partindo de Aššur, atual Qal’at Sherqat, dentro das fronteiras do Iraque moderno, até Anatólia. O destino principal das caravanas assírias era Kaneš, hoje correspondente ao sítio arqueológico de Kültepe, na Turquia (<xref ref-type="fig" rid="f1">Fig. 1</xref>). De acordo como <xref ref-type="bibr" rid="B14">Altaweel e Squitieri (2018</xref>: 174), era alcançado um trajeto de 25 quilômetros por dia, em média três quilômetros por hora. Essa rota levava cerca de 42 dias para ser realizada e era transpassada por uma paisagem compostas por “[…] <italic>rocky mountains, intermountain valleys, deserts and plains</italic>” (<xref ref-type="bibr" rid="B46">Palmisano 2018</xref>: 32). Além da condição geográfica, fatores climáticos e a situação política da Anatólia definiam a organização das caravanas<xref ref-type="fn" rid="fn7"><sup>7</sup></xref>.</p>
				<p>
					<fig id="f1">
						<label>Fig. 1</label>
						<caption>
							<p><bold>Localização geográfica atual de Aššur e Kaneš.</bold></p>
						</caption>
						<graphic xlink:href="2448-1750-rmae-42-50-gf1.jpg"> </graphic>
						<attrib>Fonte: SimpleMappr. Elaborado pela autora, 2023.</attrib>
					</fig>
				</p>
				<p>As caravanas podiam partir de Aššur diversas vezes ao ano. A caravana de maior tamanho era organizada na primavera-<italic>daš’ū</italic>, que acontecia entre os meses de abril e junho (<xref ref-type="bibr" rid="B23">Dercksen 2022</xref>: 90; <xref ref-type="bibr" rid="B57">Veenhof &amp; Eidem 2008</xref>: 240). Apesar de não termos uma estimativa exata da frequência do trânsito das caravanas, muitos autores buscaram compreender o volume do comércio paleoassírio. Por muito tempo, a maior referência dos assiriólogos para estimar o tamanho e volume do comércio paleoassírio foi uma carta dos arquivos de Mari que descreve uma caravana assíria com “300 assírio e 300 asnos” (<xref ref-type="bibr" rid="B1">ARM 26/2</xref>432)<xref ref-type="fn" rid="fn8"><sup>8</sup></xref>. A partir do estudo de documentos extensos que descrevem e apontam o valor declarado de uma caravana, os chamados <italic>awītum</italic>, Dercksen (2022: 89-90) atualiza o debate e conclui que o tamanho de uma caravana variava consideravelmente, podendo chegar a algumas centenas de animais<xref ref-type="fn" rid="fn9"><sup>9</sup></xref>. No documento <xref ref-type="bibr" rid="B13">VS 26</xref>, 154, por exemplo, temos uma caravana sob a responsabilidade do mercador Aššur-nada, que foi organizada com 108 asnos. Em comparação, em <xref ref-type="bibr" rid="B13">VS 26</xref>, 155, sob a responsabilidade de Imdī-ilum, encontramos uma carga compatível a 348 animais. A comparação desses e de outros documentos permitiu ao autor apontar um trânsito anual de mil cargas de animais no auge do comércio paleoassírio entre Mesopotâmia e Anatólia (Dercksen 2022: 91). Embora tenhamos noção de uma quantidade enorme de asnos circulando nessa rede, não temos muitas pistas sobre a proveniência ou criação desses animais. Pouco sabemos também sobre seu destino na Anatólia. Uma hipótese seria que os asnos eram criados e treinados em instituições chamadas de <italic>gigamlum</italic>, que localizavam-se próximas a Aššur e Kaneš, onde eles também poderiam ser comprados (Dercksen 2004a: 259).</p>
				<p>Os asnos apresentam muitas vantagens como animais de carga. Eles são dóceis e têm uma excelente capacidade de aprendizagem, o que permite serem treinado sem grandes esforços. Além disso, são robustos, resistentes e adaptáveis. Isso significa que eles conseguem transportar grandes cargas por longas distâncias, podem movimentar-se à noite e são animais com bom desempenho em condições geográficas desfavoráveis. Durante longos percursos não exigem manutenção constante, sobrevivendo por períodos mais extensos de seca e calor em comparação com outros equídeos. Por serem menos suscetíveis a doenças que bois e cavalos, sua alimentação não necessita ser de alta qualidade. (<xref ref-type="bibr" rid="B25">Goulder 2020</xref>: 37-41; <xref ref-type="bibr" rid="B59">Yilmaz 2012</xref>: 32-37; 58-72). Como animais de carga, a descrição textual das mercadorias carregadas pelas caravanas que atravessavam a Mesopotâmia até a Anatólia no início do II milênio AEC, nos permite afirmar que um asno poderia carregar até cerca de 75 quilos (<xref ref-type="bibr" rid="B21">Dercksen 2004a</xref>:260; 278; <xref ref-type="bibr" rid="B37">Michel 2008</xref>:376; <xref ref-type="bibr" rid="B54">Veenhof 1972</xref>:25-26)<xref ref-type="fn" rid="fn10"><sup>10</sup></xref>.</p>
				<p>Atualmente, um asno começa a ser usado como animal de carga entre seus 2 anos e meio e 3 anos e tem expectativa de vida de 30 anos. No contexto mesopotâmico, fontes do III milênio AEC informam que asnos começavam a servir como força de tração desde os dois anos de idade. (<xref ref-type="bibr" rid="B25">Goulder 2020</xref>:43). Mesmo que não tenhamos nenhuma informação sobre a idade dos asnos usados nas caravanas assírias, sua expectativa de vida certamente era inferior à dos dias atuais uma vez que, como veremos, não são raros os casos de animais que morrem em rota.</p>
				<p>As fontes para o período paleoassírio: fontes arqueológicas, iconográficas e textuais</p>
				<p>Atualmente, não dispomos de dados arqueozoológicos abundantes sobre os asnos no sítio arqueológico de Kültepe. Esse quadro se repete em todo o contexto arqueológico mesopotâmico, uma vez que os esqueletos deles são muito difíceis de serem identificados. Como aponta <xref ref-type="bibr" rid="B25">Goulder (2020</xref>: 32-33), uma razão para essa escassez de dados está no fato de que esqueletos de asnos podem ser facilmente confundidos com o de outros animais híbridos, como onagros e mulas. Ademais, a autora aponta que a maior parte dos ossos de animais tem origem em contexto de consumo alimentar e, ao que tudo indica, os asnos eram pouco consumidos como alimentação no cotidiano dessa população.</p>
				<p>O desprovimento de vestígios arqueológicos nos leva a ausência de conclusões mais precisas sobre os asnos que eram usados no contexto do comércio inter-regional entre Mesopotâmia e Anatólia. O único indício de algum aspecto físico desses animais está no emprego do adjetivo acadiano <italic>ṣallāmum</italic>, que se refere a cor: os asnos pretos. De acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B52">Thavapalan (2020</xref>: 154-162), o adjetivo <italic>ṣallāmum</italic> origina-se da raiz acadiana <italic>ṣlm</italic>, que significa se tornar escuro, escurecer<xref ref-type="fn" rid="fn11"><sup>11</sup></xref>. Esses parecem ter sido os animais preferidos pelos comerciantes assírios e talvez os mais comuns (<xref ref-type="bibr" rid="B21">Dercksen 2004a</xref>: 258). Os textos indicam que se tratava do melhor tipo de animal disponível para o transporte de mercadoria: mais fortes e resistentes, teriam melhores chances de sobrevivência durante o longo percurso.</p>
				<p>Apesar da abundância de representações de equídeos em objetos de cultura material encontrados em Kültepe, assim como nas fontes arqueozoológicas a identificação de um asno ou de um híbrido no registro iconográfico não é uma tarefa simples. As representações iconográficas de equídeos podem ser encontradas em objetos do cotidiano como figuras (<xref ref-type="fig" rid="f2">Fig. 2</xref>), vasos cerâmicos, moldes para produção de figuras e, sobretudo, nos desenhos cravados nos selos cilíndricos e suas impressões glípticas (<bold>Fig. 3</bold>).</p>
				<p>
					<fig id="f2">
						<label>Fig. 2</label>
						<caption>
							<p><bold>Figura de um equídeo.</bold></p>
						</caption>
						<graphic xlink:href="2448-1750-rmae-42-50-gf2.jpg"/>
						<attrib>Fonte: <xref ref-type="bibr" rid="B29">Kulakoğlu; Kangal, 2010</xref>: 270, figura 233. <xref ref-type="bibr" rid="B7">Kt m/k</xref> 228, 7,1cm X 4,4cm, ca. 1925-1840, cerâmica, Museu das Civilizações Anatólicas de Ancara, Turquia.</attrib>
					</fig>
				</p>
				<p>
					<fig id="f3">
						<label>Fig. 3</label>
						<caption>
							<p><bold>Selo cilíndrico em hematita e sua impressão em argila com a representação de quatro cavalos.</bold></p>
						</caption>
						<graphic xlink:href="2448-1750-rmae-42-50-gf3.jpg"> </graphic>
						<attrib>Fonte: © The Trustees Of The British Museum. Selo cilíndrico do período paleoassírio e sua impressão. Museu Britânico em Londres, Inglaterra, número de registro BM 89774.</attrib>
					</fig>
				</p>
				<p>Os selos cilíndricos eram objetos importantes no cotidiano dos mercadores assírios e anatólios. Esses pequenos cilindros feitos de argila, rochas e minerais rochosos tinham em média 1 a 2 centímetros de comprimento. Ao serem rolados na argila fresca, como mostra a <xref ref-type="fig" rid="f3">Fig. 3</xref>, eles transferiam a impressão de uma imagem. O objetivo principal dessa ação era selar e conferir autenticidade aos envelopes, sobretudo, de cartas e contratos. Grosso modo, classificamos os selos paleoassírios em duas categorias distintas de acordo com tipologia da decoração: os selos de estilo anatólico e os selos de estilo mesopotâmico. Apesar do nome remeter a região de origem do estilo escolhido, o nome em nada designa a origem do portador do selo.</p>
				<p>Entre as representações iconográficas conhecidas de equídeos, <xref ref-type="bibr" rid="B36">Michel (2003</xref>: 193-195) aponta que poucas foram interpretadas como sendo de asnos: as impressões de selos cilíndricos encontradas nos envelopes <xref ref-type="bibr" rid="B5">Kt c/k</xref>1385<xref ref-type="fn" rid="fn12"><sup>12</sup></xref> (<xref ref-type="fig" rid="f4">Fig. 4</xref>) e <xref ref-type="bibr" rid="B8">KKS</xref> 26b selo 83 (<xref ref-type="fig" rid="f5">Fig. 5</xref>), e o molde para figuras <xref ref-type="bibr" rid="B6">Kt k/k</xref> 63 (<xref ref-type="fig" rid="f6">Fig. 6</xref>).</p>
				<p>
					<fig id="f4">
						<label>Fig. 4</label>
						<caption>
							<p><bold>Impressão de selo cilíndrico no envelope <xref ref-type="bibr" rid="B5">Kt c/k</xref> 1385.</bold></p>
						</caption>
						<graphic xlink:href="2448-1750-rmae-42-50-gf4.jpg"/>
						<attrib>Fonte: <xref ref-type="bibr" rid="B45">Özgüç, N., 1965</xref>, prancha I, imagem 1. Destaque nosso.</attrib>
					</fig>
				</p>
				<p>Comecemos pelo envelope <xref ref-type="bibr" rid="B5">Kt c/k</xref> 1385 (<xref ref-type="fig" rid="f4">Fig. 4</xref>). Esse documento foi encontrado em 1950, durante as escavações no sítio arqueológico de Kültepe. A foto e a interpretação da impressão do selo em questão foram publicadas pela primeira vez por Nimet <xref ref-type="bibr" rid="B44">Özgüç em 1953</xref>, no artigo <italic>Vorbericht über die Siegel und Siegelabdrücke</italic><xref ref-type="fn" rid="fn13"><sup>13</sup></xref>. Nesse selo, de estilo anatólico, podemos observar a representação de diversas divindades com destaque em vermelho para uma delas, que aparece em cima de um equídeo. Nessa primeira publicação, a autora identifica o animal como a representação de um cavalo. Uma década depois, no livro <italic>The Anatolian Group of Cylinder Seal Impressions from Kültepe</italic>, de 1965, Özgüç revisita sua interpretação anterior e a corrige para a representação de um asno. Para tal, a autora usa como comparação um molde para figuras feito de esteatite:</p>
				<p>Em artigo anterior, conjecturámos que o animal […] devia ser considerado um cavalo, mas impressões [de outros selos cilíndricos] encontradas mais tarde e um molde descoberto no nível Ib convencem-nos de que <bold>este animal deve ser visto como um asno</bold>. As orelhas compridas, a forma da cabeça, as pernas e o rabo não deixam dúvidas quanto a esta identificação (<xref ref-type="bibr" rid="B45">Özgüç 1965</xref>: 68, grifos nossos).</p>
				<p>De fato, o corpo alongado, assim como a cabeça e as orelhas podem nos levar a cogitar tratar-se de um asno ou um híbrido. Se partirmos apenas das características físicas desse animal, um híbrido, especificamente uma mula, seria o candidato mais plausível nesse contexto. Em comparação com os asnos, as mulas eram animais mais robustos, mais ágeis e confortáveis para serem montados<xref ref-type="fn" rid="fn14"><sup>14</sup></xref>. Esses animais, que podiam custar até quatro vezes o preço de um asno, tinham a venda controlada pelas autoridades da Anatólia. Eram símbolo de status e poder <italic>“reserved to high officials and rich merchants for special occasions”</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B36">Michel 2003</xref>: 197). Contudo, a posição do deus no dorso do animal segurando uma rédea de condução com a mão esquerda, que esta fixada na narina do equídeo, coloca em dúvida se ele não seria, na verdade, um cavalo.</p>
				<p>
					<fig id="f5">
						<label>Fig. 5</label>
						<caption>
							<p><bold>Desenho da impressão do selo cilíndrico no envelope <xref ref-type="bibr" rid="B8">KKS</xref> 26b<xref ref-type="fn" rid="fn15"><sup>15</sup></xref>.</bold></p>
						</caption>
						<graphic xlink:href="2448-1750-rmae-42-50-gf5.jpg"/>
						<attrib>Fonte: <xref ref-type="bibr" rid="B8">KKS</xref> Abb. 83. Destaque nosso.</attrib>
					</fig>
				</p>
				<p>A segunda impressão de um selo cilíndrico, encontrada no envelope <xref ref-type="bibr" rid="B8">KKS</xref> 26b selo 83 (<xref ref-type="fig" rid="f5">Fig. 5</xref>), também de estilo anatólico, apresenta uma procissão em que temos uma figura montada em um equídeo<xref ref-type="fn" rid="fn16"><sup>16</sup></xref>. O envelope contendo esse selo foi publicado por Lubor Matuš e Marie Matoušavá-Rajmová no volume <xref ref-type="bibr" rid="B8">KKS</xref> (115-116; 26b, selo 83), sendo interpretado pelos autores como um assírio montando um asno: “<italic>Uten vor der thronenden Gottheit reitet auf einem</italic> 
 <bold>Esel</bold>
 <italic>ein Syrer</italic>” (<xref ref-type="bibr" rid="B8">KKS</xref>: 116, grifos nossos). Do mesmo modo que a impressão anterior, o animal montado tem as características físicas de um asno ou um híbrido. Todavia, não é possível identificar o status do personagem que monta o animal em questão.</p>
				<p>Excluída as duas impressões analisadas anteriormente, nos resta discutir a representação iconográfica do molde feito de esteatite. Ele foi usado para a comparação de <xref ref-type="bibr" rid="B45">Özgüç - publicado no mesmo artigo da autora de 1965</xref> (prancha XXXIII, figura 106) - e até hoje é considerado um paradigma associado a representações de asnos/híbridos no período paleoassírio. Esse molde (<xref ref-type="fig" rid="f6">Fig. 6</xref>) apresenta um deus montando um animal com suas orelhas e corpo alongados. As características são convincentes o bastante para afirmarmos não se tratar de um cavalo, entretanto o fato do animal estar sendo montado por um deus - um ser de alto status - coloca a grande possibilidade de representação de uma mula.</p>
				<p>
					<fig id="f6">
						<label>Fig. 6</label>
						<caption>
							<p><bold>Molde <xref ref-type="bibr" rid="B6">Kt k/k</xref> 63 com a representação de duas figuras e um asno.</bold></p>
						</caption>
						<graphic xlink:href="2448-1750-rmae-42-50-gf6.jpg"/>
						<attrib>Fonte: <xref ref-type="bibr" rid="B29">Kulakoğlu; Kangal, 2010</xref>: 273, figura 241. Molde para figuras feito de esteatite <xref ref-type="bibr" rid="B5">Kt c/k</xref> 63, 6,3cm X 5,5cm. Datado de fase Ib do <italic>kārum</italic> Kaneš (ca. 1840-1700), Museu das Civilizações Anatólicas de Ancara, Turquia.</attrib>
					</fig>
				</p>
				<p>Em relação as fontes textuais, a maior parte dos cerca de 23 mil tabletes conhecidos sobre o período paleoassírio foram encontrados durante as escavações arqueológicas nas casas de famílias mercadoras assírias em Kaneš, hoje sítio arqueológico de Kültepe. As informações encontradas nessa documentação dizem respeito, sobretudo, ao comércio de longa distância praticado pelos assírios na Anatólia, o que inclui uma rica literatura sobre o uso dos asnos como animais de carga nas caravanas assírias. Podemos classificar as informações fornecidas por esses textos em três categorias: dados quantitativos, dados terminológicos e dados sobre a organização das caravanas. Para uma melhor compreensão de como esses animais são retratados nessa documentação, propomos o exame da presença e da importância dos asnos no comércio de longa distância a partir dos dados encontrados no arquivo de um mercador assírio de nome Elamma.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>A presença dos asnos na vida dos mercadores assírios: um estudo de caso a partir do arquivo de Elamma</title>
				<p>Os documentos que nos servem aqui como estudo de caso pertenceram a família de um proeminente mercador assírio chamado Elamma, que atuou nas redes de comércio por pelo menos três décadas, entre os anos de 1906 e 1881 AEC (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Barjamovic, Hertel &amp; Larsen 2012</xref>: 58, 71). A escolha do arquivo se deu pela sua disponibilidade de acesso e integridade, ou seja, trata-se de um arquivo publicado e descoberto durante as escavações legais organizadas pelo governo turco, o que nos permite determinar seu contexto e tamanho<xref ref-type="fn" rid="fn17"><sup>17</sup></xref>.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>O arquivo de Elamma</title>
				<p>O arquivo da família de Elamma, contendo 372 tabletes, foi encontrado em sua casa escavada no sítio de Kültepe (<xref ref-type="fig" rid="f7">Fig. 7</xref>) durante as expedições turcas oficiais de 1991(282 tabletes) e 1992 (90 tabletes), sob a direção do arqueólogo Tahsin Özgüç<xref ref-type="fn" rid="fn18"><sup>18</sup></xref>. Entre os documentos encontrados no arquivo estão cartas, documentos legais, memorandos, listas e notas, que hoje estão salvaguardados no Museu das Civilizações da Anatólia, em Ancara, na Turquia. Mais de duas décadas depois das escavações, os documentos foram editados e publicados pelo assiriólogo holandês Klaas Roelof Veenhof no volume Kültepe Tabletleri 8 (<xref ref-type="bibr" rid="B9">KT 8 2017a</xref>).</p>
				<p>
					<fig id="f7">
						<label>Fig. 7</label>
						<caption>
							<p><bold>Quadrante com destaque para a casa de Elamma (casa 56).</bold></p>
						</caption>
						<graphic xlink:href="2448-1750-rmae-42-50-gf7.jpg"/>
						<attrib>Fonte: adaptado de <xref ref-type="bibr" rid="B39">Michel, 2018</xref>:62. Destaque nosso.</attrib>
					</fig>
				</p>
				<p>Elamma morou em Kaneš até o fim de seus dias. Ele fazia parte de uma firma familiar que atuava no comércio a partir da venda de tecidos e estanho na Anatólia, eventualmente eles também negociavam diretamente cobre por prata<xref ref-type="fn" rid="fn19"><sup>19</sup></xref>. Uma vez sabendo ser impossível o acesso total aos documentos produzidos em vida por um mercador e sua família, não podemos estimar o tamanho do comércio realizado por Elamma. Entretanto, como demonstra <xref ref-type="bibr" rid="B56">Veenhof (2021</xref>: 177-179), é viável quantificar os bens registrados nos documentos que sobreviveram até o presente, nos levando ao entendimento da amplitude das negociações praticadas. Os documentos que apresentam dados referentes as datas dos eventos informam que o mercador atuou por, pelo menos, 25 anos, entre os anos de 1906-1881 AEC (Veenhof 2017: 30-31; 2021: 175). Ele enviou ao menos cerca de 300 quilos de prata e 5 quilos de ouro para Aššur e cerca de 1400 quilos de estanho e 1350 unidades de tecidos para a Anatólia (Veenhof 2021: 177-178). Esse grande volume de mercadorias enviadas para Anatólia e de metais trazidos em retorno para Aššur, dependia do sucesso da circulação das caravanas de asnos nessa rota inter-regional.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>Teminologia</title>
				<p>No contexto paleoassírio os asnos aparecem no registro textual ou designados pelo termo acadiano <italic>emārum</italic> ou, de forma mais corrente, pelo logograma sumério anše<xref ref-type="fn" rid="fn20"><sup>20</sup></xref>. Entre os 327 documentos que constituem o arquivo de Elamma, referências diretas aos asnos representam 12% do arquivo. Os termos usados para designar esses animais aparecem 74 vezes em 40 documentos diferentes<xref ref-type="fn" rid="fn21"><sup>21</sup></xref>. Desse total, a palavra acadiana <italic>emārum</italic> aparece uma única vez em KT 8 47<xref ref-type="fn" rid="fn22"><sup>22</sup></xref>. Todas as outras ocorrências se dão por meio do emprego do sumerograma anše.</p>
				<p>O sumerograma anše pode aparecer no singular ou no plural, sendo que a pluralização é produzida de três maneiras distintas. Ela pode acontecer por meio do acréscimo dos sumerogramas hi-a, que representam a marca de pluralização na língua suméria; pela adição de um numeral indicador de quantidade antecedendo o sumerograma; ou pela dupla pluralização, adicionando-se tanto o numeral quanto a marca de pluralização (<xref ref-type="table" rid="t1">Tabela 1</xref>). Para a designação de quantidades, o quadro mais comum é o aparecimento do numeral seguido do termo que representa o animal. A adição da marca de pluralização hi-a ocorre usualmente para evidenciar a presença de um grupo de animais, <italic>i.e.</italic> “os asnos”, sendo a dupla pluralização pouco comum no dialeto paleoassírio.</p>
				<p>
					<table-wrap id="t1">
						<label>Tabela 1</label>
						<caption>
							<p>Terminologia nos arquivos paleoassírios.</p>
						</caption>
						<table style="width:100%; border-collapse: collapse">
							<tbody>
								<tr style="border-top:1px solid black; border-bottom:1px solid black">
									<td colspan="2" style="padding:15px; text-align:center ">ACADIANO </td>
									<td align="center"><italic>emārum</italic></td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center" rowspan="4">SUMÉRIO</td>
									<td style="padding:15px; text-align:center ">sumerograma</td>
									<td align="center">anše</td>
								</tr>
								<tr>
									<td style="padding:15px; text-align:center ">numeral + sumerograma</td>
									<td align="center">2 anše</td>
								</tr>
								<tr>
									<td style="padding:15px; text-align:center ">sumerograma +<break/> marca de pluralização</td>
									<td align="center">anše<sup>hi-a</sup></td>
								</tr>
								<tr style="border-bottom:1px solid black">
									<td style="padding:15px; text-align:center ">numeral + sumerograma +<break/> marca de pluralização</td>
									<td align="center">2 anše<sup>hi-a</sup></td>
								</tr>
							</tbody>
						</table>
						<table-wrap-foot>
							<fn>
								<p>Fonte: elaborada pela autora, 2023.</p>
							</fn>
						</table-wrap-foot>
					</table-wrap>
				</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>A caracterização dos animais</title>
				<p>Como vimos anteriormente, a maior parte das fontes textuais conhecidas nos dão pouca ou nenhuma informação sobre as características físicas desses animais. Grande parte dos asnos utilizados para o transporte de mercadorias era qualificado como asnos pretos-anše <italic>ṣallāmum</italic>. Nos arquivos de Elamma, são 20 ocorrências em 17 documentos de asnos desse tipo. Uma segunda ocorrência de especificação física para o animal aparece na carta KT 8, 26: “O asno que porta um <italic>utḫārum</italic> pertence a Hinnaya”<xref ref-type="fn" rid="fn23"><sup>23</sup></xref>. De acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B22">Dercksen (2004b</xref>: 8-9), a palavra <italic>utḫārum</italic> nesse contexto tem o sentido de uma marca ou um sinal.</p>
				<p>Embora nos documentos do arquivo de Elamma fiquemos restritos à essas duas informações, em arquivos de outros mercadores encontramos diversas ocorrências de vocabulários que indicam traços físicos (tamanho, força, idade) ou características relacionadas ao temperamento dos asnos. Todos esses elementos eram levados em conta na hora da escolha do animal, uma vez que a seleção dos asnos era muito importante para o sucesso das viagens das caravanas.</p>
				<p>O tablete <xref ref-type="bibr" rid="B13">VS 26</xref>74, indica um possível critério para a escolha de um asno no que diz respeito a sua idade: seus dentes deveriam ser pequenos, ao contrário de seu tamanho (<xref ref-type="bibr" rid="B21">Dercksen 2004a</xref>: 260)<xref ref-type="fn" rid="fn24"><sup>24</sup></xref>. A escolha de um equídeo em função de sua arcada dentária, um indicador da saúde e idade do animal, é uma prática usada até os dias de hoje.</p>
				<p>Indicadores mais gerais como a qualidade do animal aparecem com frequência. Não são raros os pedidos de asnos de boa qualidade, como no trecho de <xref ref-type="bibr" rid="B12">TCL 19</xref>, 43: “De acordo com a vossa demanda, nós adquirimos 9 asnos pretos de boa qualidade”<xref ref-type="fn" rid="fn25"><sup>25</sup></xref>. A boa qualidade do animal é indicada pelo adjetivo verbal “bom”, representado pela palavra acadiana <italic>damqum</italic> ou pelo sumerograma sig<sub>5</sub>. Os asnos de boa qualidade também aparecem em oposição aos animais indisciplinados, designados pelo adjetivo verbal acadiano <italic>wânium</italic><xref ref-type="fn" rid="fn26"><sup>26</sup></xref>. Esses animais deveriam ser evitados ou substituídos: “Se vós virdes que entre os asnos há um indisciplinado, vendei-o e trazei um ou dois siclos de prata<xref ref-type="fn" rid="fn27"><sup>27</sup></xref> para além de seu preço e comprai um asno de boa qualidade” (<xref ref-type="bibr" rid="B11">TCL 14</xref>, 16)<xref ref-type="fn" rid="fn28"><sup>28</sup></xref> Em alguns outros casos, os mercadores solicitam asnos que sejam fortes (em acadino, <italic>dannum</italic>) em oposição aos asnos frágeis (no acadiano, <italic>raqqum</italic>), que são indesejados: “Deixai os asnos fracos no pasto. Trazei aqui os asnos fortes” (<xref ref-type="bibr" rid="B3">CCT 3</xref>, 44b).<xref ref-type="fn" rid="fn29"><sup>29</sup></xref><bold>(</bold><xref ref-type="bibr" rid="B21">Dercksen 2004a</xref>: 260, 264-265).</p>
			</sec>
		</sec>
		<sec>
			<title>5.4 A preocupação com o bem-estar dos asnos</title>
			<p>Dado o fato de que trajeto a ser percorrido era longo, a escolha dos animais era minuciosa. Eles eram preparados cuidadosamente antes da partida para a Anatólia e a viagem exigia uma complexa organização em termos de alimentação e lugares para o descanso, já que muitos homens e animais estavam implicados (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Barjamovic 2022</xref>: 518). A documentação aponta para uma serie de cuidados que eram dispensados aos animais relacionados, principalmente, à forragem e eventuais pausas durante o percurso. Nos arquivos da Elamma, esses dados são apresentados em seu aspeto quantitativo em documentos como cartas e memorandos, que descrevem os custos da caravana.</p>
			<p>A forragem dos asnos aparece representada pelo termo acadiano <italic>ukultum</italic>, que também pode ser traduzida como provisão (<xref ref-type="bibr" rid="B55">Veenhof 2017</xref>: 85). <xref ref-type="bibr" rid="B21">Dercksen (2004a</xref>: 266) estima que no contexto paleoassírio a forragem custava em torno de ½ siclo de prata por animal. Na maior parte das ocorrências nesse arquivo, nós não sabemos a quantidade animais a que se refere ou a quantidade de prata destinada especificamente para a providência da forragem (<xref ref-type="table" rid="t2">Tabela 2</xref>), mas o preço parece variar consideravelmente.</p>
			<p>
				<table-wrap id="t2">
					<label>Tabela 2</label>
					<caption>
						<p>Preço da forragem dos asnos no arquivo de Elamma.</p>
					</caption>
					<table style="width:100%; border-collapse: collapse">
						<thead>
							<tr style="border-top:1px solid black; border-bottom:1px solid black">
								<th align="center">DOCUMENTO</th>
								<th align="center">TRECHO</th>
								<th align="center">ESTIMATIVA POR ANIMAL</th>
							</tr>
						</thead>
						<tbody>
							<tr>
								<td align="center">KT 8 19</td>
								<td align="center">“<sup>1/3</sup> mina<xref ref-type="fn" rid="fn30"><sup>30</sup></xref> ½ siclos de prata para a forragem dos asnos de Hinnaya, nós os nutrimos com essa forragem”<xref ref-type="fn" rid="fn31"><sup>31</sup></xref>
								</td>
								<td align="left"> </td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">KT 8 23</td>
								<td align="center">“A forragem custou [x] mina 5 siclos de prata (por asno)”<xref ref-type="fn" rid="fn32"><sup>32</sup></xref>
								</td>
								<td align="center">x mina 5 siclos por animal</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">KT 8 37</td>
								<td align="center">“5 asnos pretos […] 1 asno ficou doente e nós trouxemos um outro […] 14 siclos (de prata) de forragem para os asnos”<xref ref-type="fn" rid="fn33"><sup>33</sup></xref>
								</td>
								<td align="center">cerca de 2 siclos cada</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">KT 8 39</td>
								<td align="center">“2 asnos pretos […] 1 siclos, a forragem para os asnos”<xref ref-type="fn" rid="fn34"><sup>34</sup></xref>
								</td>
								<td align="center">½ siclo para cada</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">KT 8 43</td>
								<td align="center">“3 <sup>2/3</sup>minas 5 siclos (de estanho), a forragem para dois asnos e um condutor de asnos e para sua estadia no curral”<xref ref-type="fn" rid="fn35"><sup>35</sup></xref>
								</td>
								<td align="left"> </td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">KT 8 50</td>
								<td align="center">“2 minas, a forragem”<xref ref-type="fn" rid="fn36"><sup>36</sup></xref>
								</td>
								<td align="left"> </td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">KT 8 150</td>
								<td align="center">“41 minas 15 siclos de estanho, incluindo as despesas com a forragem”<xref ref-type="fn" rid="fn37"><sup>37</sup></xref>
								</td>
								<td align="left"> </td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">KT 8 151</td>
								<td align="center">“24 minas 10 siclos (de estanho), incluindo as despesas com a forragem”<xref ref-type="fn" rid="fn38"><sup>38</sup></xref>
								</td>
								<td align="left"> </td>
							</tr>
							<tr style="border-bottom:1px solid black">
								<td align="center">KT 8 153</td>
								<td align="center">“1 <sup>2/3</sup>siclos de prata, a forragem para os asnos e a taxa de circulação até Wahšušana”<xref ref-type="fn" rid="fn39"><sup>39</sup></xref>
								</td>
								<td align="left"> </td>
							</tr>
						</tbody>
					</table>
					<table-wrap-foot>
						<fn>
							<p>Fonte: elaborada pela autora, 2023.</p>
						</fn>
					</table-wrap-foot>
				</table-wrap>
			</p>
			<p>Em relação aos locais onde os animais ficavam guardados durante as pausas das caravanas ou enquanto não eram utilizados, representado pelo substantivo <italic>nabrītum</italic> e aqui traduzido por curral, a documentação nos informa sobre os custos. Adicionalmente a KT 8 43, reproduzido na tabela acima, em KT 8 145 encontramos o trecho: “[x] minas de cobre (foram gastas) quando (os asnos) foram colocados em um curral em Wahšušana”<xref ref-type="fn" rid="fn40"><sup>40</sup></xref>. Apesar de valores serem postos, nos faltam informações. Assim como observa <xref ref-type="bibr" rid="B22">Dercksen (2004b</xref>: 267-268) em documentos de outros arquivos sobre a estadia de animais em currais, nos faltam dados sobre a quantidade de diária e/ou a quantidade de animais para compreendermos esse custo. Provavelmente o valor dispensado incluía a alimentação dos animais e o pagamento de responsáveis pela guarda deles durante essas pausas em lugares que Dercksen definiu como “<italic>comunal enclosed field for keeping donkeys</italic>” (2004a: 267)<xref ref-type="fn" rid="fn41"><sup>41</sup></xref>.</p>
			<p>A preocupação com o bem-estar dos animais durante as viagens das caravanas é retratada na documentação para além da alimentação e do descanso dos asnos durante o percurso. Em uma detalhada carta escrita por outro conhecido mercador assírio, Imdī-ilum (<xref ref-type="bibr" rid="B11">TCL 14</xref>, 16), aos seus parceiros comerciais, ele demonstra uma grande preocupação em relação ao tamanho da carga que será carregada sobre seus asnos e como isso poderia afetá-los:</p>
			<disp-quote>
				<p><sup>1-3</sup>Assim (fala) Imdī-ilum. Para Annalī, Aššur-idī e Amur-ilī diz: […] <sup>11-25</sup>Não carregue nenhum outro rolo (de tecido) sobre os asnos. 15 asnos pretos. […] Porque eu não cesso de ouvir que vós adicionastes sobre os meus pacotes de carga superior 13 sacos contendo [vossos] rolos (de tecidos)? E, então, vós maltratais meus asnos e me deixais com raiva. É urgente, alimentai (os asnos). Não economizeis na ração. E não adicione vossos rolos (de tecido) sobre os meus pacotes de carga (<xref ref-type="bibr" rid="B11">TCL 14</xref>, 16).</p>
			</disp-quote>
			<p>Imdī-ilum acusa seus destinatários de forçar sua permissão para colocar mais cargas sobre os animais. A adição de mais mercadorias significaria a economia no transporte e nas taxas de circulação. Entretanto o ato seria muito perigoso para os animais e para o sucesso da caravana. Essa carta evidencia que os mercadores tinham plena consciência das quantidades que poderiam ser carregadas por esses animais. Não é à toa que o autor da carta repete por três vezes a ordem de que pesos extras não sejam acrescentados e que os animais sejam bem cuidados, reforçando que os responsáveis pela viagem devem nutri-los sem economia.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>5.5 As surpresas pelo caminho</title>
			<p>A preocupação dos mercadores com os asnos era justificável, uma vez que não são raras as ocorrências de doença ou morte de animais no meio do trajeto. Em casos extremos a documentação retrata a morte de 50% dos animais, como na carta <xref ref-type="bibr" rid="B2">BIN 6</xref>79: “6 asnos pretos […] (Na verdade) 3 estão mortos”<xref ref-type="fn" rid="fn42"><sup>42</sup></xref> (<xref ref-type="bibr" rid="B21">Dercksen 2004a</xref>: 263). No arquivo de Elamma, a morte dos animais é enunciada pelo emprego do verbo morrer-<italic>muātum</italic>, como em KT 8 23: “um asno morreu durante a viagem”<xref ref-type="fn" rid="fn43"><sup>43</sup></xref>. Nos arquivos paleoassírios o verbo desaparecer<italic>-halāqum</italic> é usado para exprimir a morte de um animal ou animais que escaparam durante o percurso. No arquivo de Elamma, o verbo <italic>halāqum</italic> é frequentemente empregado para remeter a perda de tecidos, mas nenhuma ocorrência se relaciona a perda ou morte de asnos. Animais que foram acometidos por doenças no percurso são referidos pelo verbo ficar doente-<italic>marāṣum</italic>, como em KT 8 37: “1 asno ficou doente e nós compramos um asno suplementar”<xref ref-type="fn" rid="fn44"><sup>44</sup></xref>.</p>
			<p>A substituição de asnos que morreram ou que ficaram doentes era essencial nesses casos, uma vez que as mercadorias dificilmente poderiam ser realocadas internamente nas caravanas e arriscava-se perdê-las na falta de transporte. A solução poderia acontecer por duas vias, a reposição do animal perdido por meio da compra - como vimos no parágrafo acima na carta KT 8 37 - por meio do emprego do verbo comprar-<italic>ša’āmum</italic>, ou por meio do aluguel de um novo animal. O arranjo do aluguel, representado pelo verbo contratar-<italic>agārum</italic>, poderia ser feito pelo percurso total restante ou por porções da viagem, como em KT 8 151:</p>
			<disp-quote>
				<p><sup>8-17</sup>Eu paguei 2 siclos de prata e 2 siclos de estanho pelo aluguel de um asno pelo trajeto entre Timilkiya e Hurama. Eu paguei 4 ½ siclos de prata e 4 ½ siclos de estanho pelo aluguel de um asno e de um condutor de ano pelo trajeto entre Hurama e Kaneš. (KT 8 151)<xref ref-type="fn" rid="fn45"><sup>45</sup></xref>.</p>
			</disp-quote>
			<p>Para além dos problemas com o próprio animal, um mercador era confrontado com diversos perigos ao longo do percurso da viagem (<xref ref-type="bibr" rid="B37">Michel 2008</xref>: 380-381), como surpresas geográficas, humanas, <italic>i.e.</italic> ladrões, ou mesmo climáticas, como vemos nos documentos de Elamma: “Como faz frio aqui, é impossível que ela se desloque” (KT 8 189), ou ainda “Se no momento da partida, o tempo estiver agradável […] ele pode partir. Se fizer calor, ele não deve partir” (KT 8 18).</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>5.6 Organização das caravanas</title>
			<p><italic>Kaṣṣārum</italic> era o nome dado ao responsável pelas caravanas. Essa era uma função desempenhada por pessoas de confiança que supervisionavam as viagens. Em alguns casos, conhecemos o nome de quem ocupava a função e o valor do pagamento realizado pelos seus serviços. O pagamento incluía duas partes: o capital de trabalho-<italic>be’ūlāum</italic> e a vestimenta-<italic>lubuštum</italic>. De maneira geral, no arquivo de Elamma o valor do pagamento do capital de trabalho oscilava entre 20 e 30 siclos de prata adicionados de 2 siclos de prata suplementar destinados a vestimenta<xref ref-type="fn" rid="fn46"><sup>46</sup></xref>, como em KT 8 36: “22 siclos de prata pelo capital de trabalho de Šalim-Aššur, o <italic>kaṣṣārum</italic>, 2 siclos, sua vestimenta”<xref ref-type="fn" rid="fn47"><sup>47</sup></xref>.</p>
			<p>Os asnos eram distribuídos em comboios compostos por dois ou três condutores<italic>-sāridum</italic>, cada condutor sendo responsável por até dois animais. A função de <italic>sāridum</italic> era desempenhada por pessoas especializadas que poderiam ser recrutadas para percorrer toda a viagem ou parte do percurso. Um terceiro personagem estratégico da organização das viagens era <italic>rādium</italic>, um guia contratado para situações específicas, principalmente para atravessar zonas mais complexas, como rios. (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Barjamovic 2011</xref>: 16-18; <xref ref-type="bibr" rid="B21">Dercksen 2004a</xref>: 283).</p>
			<p>As notas e memorandos que contabilizam os gastos com a organização das caravanas nos dão acesso ao preço dos asnos. Além de bons portadores de cargas, os asnos eram mercadorias da economia assíria, sendo um dos produtos mais exportados. Uma vez que as caravanas não voltavam carregadas para Aššur, a maior parte dos animais eram vendidos chegando na Anatólia e geravam lucro aos assírios. No quadro geral da documentação do período, em Aššur um animal custaria entre 16 e 17 siclos de prata mais 2 ou 3 siclos para a compra da atrelagem. Já na Anatólia, um asno poderia custar de 20 a 30 siclos de prata.</p>
			<p>Ao contrário do preço da atrelagem que se mantém entre 2 e 2,5 siclos de prata para cada animal (<xref ref-type="table" rid="t3">Tabela 3</xref>), nos arquivos de Elamma o preço de um asno se aproxima dos 20 siclos de prata. Em certos casos, o valor elevado poderia estar relacionado a soma da atrelagem e da forragem, que não foram descritos explicitamente. Em outros casos, como sugere <xref ref-type="bibr" rid="B55">Veenhof (2017</xref>: 85-86) ao estudar o valor dos animais no arquivo, a variação extrema poderia estar conectada a questões de oferta e demanda. Por fim, observamos quatro casos com uma variação extrema de preços que se aproximam de 30 siclos - provavelmente asnos comprados na Anatólia - ou de 10 siclos - para os quais não encontramos explicação (<xref ref-type="table" rid="t4">Tabela 4</xref>).</p>
			<p>
				<table-wrap id="t3">
					<label>Tabela 3</label>
					<caption>
						<p>Preço da atrelagem-<italic>unūtum</italic> no arquivo de Elamma.</p>
					</caption>
					<table style="width:100%; border-collapse: collapse">
						<thead>
							<tr style="border-top:1px solid black; border-bottom:1px solid black">
								<th align="center">DOCUMENTO</th>
								<th align="center">PREÇO </th>
								<th align="center">QUANTIDADE</th>
							</tr>
						</thead>
						<tbody>
							<tr>
								<td align="center">KT 8 34</td>
								<td align="center">10 + x siclos de prata</td>
								<td align="center">4 asnos</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">KT 8 35</td>
								<td align="center">10 siclos de prata</td>
								<td align="center">4 asnos pretos</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">KT 8 36</td>
								<td align="center">4 ½ siclos de prata</td>
								<td align="center">2 asnos pretos</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">KT 8 37</td>
								<td align="center">9 siclos de prata</td>
								<td align="center">5 asnos pretos</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">KT 8 39</td>
								<td align="center">3 ½ siclos de prata</td>
								<td align="center">2 asnos pretos</td>
							</tr>
							<tr style="border-bottom:1px solid black">
								<td align="center">KT 8 40</td>
								<td align="center">10 siclos de prata</td>
								<td align="center">4 asnos pretos</td>
							</tr>
						</tbody>
					</table>
					<table-wrap-foot>
						<fn>
							<p>Fonte: elaborada pela autora, 2023.</p>
						</fn>
					</table-wrap-foot>
				</table-wrap>
			</p>
			<p>
				<table-wrap id="t4">
					<label>Tabela 4</label>
					<caption>
						<p>Preço dos Asnos no arquivo de Elamma.</p>
					</caption>
					<table style="width:100%; border-collapse: collapse">
						<thead>
							<tr style="border-top:1px solid black; border-bottom:1px solid black">
								<th align="center">DOCUMENTO</th>
								<th align="center">PREÇO </th>
								<th align="center">QUANTIDADE</th>
								<th align="center">POR ANIMAL</th>
							</tr>
						</thead>
						<tbody>
							<tr>
								<td align="center">KT 8 3</td>
								<td align="center">20 siclos de prata</td>
								<td align="center">1 asno</td>
								<td align="center">20 siclos</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">KT 8 34</td>
								<td align="center">78 siclos de prata</td>
								<td align="center">4 asnos</td>
								<td align="center">19 ½ siclos</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">KT 8 35</td>
								<td align="center">75 siclos de prata</td>
								<td align="center">4 asnos pretos</td>
								<td align="center">18 siclos</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">KT 8 36</td>
								<td align="center">38 siclos de prata</td>
								<td align="center">2 asnos pretos</td>
								<td align="center">19 siclos</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">KT 8 37</td>
								<td align="center">77 siclos de prata</td>
								<td align="center">5 asnos pretos</td>
								<td align="center">15 siclos</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">KT 8 39</td>
								<td align="center">36 siclos de prata</td>
								<td align="center">2 asnos pretos</td>
								<td align="center">18 siclos</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">KT 8 40</td>
								<td align="center">73 siclos de prata</td>
								<td align="center">4 asnos pretos</td>
								<td align="center">18 siclos</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">KT 8 47</td>
								<td align="center">126 siclos de prata</td>
								<td align="center">6 asnos pretos</td>
								<td align="center">21 siclos</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">KT 8 85 </td>
								<td align="center">27 siclos de prata</td>
								<td align="center">1 asno</td>
								<td align="center">27 siclos</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">KT 8 100 </td>
								<td align="center">150 siclos de prata</td>
								<td align="center">5 asnos</td>
								<td align="center">30 siclos</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">KT 8 121 </td>
								<td align="center">7 ½ siclos de prata</td>
								<td align="center">1 asno</td>
								<td align="center">7 ½ siclos</td>
							</tr>
							<tr style="border-bottom:1px solid black">
								<td align="center">KT 8 337 </td>
								<td align="center">23 siclos de prata</td>
								<td align="center">2 asnos</td>
								<td align="center">11 ½ siclos</td>
							</tr>
						</tbody>
					</table>
					<table-wrap-foot>
						<fn>
							<p>Fonte: elaborada pela autora, 2023.</p>
						</fn>
					</table-wrap-foot>
				</table-wrap>
			</p>
			<p>As fontes paleoassírias nos informam sobre um amplo vocabulário relacionado às cargas e peças que compunham o equipamento dos asnos, que foi detalhadamente estudado por <xref ref-type="bibr" rid="B21">Dercksen (2004a</xref>: 272-282) e <xref ref-type="bibr" rid="B54">Veenhof (1972</xref>: 11-27). A forma mais comum de montagem da mercadoria nos animais parece ter sido dois meio-pacotes-<italic>muttātum</italic> arranjados um de cada lado do animal e uma carga-<italic>elītum</italic> sobre seu lombo. Dentro de um <italic>muttātum</italic> poderia ser colocado um pequeno saco de couro chamado de <italic>naruqqum</italic> com cargas preciosas, como joias ou pequenas quantias de metais. Já a carga<italic>-elītum</italic> poderia ser representada por três a seis rolos de tecidos, chamados de <italic>qulqulum</italic>.</p>
			<p>Em relação ao vasto vocabulário do período sobre o equipamento dos asnos, a carta KT 8 342 nos dá uma ideia do que podemos encontrar: “5 tapetes de sela-<italic>ukāpum</italic> de 4 asnos, sacos-<italic>zurzu</italic>, 4 pacotes-<italic>matlišhu</italic><xref ref-type="fn" rid="fn48"><sup>48</sup></xref>, 3 chabraques-<italic>masrādu</italic>, tudo isso está com NP. Sacos-<italic>zurzu</italic>, 1 pacotes-<italic>matlišhum</italic>, 2 corda com uma cavilha-<italic>eblē sikkatim</italic><xref ref-type="fn" rid="fn49"><sup>49</sup></xref>, 1 xairel-<italic>masrādum</italic> […] tudo isso está com NP”<xref ref-type="fn" rid="fn50"><sup>50</sup></xref>.</p>
			<p>A estimativa de que os asnos poderiam aguentar uma carga média de 75 quilos nos é de grande serventia para uma compreensão mais ampla da documentação, que frequentemente não informa os dados completos, os arranjos, as quantidades, ou mesmo a qualidade das cargas colocadas sobre os animais. Tomemos a carta KT 8 33 como exemplo: “18 tecidos do tipo <italic>šūrum</italic> e 10 tecidos do tipo <italic>kutānum</italic>, 2 talentos de estanho embalados (foram colocados em) 2 asnos pretos”<xref ref-type="fn" rid="fn51"><sup>51</sup></xref>.</p>
			<p>Se considerarmos que um asno pode carregar uma carga menor que 75 quilos, esse documento descreveria dois animais portando uma carga total de cerca de 150 quilos computando 60 quilos de estanho<xref ref-type="fn" rid="fn52"><sup>52</sup></xref>, 10 tecidos do tipo <italic>kutānum</italic><xref ref-type="fn" rid="fn53"><sup>53</sup></xref> e 18 tecidos do tipo <italic>šūrum</italic><xref ref-type="fn" rid="fn54"><sup>54</sup></xref>. Sabemos que nesse contexto um tecido padrão, conhecido como <italic>kutānum</italic>, pesa, em média, 2,5 quilos. Desse modo, cada animal carregaria 30 quilos de estanho, 25 quilos de tecidos do tipo <italic>kutānum</italic> e 9 tecidos do tipo <italic>šūrum</italic>. Esse cálculo nos permite estimar que um tecido do tipo <italic>šūrum</italic> pesaria, em média, 2 quilos.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>6. Conclusão</title>
			<p>A domesticação dos asnos no contexto mesopotâmico foi um fator essencial para o desenvolvimento do comércio paleoassírio no início do II milênio AEC. Seu emprego como principal animal de carga possibilitou uma mudança quantitativa nas trocas, tornando-se indispensável para vida de um comerciante e para o funcionamento do comércio. Apesar da ausência de vestígios zooarqueológicos que corroborem com a presença intensa dos asnos no sítio arqueológico de Kültepe, uma rica quantidade de informações nos tabletes cuneiformes encontrados nesse sítio nos permitem estimar o fluxo monumental de mercadorias, animais e pessoas envolvidas no comércio de longa distância entre Aššur e Kaneš.</p>
			<p>Neste artigo, o trabalho de revisão bibliográfica em cotejo com a análise dos tabletes que pertenceram a família do mercador assírio Elamma nos permitiu dimensionar a complexa organização das caravanas. Anualmente, mais de mil animais atravessavam a Mesopotâmia até chegar na região da Anatólia Central carregando toneladas de estanho e tecidos (<xref ref-type="bibr" rid="B23">Dercksen 2022</xref>: 91). As vantagens do uso dos asnos superavam o carregamento de cargas, agindo como uma engrenagem fundamental no sistema de comunicação inter-regional, transportando milhares de tabletes cuneiformes durante suas viagens.</p>
			<p>Mesmo com uma grande quantidade de informações disponíveis nas fontes textuais, é importante termos em mente que apenas cerca de 25% da documentação do período paleoassírio encontra-se publicada. Isso significa dizer que esse é um campo profícuo de análise e que a publicação dos tabletes exumados de Kültepe pode nos levar a novas descobertas como, por exemplo, em que termos se dava a criação desses animais nas terras assírias, ou até mesmo o significado de vocabulários específicos desse contexto histórico que ainda nos fogem a uma compreensão mais ampla.</p>
		</sec>
	</body>
	<back>
		<ack>
			<title>Agradecimentos</title>
			<p>À Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) (Processo no 2019/12945-6 e BEPE Processo no 20/07395-4) pelo financiamento de minha pesquisa doutoral. Aos meus orientadores, Prof<sup>a</sup>Cécile Michel e Prof Marcelo Rede. Por fim, a leitura atenta e os preciosos comentários dos pareceristas.</p>
			<p>As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade da autora e não necessariamente refletem a visão da FAPESP.</p>
		</ack>
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			<title>Referências Bibliográficas</title>
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							<surname>Charpin</surname>
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						</name>
						<etal/>
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					<year>1988</year>
					<source><italic>Archives Royales de Maris 26</italic>. Archives Épistolaires de Mari I/2</source>
					<publisher-name>Éditions Recherche sur le Civilisations</publisher-name>
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					<source>Cuneiform Texts from Cappadocian Tablets in the British Museum</source>
					<publisher-name>Oxford University Press</publisher-name>
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		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn1">
				<label>1</label>
				<p>Este artigo é uma adaptação da conferência apresentada no Séminaire d’Histoire et Archéologie des Mondes Orientaux (SHAMO), organizado por C. Michel no Laboratório ArScAn (UMR 7041, CNRS, Université Paris 1-Panthéons Sorbonne, Université Paris Nanterre et Ministère de la Culture), em março de 2023.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn2">
				<label>2</label>
				<p>Mesmo que o termo <italic>Anatólia</italic> seja posterior ao recorte cronológico deste trabalho, ele é largamente utilizado pela literatura assiriológica. Como apontam <xref ref-type="bibr" rid="B50">Steadman e McMahon (2011</xref>: 4), definir os limites territoriais do que entendemos por Anatólia não é tão simples e os argumentos variam, principalmente aqueles referentes ao recorte cronológico escolhido. Em relação ao nosso contexto, nos referirmos a porção central da Turquia, região onde o comércio assírio foi atuante (<xref ref-type="bibr" rid="B38">Michel 2011</xref>: 314).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn3">
				<label>3</label>
				<p>Para um panorama geral sobre a questão da domesticação dos cavalos e a contribuição dos estudos de DNA antigo para o estudo da domesticação dos animais, cf. <xref ref-type="bibr" rid="B43">Orlando (2021</xref>).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn4">
				<label>4</label>
				<p>Por exemplo, <xref ref-type="bibr" rid="B20">Cattani; Bokonyi (2002</xref>) que argumentam pela domesticação dos asnos na Península Arábica, no atual Iêmen, no sítio de Ah Shuman.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn5">
				<label>5</label>
				<p>Cf. <xref ref-type="bibr" rid="B19">Beja-Pereira et al. (2004</xref>); <xref ref-type="bibr" rid="B28">Kimura et al. (2011</xref>); <xref ref-type="bibr" rid="B47">Rossel et al. (2008</xref>); <xref ref-type="bibr" rid="B58">Wang et al. (2020</xref>).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn6">
				<label>6</label>
				<p>Um panorama geral sobre a presença dos asnos na Mesopotâmia pode ser encontrado em <xref ref-type="bibr" rid="B30">Lafont (2000</xref>). Sobre o quadro arqueológico, cf. <xref ref-type="bibr" rid="B41">Mitchell (2018</xref>). Em relação a domesticação desses animais na Mesopotâmia, cf. <xref ref-type="bibr" rid="B61">Zarins (1978</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B62">2014</xref>).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn7">
				<label>7</label>
				<p>Sobre a organização política da Anatólia nesse momento, cf. <xref ref-type="bibr" rid="B17">Barjamovic (2022</xref>).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn8">
				<label>8</label>
				<p>
					<xref ref-type="bibr" rid="B1">ARM 26/2</xref> 432:3, 3 me lú-meš <italic>aš-šu-ru-ú ù</italic> 3 me anše<sup>hi-a</sup>.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn9">
				<label>9</label>
				<p>Sobre o debate referente ao volume do comércio paleoassírio, cf. <xref ref-type="bibr" rid="B16">Berjamovic (2018</xref>), Decksen (2004a), <xref ref-type="bibr" rid="B32">Larsen (2015</xref>) e <xref ref-type="bibr" rid="B51">Stratford (2019</xref>).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn10">
				<label>10</label>
				<p>Sobre a estrutura corporal dos asnos, que os permite a habilidade de transportar cargas pesadas, cf. <xref ref-type="bibr" rid="B60">Yousef, Dill &amp; Freeland (1972</xref>).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn11">
				<label>11</label>
				<p>Sobra a aplicação do termo no contexto mesopotâmico como um todo, cf. <xref ref-type="bibr" rid="B52">Thavapalan, 2020</xref>: 154-162.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn12">
				<label>12</label>
				<p>De acordo com Nimet <xref ref-type="bibr" rid="B45">Özgüç (1965</xref>: 75), a mesma impressão desse selo pode ser encontrada no documento não publicado Kt j/k 528.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn13">
				<label>13</label>
				<p>
					<xref ref-type="bibr" rid="B44">Özgüç, N. (1953</xref>, figura 34).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn14">
				<label>14</label>
				<p>Nos textos do período paleoassírio, as mulas eram designadas pelo termo acadiano <italic>perdum</italic>, raramente utilizado no contexto mesopotâmico. Sobre as mulas no período paleoassírio, cf. <xref ref-type="bibr" rid="B36">Michel (2003</xref>).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn15">
				<label>15</label>
				<p>A foto completa do envelope e de seu tablete podem ser consultadas no banco de dados da Cuneiform Digital Library Initiative (CDLI), número P359964.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn16">
				<label>16</label>
				<p>O tablete e seu envelope encontram-se salvaguardados na Charles University, em Praga, sob o número <xref ref-type="bibr" rid="B10">Praga I</xref> 692. A impressão em questão corresponde ao selo C.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn17">
				<label>17</label>
				<p>Cabe pontuar que os arquivo dos mercadores assírios não contêm todos os documentos produzidos por um mercador e sua família ao longo de sua vida. Os arquivos são vivos, documentos podiam ser adicionados, descartados, ou até mesmo levados de volta para Aššur, uma vez que alguns mercadores voltam para sua cidade mãe durante a velhice.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn18">
				<label>18</label>
				<p>O resumo do relatório oficial das escavações pode ser encontrado em <xref ref-type="bibr" rid="B34">Mellink (1993</xref>) e <xref ref-type="bibr" rid="B24">Gates (1994</xref>).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn19">
				<label>19</label>
				<p>Por meio da documentação do arquivo conhecemos o nome de sua esposa, Lamassutum, duas filhas mulheres (Ummī-Išhara e Šalimma) e seis filhos homens (Aššur-ṭab, Ennam-Aššur, Pilah-Ištar, Šu-Bēlum, Uṣur-pī-Aššur e Abu-šalim). Além dos oito irmãos germanos, sabemos da existência de Ištar-lamassī, filha apenas de Elamma de um provável primeiro casamento. Todos eles estiveram envolvidos em atividades comerciais (<xref ref-type="bibr" rid="B55">Veenhof, 2017</xref>).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn20">
				<label>20</label>
				<p>No contexto sul mesopotâmico do mesmo período, o chamado período paleobabilônico, os asnos são referidos na documentação pelo termo acadiano <italic>imērum</italic>.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn21">
				<label>21</label>
				<p>No arquivo de Elamma, o termo anše também aparecer sete vezes para designar a forragem (<italic>ukulti</italic> anše) e quatro vezes para designar a atrelagem (<italic>unūt</italic> anše) desses animais. Essas ocorrências não foram incluídas nos dados acima.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn22">
				<label>22</label>
				<p>KT 8 47:31, <italic>e-ma-ra-am</italic>.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn23">
				<label>23</label>
				<p>KT 8, 26:10-12, <italic>um-ma</italic> dumu <italic>Ṣa-lá-mì-lim-ma a-na</italic> anše <italic>ša ut-ha-ra-am ša-ak-nu ša Hi-na-a</italic>.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn24">
				<label>24</label>
				<p>
					<xref ref-type="bibr" rid="B13">VS 26</xref> 74 :28-30, anšehi-a ší-nam : lu ṣa-hu-ru : la-na[m] l[u] [e]-li-ú. Essa fórmula aparece em outros documentos que tratam de mulas.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn25">
				<label>25</label>
				<p>Cópia do tablete publicada por Julius Lewy (<xref ref-type="bibr" rid="B12">TCL 19</xref>, tablete 43). Edição do documento em <xref ref-type="bibr" rid="B31">Larsen (1967</xref>: 98-99); <xref ref-type="bibr" rid="B40">Michel (2010</xref>, 128). <xref ref-type="bibr" rid="B12">TCL 19</xref>, 43:16-18, 9 anše <italic>ṣa-lá-mu a-na ma-la té-er-tí-kà dam-qú-tim ni-iš-a-am</italic>.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn26">
				<label>26</label>
				<p>O adjetivo verbal wânium deriva do verbo wanā’um, trapacear (<xref ref-type="bibr" rid="B4">GOA</xref>:537). Para Dercksen, ele indicaria um animal “[…] with a particular deficiency which made it necessary to replace it by another animal” (2004b:281).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn27">
				<label>27</label>
				<p>Um siclo nesse contexto corresponde a 8,3 gramas.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn28">
				<label>28</label>
				<p>Documento editado por Ichisar (1981:243-245) e <xref ref-type="bibr" rid="B35">Michel (2001</xref>:192-193). <xref ref-type="bibr" rid="B11">TCL 14</xref>, 16: 30-34, šu-ma i-na anšehi-a : ta-da-ga-lá-ma [w]a-ni-um i-ba-ší dí-na-šu-ma a-ṣé-er ší-mì-šu kù-babbar 2 gín 1 gín [r]a-a-dí-a-ma : anše sig5 [...] Ša-a-ma.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn29">
				<label>29</label>
				<p>Cópia do tablete publicada por Sidney Smith (<xref ref-type="bibr" rid="B3">CCT 3</xref>, prancha 44, tablete b). Edições do documento em <xref ref-type="bibr" rid="B33">Lewy (1956</xref>:21-23) e <xref ref-type="bibr" rid="B35">Michel (2001</xref>:151-152). <xref ref-type="bibr" rid="B3">CCT 3</xref>, 44b: 17-21, <italic>e-ma-ri</italic>: <italic>ra-qú-tim a-na na-áb-ri-tim i-dí-i</italic>: <italic>e-ma-ri da-nu-tim</italic>: <italic>a-ni-ša-am šé-ri-ba-am</italic>.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn30">
				<label>30</label>
				<p> Uma mina nesse contexto corresponde a cerca de 500 gramas.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn31">
				<label>31</label>
				<p> KT 8 19: 30-32, ma-na ½ gín kù-babbar <italic>a-na ú-ku-ul-tí</italic> anše<sup>hi-a</sup> 
 <italic>ša Hi-na-</italic>/<italic>a ú-ku-ul-tí nu-ša-ki-il5</italic>.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn32">
				<label>32</label>
				<p> KT 8 23: 35, [x m]a-na 5 gín-ta ú-ku-ul-tám [iš]-ku-nam. Dado o contexto, o sinal faltante provavelmente se trate de ½ mina.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn33">
				<label>33</label>
				<p> KT 8 37: 27; 29-30; 37, 5 anšehi-a ṣa-lá-mu […] 1 anše im-ra-aṣ-ma wa-at-ra-/am ni-iš-a-ma (...)14 gín ú-kúl-tí anšehi-a.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn34">
				<label>34</label>
				<p>KT 8 39: 24; 32-33, 2 anšehi-a ṣa-lá-mu […] 1 gín ú-kúl-tí anšehi-a.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn35">
				<label>35</label>
				<p>KT 8 43: 16-18, 3 <italic>ma-na</italic> 5 gín <italic>ú-kúl-ti</italic> 2 anše <italic>ú sá-ri-dim ù na-ab-ri-ta-šu-nu</italic>.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn36">
				<label>36</label>
				<p>KT 8 50: 9-10, 2 <italic>ma-na ú-ku-ul-tum</italic>.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn37">
				<label>37</label>
				<p>KT 8 150: 4-5, 41 <italic>ma-na</italic> 15 gín an-na <italic>qá-dì šá ú-ku-ul-tim</italic>.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn38">
				<label>38</label>
				<p>KT 8 151: 3-4, 25 <italic>ma-na</italic> 10 gín <italic>qá-dum ú-ku-ul-tim</italic>.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn39">
				<label>39</label>
				<p>KT 8 153: 20-23, 1 gín kù-babbar <italic>ú-kúl-ti ù da-a-šu ša a-dí Wa-ah-šu-ša-na</italic>.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn40">
				<label>40</label>
				<p>KT 8 145: 19-21, [x] ma-na urudu i-na-áb-ri-tim [i-n]a Wa-ah-šu-ša-na […] ga-me-er.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn41">
				<label>41</label>
				<p>Para outros exemplos da aplicação do termo na documentação paleoassíria, cf. <xref ref-type="bibr" rid="B21">Dercksen, 2004a</xref>:267-270.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn42">
				<label>42</label>
				<p>Cópia do tablete publicada por Ferris Stephens (<xref ref-type="bibr" rid="B2">BIN 6</xref>, prancha XXXIII, tablete 79). Documento editado por Ichisar (1981:269-271), <xref ref-type="bibr" rid="B31">Larsen (1967</xref>:139; 157), <xref ref-type="bibr" rid="B35">Michel (2001</xref>:138), e <xref ref-type="bibr" rid="B42">Nashef (1987</xref>:15-16). <xref ref-type="bibr" rid="B2">BIN 6</xref>, 79: 5; 21’, 6 anšehi-a ṣa-lá-um […] 3 anše me-tù.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn43">
				<label>43</label>
				<p>KT 8 23: 29-31, anše <italic>i-ha-ra-nim i-mu-ut-ma</italic>.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn44">
				<label>44</label>
				<p>KT 8 37: 29-30, 1 anše <italic>im-ra-aṣ-ma wa-at-ra-/am ni-iš-a-ma</italic>.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn45">
				<label>45</label>
				<p>KT 8 151: 8-17, 2 gín kù-babbar <italic>ù</italic> 2 gín an-na ig-re anše <italic>iš-tù Tí-mì-il5-ki-a</italic>: <italic>a-di Hu-ra-ma áš-qúl</italic> 4 ½ gín kù-babbar <italic>ù</italic> 4 ½ gín an-na <italic>ig-re</italic> anše <italic>ù sá-ri-dí-im iš-tù Hu-ra-ma</italic>: <italic>a-di Kà-ni-iš</italic>: <italic>áš-qúl</italic>.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn46">
				<label>46</label>
				<p>Documentos KT 8 34, 35, 36, 37, 39 e 40.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn47">
				<label>47</label>
				<p>KT 8 36: 16-20, <italic>ma-na</italic> 2 gín <italic>be-ú-la-at Ša-lim-A-šùr kà-ṣa-ri-im</italic> 2 gín kù-babbar 1 <italic>lu-bu-šu</italic>.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn48">
				<label>48</label>
				<p>Tipo de pacote específico para estanho e tecido.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn49">
				<label>49</label>
				<p>A corda era provavelmente feita de couro. Esse objeto servia para fixar a carga ao animal. (<xref ref-type="bibr" rid="B21">Dercksen, 2004a</xref>:275-276).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn50">
				<label>50</label>
				<p>KT 8 34:1-14, 5 <italic>ú-kà-pu-ú ša</italic> 4 anše<sup>hi-a</sup> 
 <italic>zu-ur-/zu</italic> 4 <italic>ma-at-li-iš-hu</italic> 3 <italic>ma-as-ra-du mi-ma a-nim</italic> PN <italic>zu-u-zu</italic> 1 <italic>ma-at-li-iš-hu-&lt;um&gt;</italic> 2 <italic>eb-le si-kà-tim</italic> 1 <italic>ma-as-ra-dum (...) mi-ma a-nim</italic> PN.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn51">
				<label>51</label>
				<p>KT 8 33:1-6, 18 túg <italic>šu-ru-tim ù</italic> 10 túg <italic>ku-ta-ni</italic> 2 gú an.na <italic>li-wi-sú</italic> (...) 2 anše <italic>ṣa-la-me</italic>.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn52">
				<label>52</label>
				<p>Nesse contexto, cada talento pesa 30 quilos.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn53">
				<label>53</label>
				<p>Provavelmente um tipo de tecido comum, encontrado em maior frequência na documentação paleoassíria. Era feito de lã e media cerca de 4,5m × 4,0m (<xref ref-type="bibr" rid="B40">Michel &amp; Veenhof 2010</xref>:234-235).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn54">
				<label>54</label>
				<p>Esse adjetivo só ocorre no contexto paleoassírio e parece indicar um tecido de cor escura e de boa qualidade, uma vez que tinha custo elevado e foi dado como presente para rainhas anatólias (<xref ref-type="bibr" rid="B40">Michel &amp; Veenhof 2010</xref>:244).</p>
			</fn>
		</fn-group>
		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn55">
				<label>55</label>
				<p>FATTORI, A. Os Asnos no período paleoassírio: animais indispensáveis à vida do mercador e ao funcionamento do comércio (Mesopotâmia, Idade do Bronze Médio). <italic>R. Museu Arq. Etn</italic>. 42: 31-50, 2024.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn56">
				<label>56</label>
				<p>FATTORI, A. Donkeys in the Old Assyrian period: animals that were vital to merchants’ life and the operation of trade (Mesopotamia, Middle Bronze Age). <italic>R. Museu Arq. Etn</italic>. 42: &lt;1st page&gt;-0, 2024.</p>
			</fn>
		</fn-group>
	</back>
</article>