Infância, som fantasma (Corpo de baile)
DOI:
https://doi.org/10.11606/2316901X.n94.2026.%25pPalavras-chave:
Espectralidade, Infância, SonoridadeResumo
Este ensaio analisa a arquitetura de Corpo de baile e seu diálogo com Primeiras estórias, destacando as repetições que articulam as duas obras. A partir de “Campo geral” e “Buriti”, argumenta-se que a infância permanece como presença fantasmática na narrativa, na linguagem e na própria concepção rosiana de ficção. A análise mostra como a trajectória de Miguilim/Miguel se organiza através de ecos, inversões e regressos, destacando a sonoridade – cantos de pássaros, ruídos noturnos, ecos e silêncios – como elemento que conecta presença e ausência, infância e pós-infância. A figura de Zequiel, em “Buriti”, evidencia essa poética da escuta, na qual os sons da noite se tornam um espaço de inscrição das memórias e dos fantasmas de Miguel. Defende-se, assim, que a sonoridade é princípio estruturante da narrativa de Guimarães Rosa e da sua reflexão sobre a experiência, a memória e a ficção.
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