Regimes de distância, mobilidade e o “periurbano interno” em São Paulo
DOI :
https://doi.org/10.11606/2316901X.n93.2026.e10786Mots-clés :
Espacialidade, Urbanidade, Periurbanização interna.Résumé
O objetivo deste texto é articular lógicas espaciais urbanas contemporâneas com os regimes de distâncias gerados, as condições de mobilidade derivadas e as espacialidades propiciadas. O campo empírico de referência é a metrópole de São Paulo. Argumenta-se que a cidade São Paulo viveu nos últimos 40 anos um processo de “periurbanização interna”, de construção de um espaço fora do lugar, que perturbou o regime de distâncias típico de cidades densas, introduzindo uma estrutura espacial em rede (formada por condomínios fechados e shopping malls) com outro regime de distâncias que favorece e estimula a automobilização da cidade, o que termina sendo uma grande fonte dos problemas de mobilidade urbana da metrópole. Falta assinalar que a argumentação é permeada por uma concepção de mobilidade urbana que extrapola sua dimensão técnica e a situa como um dos valores constitutivos da vida urbana, da urbanidade.
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