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				<journal-title>Revista do Instituto de Estudos Brasileiros</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Rev. Inst. Estud. Bras.</abbrev-journal-title>
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			<issn pub-type="ppub">0020-3874</issn>
			<issn pub-type="epub">2316-901X</issn>
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				<publisher-name>Instituto de Estudos Brasileiros</publisher-name>
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			<article-id pub-id-type="doi">10.11606/issn.2316-901X.v0i70p13-14</article-id>
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					<subject>EDITORIAL</subject>
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				<article-title>Na batida do samba: comemorando a 70 <sup> a </sup> publicação da  <italic>Revista do Instituto de Estudos Brasileiros</italic></article-title>  
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						<surname>Simioni</surname>
						<given-names>Ana Paula Cavalcanti</given-names>
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						<surname>Paixão</surname>
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						<surname>Toni</surname>
						<given-names>Flávia Camargo</given-names>
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					<institution content-type="original">Editores. Docentes e pesquisadores do Instituto de Estudos Brasileiros - USP.</institution>
					<institution content-type="normalized">Universidade de São Paulo</institution>
					<institution content-type="orgdiv1">Instituto de Estudos Brasileiros</institution>
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			<pub-date pub-type="epub-ppub">
				<season>May-Aug</season>
				<year>2018</year>
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			<volume>70</volume>
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		<p>A presente edição da <italic>Revista do Instituto de Estudos Brasileiros</italic> abre com um dossiê, organizado pelos professores Walter Garcia e Gabriel Lima Rezende, dedicado a um tema especial - o Centenário do Samba no Brasil. O próprio marco utilizado para reunir tantos especialistas no assunto, ou seja, o sucesso de “Pelo telefone”, em 1917, samba com autoria registrada por Donga (Ernesto dos Santos) na Biblioteca Nacional, já merecera muitas discussões e bibliografia. Mas a efeméride comporta e comportará ainda muitas análises e revisões, além de enfoques novos. Para tanto, dez artigos assinados por especialistas brasileiros e estrangeiros voltam-se para essa prática crucial para a formação, compreensão, vivência e crítica da “cultura brasileira”, a partir de posturas interpretativas e metodológicas diversas. Como esclarecem os organizadores em sua apresentação, “o conjunto heterogêneo permite uma visão panorâmica, mas não integral, da diversidade que as pesquisas sobre o samba apresentam atualmente”. Apesar de longeva, a <italic>RIEB</italic> ainda não se rendera ao ritmo sincopado do samba e agora o faz, associando-se aos colegas não para contrariar o verso popular dizendo que isto não se aprende na escola, mas para demonstrar que ainda há espaço para a reflexão e novas pesquisas.</p>
		<p>Além disso, a revista apresenta ao leitor três artigos, duas resenhas e um texto de Sérgio Buarque de Holanda na seção Documentação. Seguindo a ordem da publicação, iniciamos com o artigo “Entrada dos Palmitos: aspectos pagãos na Festa do Divino Espírito Santo em Mogi das Cruzes - SP”, assinado pela professora Neusa de Fátima Mariano. A autora analisa uma das festas populares brasileiras de mais longa duração - a Festa do Divino. Suas origens remontam à devoção à Rainha Dona Isabel, celebrada desde o século XIV em Portugal, inserindo-se no Brasil por meio do processo de colonização. O texto aborda especialmente o modo como tais festividades são hoje reinterpretadas em comunidades de Mogi das Cruzes, no interior de São Paulo, associando-se a comensalidades de origem pagã, o que permite interpretar tais práticas de um modo dinâmico, assinalando-as como vetores de resistência cultural.</p>
		<p>A seguir, apresentamos o artigo do professor da Northwestern University César Braga-Pinto, intitulado “De <italic>Pureza</italic> (1937) a <italic>Pureza</italic> (1940) - José Lins do Rego e o cinema de Chianca de Garcia”. Braga-Pinto contrasta um dos romances menos estudados de José Lins do Rego, <italic>Pureza</italic>, com uma adaptação que foi feita para o cinema, três anos depois, pelo diretor português Chianca de Garcia (ainda menos conhecido pelo público brasileiro). Além da originalidade do tema, o texto ilumina aspectos relevantes da política cultural do Estado Novo, durante o qual ambas as obras foram produzidas. Vale ainda ressaltar o desafio metodológico de cotejar obras provenientes de campos estéticos distintos, como o cinema e a literatura.</p>
		<p>O terceiro artigo - “Inquietações de um viajante no apogeu do stalinismo” - é assinado pelo professor de Literatura da USP Fabio Cesar Alves. A partir dos relatos realizados por Graciliano Ramos sobre a viagem que fez à União Soviética em inícios da década de 1950, o autor discute três dimensões: o relato enquanto forma literária; o modo com que o texto refere-se a uma realidade efetiva; e, por fim, a recepção da obra em seu contexto de publicação. O autor tenciona entender como o escritor militante logrou, por meio da narrativa, discutir, ainda que indiretamente, aspectos cruciais da autocracia stalinista. </p>
		<p>A seção Resenhas traz primeiramente o texto da professora Anna Faedrich sobre o livro <italic>A literatura como arquivo da ditadura brasileira</italic>, de Eurídice Figueiredo, fruto de uma pesquisa acadêmica sólida, em que se revisita a produção literária da geração 1968, alinhavada às memórias da própria autora. A resenhista destaca a relevância da publicação para uma compreensão densa das narrativas sobre tal traumático período. O segundo texto é assinado pelos pós-doutorandos em Antropologia Social na USP Rodrigo Ramassote e Luís Felipe Sobral. Ambos se debruçam sobre o livro <italic>A viagem como vocação. Itinerários, parcerias e formas de conhecimento</italic>, de Fernanda Arêas Peixoto, lançado pela Edusp em 2015, resultado da tese de livre-docência defendida pela autora junto ao Departamento de Antropologia da USP. O texto frisa a relevância teórica e metodológica da obra para a compreensão tanto da circulação de temas, agentes, ideias entre França e Brasil, bem como da complexidade do sentido da experiência da “viagem” em suas muitas acepções. Como bem demonstrado, trata-se de um livro capital para a área de pensamento social brasileiro.</p>
		<p>Finalmente, mas não menos importante, a revista se encerra com um “achado” de Raphael Guilherme de Carvalho, pós-doutorando no IEB/USP. O autor transcreve e analisa uma conferência de Sérgio Buarque de Holanda, realizada entre os anos de 1967 e 1969 no Centro de Estudos Históricos Afonso Taunay (CEHAT) da Universidade de São Paulo. A palestra, que permaneceu inédita e, por isso, tem sido até hoje pouco explorada em sua crítica, versa sobre a epistemologia da história. Como se depreende do texto e da análise empreendida pelo pesquisador, o leitor terá em suas mãos um documento capital para a compreensão do pensamento de Sérgio Buarque de Holanda. Desejamos a todos uma estimulante leitura! </p>
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