Di Cavalcanti: “mulatismo”, boemia e militância em perspectiva
DOI:
https://doi.org/10.11606/2316901X.n93.2026.e10774Palavras-chave:
Modernismo brasileiro, Pintura, Arte e políticaResumo
A crítica consolidada sobre Di Cavalcanti frequentemente enfatizou sua relação com a boemia, destacando suas experiências urbanas e sua interação intelectual e artística. Essa abordagem, no entanto, marginalizou seu compromisso com a arte social e com a militância política. Embora tenha sido considerado por Mário de Andrade, em 1932, como o “mulatista-mor”, exaltando a cultura popular e a miscigenação, sua obra revela um engajamento social e político mais profundo, frequentemente negligenciado pelas leituras tradicionais. Este artigo propõe uma revisão crítica das leituras históricas de sua arte, investigando como Di Cavalcanti estruturou sua produção visual a partir de um compromisso político-social, especialmente entre as décadas de 1920 e 1930, quando sua atuação como artista se entrelaçou com debates sobre nacionalismo, socialismo e identidade popular.
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