Comprometimento respiratório secundário a acidente ofídico crotálico (Crotalus durissus)

Autores/as

  • Carlos Faria Santos Amaral Universidade Federal de Minas Gerais; Hospital das Clínicas; Centro de Tratamento Intensivo; Departamento de Clínica Medica
  • Renato Almeida Magalhães Universidade Federal de Minas Gerais; Hospital das Clínicas; Centro de Tratamento Intensivo; Departamento de Clínica Medica
  • Nilton Alves de Rezende Universidade Federal de Minas Gerais; Hospital das Clínicas; Centro de Tratamento Intensivo; Departamento de Clínica Medica

Palabras clave:

Insuficiência respiratória aguda, Acidente ofídico, Crotalus durissus

Resumen

São analisados três pacientes que apresentaram comprometimento da função respiratória após acidente por Crotalus durissus. As manifestações respiratórias surgiram nas primeiras 48 horas após a picada do ofídio e consistiram de dispnéia, taquipnéia, uso da musculatura acessória da respiração (casos 1 e 2) e batimento das aletas nasais (caso 2). Dois pacientes (casos 1 e 2) apresentaram insuficiência respiratória aguda. O diagnóstico desta complicação no caso 1 foi clínico pois o paciente apresentou apnéia. O paciente do caso 2, 24 horas após o acidente ofídico apresentou dificuldade respiratória intensa e períodos de apnéia sendo intubado, permanecendo em respiração espontânea. Houve agravamento dos sinais clínicos de insuficiência respiratória e a determinação de pH e gases do sangue arterial mostrou em relação ao exame inicial elevação da pressão parcial de gás carbônico (40 mmHg para 50,3 mm Hg) caracterizando insuficiência ventilatória aguda. Ambos foram tratados com emprego de ventilação artificial mecânica, tendo o paciente do caso 1 permanecido no ventilador durante 33 dias e o do caso 2 durante 15 dias. Ambos desenvolveram insuficiência renal aguda, necessitaram de diálise peritoneal e recuperaram a função renal. A paciente do caso 3, apesar dos sintomas e sinais de comprometimento respiratório não apresentou alterações do pH e gases arteriais. Espirometria realizada 58 horas após o acidente mostrou capacidade vital forçada (CVF) e volume espirado no primeiro segundo (VEF1) abaixo do previsto (60 e 67% respectivamente). As espirometrias realizadas nos dias subseqüentes evidenciaram melhora progressiva destes parâmetros. No 10º dia após o acidente constatou-se aumento de 20% da CVF e de 17% do VEF1 comparativamente ao exame inicial. A relação entre VEF1 e a CVF manteve-se praticamente inalterada e em valores próximos ao previsto, caracterizando distúrbio ventilatório do tipo restritivo. O comprometimento respiratório nestes pacientes foi atribuído à ação da crotoxina na musculatura respiratória desde que não se encontravam presentes outras condições etiológicas que pudessem ocasioná-lo como uremia avançada, atelectasias, infecção pulmonar, hipopotassemia, congestão e edema pulmonar agudo.

Descargas

Los datos de descarga aún no están disponibles.

Referencias

Publicado

1991-08-01

Número

Sección

Original Article

Cómo citar

Amaral, C. F. S., Magalhães, R. A., & Rezende, N. A. de. (1991). Comprometimento respiratório secundário a acidente ofídico crotálico (Crotalus durissus) . Revista Do Instituto De Medicina Tropical De São Paulo, 33(4), 251-255. https://revistas.usp.br/rimtsp/article/view/28831