Infecção por citomegalovírus em crianças institucionalizadas portadoras da síndrome de Down no Brasil

Autores

  • Cynthia L. Motta do CANTO Universidade de São Paulo; Faculdade de Medicina; Departamento de Doenças Infecciosas e Parasitárias; Laboratório de Virologia (LIMHC), Instituto de Medicina Tropical de São Paulo
  • Celso F. H. GRANATO Universidade Federal de São Paulo; Escola Paulista de Medicina; Departamento de Doenças Infecciosas e Parasitárias; Laboratório de Virologia
  • Elisa GARCEZ APAE
  • Lucy S. VILLAS BOAS Universidade de São Paulo; Faculdade de Medicina; Departamento de Doenças Infecciosas e Parasitárias; Laboratório de Virologia (LIMHC), Instituto de Medicina Tropical de São Paulo
  • M. Cristina D. S. FINK Universidade de São Paulo; Faculdade de Medicina; Departamento de Doenças Infecciosas e Parasitárias; Laboratório de Virologia (LIMHC), Instituto de Medicina Tropical de São Paulo
  • Marli P. ESTEVAM Universidade de São Paulo; Faculdade de Medicina; Departamento de Doenças Infecciosas e Parasitárias; Laboratório de Virologia (LIMHC), Instituto de Medicina Tropical de São Paulo
  • Claudio S. PANNUTI Universidade de São Paulo; Faculdade de Medicina; Departamento de Doenças Infecciosas e Parasitárias; Laboratório de Virologia (LIMHC), Instituto de Medicina Tropical de São Paulo

Palavras-chave:

Cytomegalovi, Down Syndr, Day-care cen, Transmiss, Virus shedd

Resumo

O objetivo do presente estudo foi avaliar a prevalência de infecção pelo CMV em 120 crianças de 1-15 anos de idade, com síndrome de Down, que frequentavam uma instituição para atendimento de crianças portadoras de deficiência mental em São Paulo, Brasil. Uma amostra de sangue foi obtida de cada criança no início do estudo para detecção de anticorpos anti-CMV (IgG e IgM) por imunofluorescência indireta. Das crianças positivas para anticorpos IgG, 3 amostras de saliva e urina foram obtidas com intervalo de 3 meses entre elas, para detectar presença do CMV por cultura em fibroblastos humanos, detecção de antígeno pp65 do CMV ou reação em cadeia por polimerase (PCR). A prevalência de anticorpos IgG na admissão foi de 76,6% (92/120) e anticorpos IgM foram detectados em 13% (12/92) das amostras IgG positivas. Durante a primeira avaliação virológica, CMV foi detectado na urina e/ou saliva de 43,3% (39/90) das crianças soropositivas. Na segunda e terceira avaliações CMV foi demonstrado em 41/89 (46%) e 35/89 (39,3%) das crianças, respectivamente. Nestas avaliações, presença do CMV foi documentada tanto na urina quanto na saliva em 28/39 (71,8%), 19/41 (46,3%) e 20/35 (57,1%) das crianças excretoras. Além disso, 33/49 (67,4%) das crianças estavam excretando CMV na saliva ou urina em pelo menos duas das tres avaliações virológicas realizadas durante o estudo. Aproximadamente 18 meses após a primeira coleta, soroconversão para IgG anti-CMV foi documentada em 10/26 (38,5%) das crianças inicialmente soronegativas. Levando em conta todas as 536 amostras de urina ou saliva examinadas por isolamento viral e detecção de antígeno pp65 do CMV, observou-se que 159 (29,6%) foram positivas por isolamento viral e 59 (11%) foram positivas por pesquisa de antígeno pp65. Este estudo demonstra que há uma alta taxa de excreção do CMV na urina e saliva em crianças com síndrome de Down que frequentam creches, e um alto risco de infecção por este vírus em crianças susceptíveis que frequentam estas instituições. O isolamento viral mostrou-se mais sensível que a detecção de antígeno pp65 do CMV, tanto em amostras de urina quanto em amostras de saliva.

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Referências

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Publicado

2000-08-01

Edição

Seção

Virologia

Como Citar

CANTO, C. L. M. do, GRANATO, C. F. H., GARCEZ, E., VILLAS BOAS, L. S., FINK, M. C. D. S., ESTEVAM, M. P., & PANNUTI, C. S. (2000). Infecção por citomegalovírus em crianças institucionalizadas portadoras da síndrome de Down no Brasil . Revista Do Instituto De Medicina Tropical De São Paulo, 42(4), 179-184. https://revistas.usp.br/rimtsp/article/view/30436