Agentes infecciosos em ateromas coronarianos: um possível papel na patogênese da ruptura da placa e infarto agudo do miocárdio

Autores

  • Maria de Lourdes HIGUCHI Universidade de São Paulo; Faculdade de Medicina; Hospital das Clínicas; Instituto do Coração
  • Jose A. F. RAMIRES Universidade de São Paulo; Faculdade de Medicina; Hospital das Clínicas; Instituto do Coração

Palavras-chave:

Chlamydia pneumoniae, Mycoplasma pneumoniae, Infection, Atherosclerosis, Vulnerable plaque, Myocardial infarction

Resumo

Nesta revisão relatamos recentes achados nossos sobre aspectos histológicos de instabilidade da placa e a associação com Mycoplasma pneumoniae (MP) e Chlamydia pneumoniae (CP), estudando segmentos de artéria coronária trombosados de pacientes que faleceram por infarto agudo do miocárdio. Placas vulneráveis são conhecidas como sendo placas gordurosas e com inflamação. Aqui demonstramos que a vulnerabilidade está também relacionada com remodelamento positivo do vaso o qual pode preservar a luz do vaso mesmo na presença de uma placa de ateroma grande. Grande quantidade dessas bactérias em placas vulneráveis está associada a inflamação da adventícia e remodelamento positivo do vaso: o número médio de linfócitos foi significativamente maior na adventícia do que na placa, e boas correlações diretas foram obtidas entre os números médios de células B CD20 e os números de células infectadas por CP na adventícia, e entre as % de áreas positivas para MP na placa e as áreas em secção transversal dos respectivos vasos, sugerindo uma relação de causa - efeito entre esses agentes infecciosos e vulnerabilidade da placa. Micoplasma é uma bactéria que necessita colesterol para a proliferação e pode aumentar a virulência de outros agentes infecciosos. Em conclusão, co-infecção por Mycoplasma pneumoniae e Chlamydia pneumoniae pode representar um importante co-fator de instabilidade da placa, levando a trombose da placa coronariana e infarto agudo do miocárdio, pois a maior quantidade dessas bactérias mostrou forte correlação com sinais histológicos de maior vulnerabilidade da placa. A pesquisa nesses tecidos de CMV e Helicobacter pilori foi negativa.

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Referências

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Publicado

2002-07-01

Edição

Seção

Revisão a Convite

Como Citar

HIGUCHI, M. de L., & RAMIRES, J. A. F. (2002). Agentes infecciosos em ateromas coronarianos: um possível papel na patogênese da ruptura da placa e infarto agudo do miocárdio . Revista Do Instituto De Medicina Tropical De São Paulo, 44(4), 217-224. https://revistas.usp.br/rimtsp/article/view/30626