Provável vasculite leucocitoclástica induzida pelo uso de metimazol/tiamazol
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2176-7262.rmrp.2025.222566Palavras-chave:
Vasculite leucocitoclástica cutânea, Metimazol, FarmacovigilânciaResumo
A indústria farmacêutica dedica-se às pesquisas, desenvolvimento, fabricação e distribuição de fármacos voltados ao tratamento e prevenção de doenças. O desenvolvimento de um fármaco, passa obrigatoriamente por etapas de pesquisa experimental e pesquisa clínica. É possível que novos fármacos apresentem efeitos colaterais adversos não observados na pesquisa experimental e testes clínicos. No Brasil, cabe a ANVISA, por meio da farmacovigilância, monitorar, identificar e avaliar a ocorrência de eventos adversos relacionados aos medicamentos utilizados na população. Em 2012, a Biolab Sanus Farmacêutica Ltda, lançou no Brasil, o medicamento TAPAZOL® para tratamento clínico de hipertireoidismo. Em 2018, uma mulher de 59 anos, hipertensa, com obesidade mórbida, asma, hipertireoidismo, diabetes mélitus tipo 2 e diagnóstico de carcinoma basocelular invasivo no lábio superior, deu entrada em um hospital particular de São Paulo, com queixa de manchas vermelhas em membros. Após a evolução das lesões para extensas ulcerações, considerou-se com respaldo em exames laboratoriais e na literatura médica cientifica, que a paciente apresentava quadro de Vasculite Leucocitoclastica (VL) provavelmente induzida pelo uso do medicamento Metimazol/Tiamazol. O quadro evoluiu para extensas ulcerações e gangrena autolimintante, com desfecho de amputação dos 2° e 3° quirodáctilos e 9 dedos pododáctilos. A recuperação total ocorreu após 28 semanas de internação. METODOLOGIA: Estudo de caso, retrospectivo, com apresentação de dados qualitativos de um evento real. Foram analisados prontuários médicos, resultados e laudos de exames e as condutas médicas. Este estudo foi realizado após aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da UFT - CAAE n.º 73029523.5.0000.5519, parecer N°: 6.262.298. OBJETIVO: Relatar o caso incomum de VL provavelmente desencadeada pelo uso do fármaco Metimazol/Tiamazol. CONSIDERAÇÕES FINAIS: A VL é uma reação de hipersensibilidade grave que pode estar associada ao uso contínuo do Metimazol/Tiamazol, medicamento para tratamento clínico do hipertireoidismo. A interação entre o medicamento, o uso concomitante aos fármacos de outras comorbidades no organismo humano ainda não são completamente compreendidas no meio científico. O tempo de uso do Metimazol/Tiamazol e o início dos primeiros sintomas também não são claros. Mas a retirada precoce do fármaco pode contribuir para um desfecho positivo desses casos.
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