Provável vasculite leucocitoclástica induzida pelo uso de metimazol/tiamazol

Autores

  • Heloi Bruna Ribeiro Melo Universidade Federal do Tocantins, Palmas, (TO), Brasil
  • Catherine Marie de Campos Menezes Rosa Universidade Federal do Tocantins, Palmas, (TO), Brasil
  • Marina Rodrigues de Almeida Pinto Ribeiro Hospital Adventista de São Paulo, (SP), Brasil
  • Dorival Duarte de Lima Hospital Adventista de São Paulo, (SP), Brasil
  • Victor Rodrigues Nepomuceno Universidade Federal do Tocantins, Palmas, (TO), Brasil

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2176-7262.rmrp.2025.222566

Palavras-chave:

Vasculite leucocitoclástica cutânea, Metimazol, Farmacovigilância

Resumo

A indústria farmacêutica dedica-se às pesquisas, desenvolvimento, fabricação e distribuição de fármacos voltados ao tratamento e prevenção de doenças. O desenvolvimento de um fármaco, passa obrigatoriamente por etapas de pesquisa experimental e pesquisa clínica. É possível que novos fármacos apresentem efeitos colaterais adversos não observados na pesquisa experimental e testes clínicos. No Brasil, cabe a ANVISA, por meio da farmacovigilância, monitorar, identificar e avaliar a ocorrência de eventos adversos relacionados aos medicamentos utilizados na população. Em 2012, a Biolab Sanus Farmacêutica Ltda, lançou no Brasil, o medicamento TAPAZOL® para tratamento clínico de hipertireoidismo. Em 2018, uma mulher de 59 anos, hipertensa, com obesidade mórbida, asma, hipertireoidismo, diabetes mélitus tipo 2 e diagnóstico de carcinoma basocelular invasivo no lábio superior, deu entrada em um hospital particular de São Paulo, com queixa de manchas vermelhas em membros. Após a evolução das lesões para extensas ulcerações, considerou-se com respaldo em exames laboratoriais e na literatura médica cientifica, que a paciente apresentava quadro de Vasculite Leucocitoclastica (VL) provavelmente induzida pelo uso do medicamento Metimazol/Tiamazol. O quadro evoluiu para extensas ulcerações e gangrena autolimintante, com desfecho de amputação dos 2° e 3° quirodáctilos e 9 dedos pododáctilos. A recuperação total ocorreu após 28 semanas de internação. METODOLOGIA: Estudo de caso, retrospectivo, com apresentação de dados qualitativos de um evento real. Foram analisados prontuários médicos, resultados e laudos de exames e as condutas médicas. Este estudo foi realizado após aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da UFT - CAAE n.º 73029523.5.0000.5519, parecer N°: 6.262.298. OBJETIVO: Relatar o caso incomum de VL provavelmente desencadeada pelo uso do fármaco Metimazol/Tiamazol. CONSIDERAÇÕES FINAIS: A VL é uma reação de hipersensibilidade grave que pode estar associada ao uso contínuo do Metimazol/Tiamazol, medicamento para tratamento clínico do hipertireoidismo. A interação entre o medicamento, o uso concomitante aos fármacos de outras comorbidades no organismo humano ainda não são completamente compreendidas no meio científico. O tempo de uso do Metimazol/Tiamazol e o início dos primeiros sintomas também não são claros. Mas a retirada precoce do fármaco pode contribuir para um desfecho positivo desses casos.

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Biografia do Autor

  • Heloi Bruna Ribeiro Melo, Universidade Federal do Tocantins, Palmas, (TO), Brasil

    Discente

  • Catherine Marie de Campos Menezes Rosa, Universidade Federal do Tocantins, Palmas, (TO), Brasil

    Discente

  • Marina Rodrigues de Almeida Pinto Ribeiro, Hospital Adventista de São Paulo, (SP), Brasil

    Médica

  • Dorival Duarte de Lima, Hospital Adventista de São Paulo, (SP), Brasil

    Médico

  • Victor Rodrigues Nepomuceno, Universidade Federal do Tocantins, Palmas, (TO), Brasil

    Doutorado em Ciência

     

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Publicado

2026-03-31

Edição

Seção

Relato de Caso

Como Citar

1.
Melo HBR, Rosa CM de CM, Ribeiro MR de AP, Lima DD de, Nepomuceno VR. Provável vasculite leucocitoclástica induzida pelo uso de metimazol/tiamazol. Medicina (Ribeirão Preto) [Internet]. 31º de março de 2026 [citado 1º de abril de 2026];58(4):e-222566. Disponível em: https://revistas.usp.br/rmrp/article/view/222566