Custo do tratamento com inibidor de bomba de prótons e fatores socioeconômicos: uma análise espacial
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2176-7262.rmrp.2025.224549Palavras-chave:
Inibidores da bomba de prótons, Modelos de interação espacial, FarmacoeconomiaResumo
Introdução: Os inibidores de bomba de prótons (IBPs) são medicamentos amplamente utilizados no tratamento de doenças gastrointestinais e normalmente apresentam equivalência terapêutica. Entretanto, sua aquisição pode ser dificultada pelas disparidades socioeconômicas em diferentes regiões de um mesmo local. Objetivo: Caracterizar o perfil de consumo de IBPs e sua relação com as características socioeconômicas do local de residência em uma capital do Nordeste brasileiro. Métodos: Foi realizado um estudo transversal com 295 pacientes que adquiriram IBPs em uma rede privada de farmácias comunitárias composta por 22 unidades. Os dados foram obtidos por meio de entrevistas estruturadas, tratados estatisticamente e combinados com análises geoespaciais para correlacionar o local de residência, a renda e a obtenção de IBPs. Resultados: 86,8% das aquisições foram feitas com prescrições médicas, emitidas por gastroenterologistas (50,7%), principalmente para dispepsia e refluxo gastroesofágico (78,5%). Os dados socioeconômicos mostraram uma predominância de pacientes com renda abaixo de cinco salários-mínimos (70,1%). Todavia, não se identificou autocorrelação espacial entre a prescrição de IBPs e as variáveis socioeconômicas analisadas. Conclusões: O estudo identificou ausência de autocorrelação espacial entre as variáveis socioeconômicas e o uso de IBPs. Áreas com maior IDH demonstram um perfil favorável à aquisição desses medicamentos, enquanto as com menor IDH enfrentam desafios para tal. No entanto, essa discrepância não tem sido considerada nas práticas de prescrição, particularmente em áreas economicamente desfavorecidas, o que pode limitar potencialmente o acesso à farmacoterapia adequada.
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