Análise dos efeitos do treinamento físico com restrição de fluxo sanguíneo nos níveis hormonais, bioquímicos e hematológicos
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2176-7262.rmrp.2025.226917Palavras-chave:
Treinamento com restrição de fluxo sanguíneo, Exercício físico, Revisão sistemática, Hormônios, SangueResumo
O método de treinamento físico com restrição de fluxo sanguíneo provoca alterações nos componentes físicos, promovendo a reabilitação de lesões e modificações nos níveis sanguíneos e fisiológicos. O objetivo deste estudo foi revisar sistematicamente o efeito do exercício físico com restrição de fluxo sanguíneo sobre os níveis hormonais, bioquímicos e hematológicos. Trata-se de uma revisão sistemática que seguiu as recomendações do PRISMA e utilizou a escala TESTEX para avaliar a qualidade metodológica dos estudos. As bases de dados utilizadas foram PubMed, Web of Science, Scopus, Science Direct e CINAHL. Os marcadores booleanos “AND” e “OR” foram utilizados nos seguintes descritores do MeSH e DeCS, “Blood Flow Restriction Therapy”, “Kaatsu Training”, “Blood Occlusion”, “Hormone”, “Biochemical” e “Hematologic". Os dados foram extraídos e exportados para o software Rayyan Intelligent Systematic Review (software pode ser sem itálico). Inicialmente foram encontrados 838 artigos e após a realização das triagens metodologicamente propostas, 7 artigos foram lidos e avaliados de forma integral. Os principais achados foram que, (1) exercícios leves combinados com restrição vascular provocam uma resposta do hormônio de crescimento maior do que exercícios moderados e intensos sem oclusão, (2) exercícios associados a BFR provocam efeitos agudos e adaptações na insulina, glicemia e na glicose plasmática após 12 semanas de intervenção, e (3) o hematócrito aumentou em 10% antes, durante e após nos grupos que fizeram treino com oclusão vascular. Por meio de estudos com alto nível de evidência, tanto o treinamento resistido quanto o exercício aeróbico associado à restrição de fluxo sanguíneo foi capaz de promover alterações nos níveis hematológicos, bioquímicos e, sobretudo, nos parâmetros hormonais. Todas as variáveis apresentaram efeitos agudos. No entanto, apenas os parâmetros bioquímicos e hormonais evidenciaram modificações crônicas.
Downloads
Referências
ABAD, C. et al. Efeito do destreinamento na composição corporal e nas capacidades de salto vertical e velocidade de jovens jogadores da elite do futebol brasileiro. Rev. Andal. Med. Deporte, v. 9, n. 3, p. 124–130, 2016.
ABE, Takashi; KEARNS, Charles F.; SATO, Yoshiaki. Muscle Size and Strength Increase After Leg Muscle Venous Blood Flow Restriction Walking Training, Kaatsu Walking Training. Revista de fisiologia aplicada, v. 100, n. 5, pág. 1460-1466, 2006.
ANDRIOLO, A. O laboratório clínico e os intervalos de referência. Jornal Brasileiro de Patologia e Medicina Laboratorial, v. 46, n. 6, dez. 2010.
BARJASTE, A. et al. Concomitant aerobic-and hypertrophy-related skeletal muscle cell signaling following blood flow-restricted walking. Science & Sports, v. 36, n. 2, p. e51-e58, 2021.
BARNETT, A. Using recovery modalities between training sessions in elite
athletes: does it help? Sports Medicine (Auckland, N.Z.), v. 36, n. 9, p. 781–796,
BARRETO, Lucas Sfair et al. ALTERAÇÕES DE PARÂMETROS HORMONAIS DE IDOSOS SUBMETIDOS A DOIS SISTEMAS DE TREINAMENTO RESISTIDO COM CARGAS DE TREINO EQUALIZADAS. In: Anais do Conic-Semesp, 4., 2016, São Paulo. Anais [...] São Paulo: SEMESP, 2016. p. 1 - 7.
BRUNO, Yuri Amorim. Efeitos do treinamento de força com oclusão de fluxo sanguíneo sobre a hipertrofia muscular: uma revisão de literatura. 2016. 25f. Monografia (Graduação em Educação Física Bacharelado). Pedra Branca, 2016.
CAMBRI, Lucieli Teresa et al. Efeito agudo e crônico do exercício físico no perfil glicêmico e lipídico em diabéticos tipo 2. Motriz. Journal of Physical Education. UNESP, p. 238-248, 2007.
CARVALHO, A. P. V.; SILVA, V.; GRANDE, A. J. Avaliação do risco de viés de ensaios clínicos randomizados pela ferramenta da colaboração Cochrane. Diagn Tratamento [Internet]. 2013 [cited 2022 May 12]; 18 (1): 38-44. 2013.
CORDEIRO, Elisaldo Medes et al. Alterações hematológicas e bioquímicas oriundas do treinamento de combate em atletas de Kung fu Olímpico. Fitness & performance journal, v. 6, n. 4, p. 255-261, 2007.
COSWIG, Victor Silveira; DA SILVA NEVES, Arthur Hipolito; DEL VECCHIO, Fabricio Boscolo. Respostas bioquímicas, hormonais e hematológicas a lutas de jiu-jitsu brasileiro. Revista Brasileira de Ciência e Movimento, v. 21, n. 2, p. 19-30, 2013.
DANTAS, Pedro Augusto Mariz. Efeito agudo do precondicionamento isquêmico em diferentes compressões de restrição de fluxo sanguíneo no desempenho anaeróbio de indivíduos treinados. 2023. 70 f. Dissertação (Mestrado em Saúde, Desempenho e Movimento Humano) – Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa-PB, 2023.
DE ARAÚJO, Marcelo Rangel. A influência do treinamento de força e do treinamento aeróbio sobre as concentrações hormonais de testosterona e cortisol. Motricidade, v. 4, n. 2, p. 68-76, 2008.
DE LIMA, Filipe Dinato et al. Respostas hematológica agudas ao teste incremental máximo em esteira. Motricidade, v. 12, n. 3, p. 39-44, 2016.
DE SOUSA, Maria do Socorro Cirilo et al. O método de treinamento com restrição de fluxo sanguíneo: percepção e análise crítica do processo metodológico e de sua utilização. Motricidade, v. 18, n. 2, p. 307-311, 2022.
DE SOUZA, Rodrigo Poderoso. Crossfit: Efeitos Agudos e Adaptações Crônicas e Imunológicas em Indíviduos Submetidos a 6 Meses de Treinamento Físico. 2020. Tese de Doutorado. Universidade de Tras-os-Montes e Alto Douro (Portugal), 2020.
DEL VECCHIO, F. B.; COSWIG, V. S.; NEVES, A. H. S. Wrestling combat sports: biochemical, hematologic and hormonal responses. Braz J Exerc Physiol, v. 11, n. 4, p. 246-54, 2012.
DESCRITORES DE CIÊNCIA DA SAÚDE. DeCS, 2021. Disponível
http://decs.bvs.br/cgibin/wxis1660.exe/decsserver/?IsisScript=../cgibin/decsserver/decsserver.xis&interface_language=p&previous_page=hge&previus_task=NULL&task=start>. Acesso em: 10 de Nov de 2023.
DOS SANTOS CARVALHO, Anderson et al. Exercício físico e seus benefícios para a saúde das crianças: uma revisão narrativa. Jair, v. 13, n. 1, 2021.
DOS SANTOS, Ardiles Vitor et al. Recuperação muscular através do treinamento com restrição de fluxo sanguíneo. Brazilian Journal of Health Review, v. 3, n. 6, p. 19182-19190, 2020.
FERNANDES JÚNIOR, Márcio Lopes. Efeito agudo do exercício contrarresistência com restrição de fluxo sanguíneo nos marcadores da função endotelial. 2019. 92 f. Dissertação (Mestrado em Aspectos Biopsicossociais do Exercício Físico e Aspectos Biopsicossociais do Esporte) - Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2019.
FRANÇA, Ingrid Martins de. Efeitos da restrição de fluxo sanguíneo aplicada antes ou após o exercício nos marcadores indiretos de dano muscular: uma revisão sistemática e metanálise. 2021. Dissertação de Mestrado. Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2021.
FRY, C. S.; GLYNN, E. L.; DRUMMOND, M. J.; TIMMERMAN, K. L.; FUJITA, S.; ABE, T.; DHANANI, S.; VOLPI, E.; RASMUSSEN, B. B. Blood flow restriction exercise stimulates mTORC1 signaling and muscle protein synthesis in older men. Journal of applied physiology, v. 108, n. 5, p. 1199-1209, 2010.
GALVÃO, C. M. Níveis de evidência. Acta Paulista de Enfermagem, v. 19, p. 5-5, 2006.
GALVÃO, Taís Freire; PEREIRA, Mauricio Gomes. Revisões sistemáticas da literatura: passos para sua elaboração. Epidemiologia e serviços de saúde, v. 23, p. 183-184, 2014.
GOLLNICK, P. D. Free fatty acid turnover and the availability of substrates as a limiting factor in prolonged exercise. Annals of the New York academy of sciences, v. 301, p. 64-71, 1977.
GRUTTER, K; BOTTINO, D. A; FARINATTI, P. T. V; OLIVEIRA, R. V. Aspectos metodológicos e aplicações clínicas dos exercícios com restrição do fluxo sanguíneo. Revista HUPE, 2013.
GUIMARÃES, Brenda Mendonça; ALVES, Rafael Ribeiro; LOPES, Lorena Cristina Curado. Aplicabilidade do treinamento com oclusão vascular para incremento de hipertrofia e força muscular: estudo de revisão. International Journal of Movement Science and Rehabilitation, v. 2, n. 1, p. 4-15, 2020.
HOLLOSZY, J. O. Biochemical adaptations in muscle: effects of exercise on mitochondrial oxygen uptake and respiratory enzyme activity in skeletal muscle. Journal of biological chemistry, v. 242, n. 9, p. 2278-2282, 1967.
IIDA, Haruko et al. Effects of walking with blood flow restriction on limb venous compliance in elderly subjects. Clinical physiology and functional imaging, v. 31, n. 6, p. 472-476, 2011.
JURIME, J.; JURIME, T.; PURGE, P. Testosterona plasmática e respostas de cortisol ao remo prolongado em remadores competitivos masculinos. Revista de ciências do esporte, v. 19, n. 11, pág. 893-898, 2001.
LEMOS, Leonardo Kesrouani. Efeitos do exercício resistido associado à restrição de fluxo sanguíneo nos desfechos cardiovasculares e na modulação autonômica cardíaca: uma revisão sistemática com metanálise e um ensaio clínico randomizado controlado. 2021. 142f. Dissertação de mestrado. Universidade Estadual Paulista, Presidente Prudente-SP, 2021.
LI, Shuoqi et al. Effect of High-Intensity Interval Training Combined with Blood Flow Restriction at Different Phases on Abdominal Visceral Fat among Obese Adults: A Randomized Controlled Trial. International Journal of Environmental Research and Public Health, v. 19, n. 19, p. 11936, 2022.
LIEM, D. A. et al. Sites of action of adenosine in interorgan preconditioning oftheheart. American Journal of Physiology. Heart and Circulatory Physiology, v.283, n. 1, p. H29-37, jul. 2002.
MACK, GARY W. et al. Influence of exercise intensity and plasma volume on active cutaneous vasodilation in humans. Medicine and science in sports and exercise, v. 26, n. 2, p. 209-216, 1994.
MANINI, Todd M. et al. Growth hormone responses to acute resistance exercise with vascular restriction in young and elderly men. Pesquisa sobre Hormônio do Crescimento e IGF, v. 5, pág. 167-172, 2012.
MEDEIROS, Emily Machado et al. Fluxograma. In: III Mostra de Pesquisa, Ensino e Extensão do IFRS-Campus Viamão. 2018.
MELNYK BM, FINEOUT-OVERHOLT E. Evidence-based in nursing & healthcare: a guide to best practice. Philadelphia: Wolters Kluwer Health; 2015.
MOHER, D. et al. Preferred reporting items for systematic reviews and meta-analyses: The PRISMA statement. PLoS Medicine, jul. 2009. Acesso em: 25 maio. 2023.
MOLE, P. A. et al. Adaptation of muscle to exercise: increase in levels of palmityl CoA synthetase, carnitine palmityltransferase, and palmityl CoA dehydrogenase, and in the capacity to oxidize fatty acids. The Journal of clinical investigation, v. 50, n. 11, p. 2323-2330, 1971.
MONTEIRO, Maria de Fátima; SOBRAL FILHO, Dário C. Exercício físico e o controle da pressão arterial. Revista brasileira de medicina do esporte, v. 10, p. 513-516, 2004.
MOREHOUSE, C. A. Development and maintenance of isometric strength of subjects with diverse initial strengths. Research Quarterly, Washington, DC, v. 38, n. 3, p. 449-456, 1967.
MURRY, C. E., JENNINGS, R. B. & REIMER, K. A. (1986). Preconditioning withischemia: a delay of lethal cell injury in ischemic myocardium. Circulation. 741124- 1136. Disponível em: <https://doi.org/10.1161/01.CIR.74.5.1124>. Acesso em: 10 de Nov de 2023.
NETO, Gabriel R. et al. Efeito agudo e crônico do treinamento de força com restrição de fluxo sanguíneo contínua ou intermitente sobre as medidas hemodinâmicas e percepção subjetiva de esforço em homens saudáveis. Motricidade, v. 14, p. 71-82, 2018.
OLKOSKI, Mabel Micheline et al. Respostas bioquímicas e físicas ao treinamento realizado dentro e fora da água em atletas de futsal. Motriz: Revista de Educação Física, v. 19, p. 432-440, 2013.
OUZZANI, M. et al. Rayyan-a web and mobile app for systematic reviews. Systematic Reviews, v. 5, n. 1, p. 210, 5 dez. 2016.
POTON, R; POLITO, M. D. Respostas Cardiovasculares durante Exercício Resistido com Restrição de Fluxo Sanguíneo. Rev Bras Cardiol. 2014.
PRÉCOMA, Dalton Bertolim et al. Atualização da diretriz de prevenção cardiovascular da Sociedade Brasileira de Cardiologia-2019. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 113, p. 787-891, 2019.
REEVES, G. V.; KRAEMER, R. R.; HOLLANDER, D. B.; CLAVIER, J.; THOMAS, C.; FRANCOIS, M.; CASTRACANE, V. D. Comparison of hormone responses following light resistance exercise with partial vascular occlusion and moderately difficult resistance exercise without occlusion. Journal of applied physiology, v. 101, n. 6, p. 1616-1622, 2006.
REIS FILHO, Ricardo Wagner; ARAÚJO, Juliana Coutinho de; VIEIRA, Eny Maria. Hormônios sexuais estrógenos: contaminantes bioativos. Química Nova, v. 29, p. 817- 822, 2006.
ROCHA, Rafael Junio Lima et al. Respostas Imunológicas ao Treinamento de Body Pump: um estudo piloto. motricidade, p. 130.
SANTOS, Adeilma Lima dos et al. Treinamento de força com restrição de fluxo sanguíneo: alterações metabolicas inflamatórias, composição corporal e desempenho neuromuscular em homens com sobrepeso: estudo randomizado. 2019. 88 f. Dissertação (Mestrado em Saúde, Desempenho e Movimento Humano) – Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa-PB, 2019.
SATO, Yoshiaki. A história e o futuro do treinamento KAATSU. International Journal of KAATSU Training Research , v. 1, n. 1, pág. 1-5, 2005.
SCHOENFELD, B. J.; WILSON, J. M.; LOWERY, R P.; KRIEGER, J. W. Muscular adaptations in low-versus high-load resistance training: a meta-analysis. European Journal of Sport Science, v. 16, n.1-10, 2016.
SOUSA, Leandro Lima de. Influência do exercício de força com diferentes volumes de tempo sob restrição do fluxo sanguíneo: efeitos sobre o dano muscular, respostas perceptuais e metabólicas em sujeitos saudáveis. 2021. 52 f. Dissertação (Programa Stricto Sensu em Educação Física) - Universidade Católica de Brasília, 2021.
TAKAISHI, Tetsuo et al. Mudanças no volume sanguíneo e no nível de oxigenação em um músculo em atividade durante um ciclo de manivela. Medicina & Ciência no Esporte & Exercício, v. 3, pág. 520-528, 2002.
TAKANO, Haruhito et al. Hemodynamic and hormonal responses to a short-term low-intensity resistance exercise with the reduction of muscle blood flow. European journal of applied physiology, v. 95, p. 65-73, 2005.
TAKARADA, Yudai et al. Effects of resistance exercise combined with moderate vascular occlusion on muscular function in humans. Journal of applied physiology, v. 88, n. 6, p. 2097-2106, 2000.
UCHIDA, Marco Carlos et al. Efeito de diferentes protocolos de treinamento de força sobre parâmetros morfofuncionais, hormonais e imunológicos. Revista Brasileira de Medicina do Esporte, v. 12, p. 21-26, 2006.
VANCINI, R. L.; LUNZ, W.; CASTARDELI, E.; LEOPOLDO, A. S.; ANDRADE, M. S.; LIRA, C. A. B. Respostas fisiológicas do sistema muscular esquelético ao exercício físico e à obesidade. In: FERREIRA, L. G.; LUNZ, W. Tópicos em fisiologia e bioquímica com ênfase no exercício e treinamento físico [recurso eletrônico]. Vitória: EDUFES, 2020. p. 29-52.
YOKOKAWA, Y.; HONGO, M.; URAYAMA, H.; NISHIMURA, T.; KAI, I. Effects of low-intensity resistance exercise with vascular occlusion on physical function in healthy elderly people. Bioscience trends, v. 2, n. 3, p. 117-123, 2008.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Direitos autorais (c) 2026 Miranilton Lucena Sousa, Felipe Paulino Silva, Júlio César Gomes da Silva, Antônio Filipe Pereira Caetano, Humberto Lameira Miranda, Maria do Socorro Cirilo-Sousa

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.



