Capacidade do isolamento domiciliar após o diagnóstico de Covid-19 em comunidades populares de duas cidades brasileiras: Estudo TQT Covid-19

Autores

  • Audêncio Victor Universidade de São Paulo. Faculdade de Saúde Pública
  • Fabiane Soares Universidade Federal da Bahia. Instituto de Saúde Coletiva
  • Diana Zeballos Universidade Federal da Bahia. Instituto de Saúde Coletiva. Salvador, BA, Brasil
  • Thais Aranha Rossi Universidade Federal da Bahia. Instituto de Saúde Coletiva
  • Joilson Nascimento Paim Universidade Federal da Bahia. Instituto de Saúde Coletiva
  • Thiago Silva Torres Fundação Oswaldo Cruz. Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas
  • Debora Castanheira Fundação Oswaldo Cruz. Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas
  • Valdiléia Gonçalves Veloso Fundação Oswaldo Cruz. Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas
  • Inês Dourado Universidade Federal da Bahia. Instituto de Saúde Coletiva
  • Laio Magno Universidade Federal da Bahia. Instituto de Saúde Coletiva

DOI:

https://doi.org/10.11606/s1518-8787.2026060006674

Palavras-chave:

Covid-19, Isolamento Social, Saúde Pública, Epidemiologia, Brasil

Resumo

OBJETIVO: Investigar os fatores associados à capacidade autorreferida de cumprimento do isolamento domiciliar após o diagnóstico de Covid-19 em comunidades vulnerabilizadas de duas cidades brasileiras. MÉTODOS: Estudo de corte transversal com dados de um estudo de implementação de uma intervenção baseada em estratégias de testagem, isolamento, quarentena e telemonitoramento (TQT) para Covid-19 na Atenção Primária à Saúde em bairros vulnerabilizados (Estudo TQT Covid-19). Foram utilizados dados demográficos, socioeconômicos e comportamentais para realizar análises descritivas e de regressão logística, visando avaliar os fatores associados à capacidade de isolamento domiciliar. RESULTADOS: A amostra foi composta por 324 participantes, sendo a maioria do sexo feminino (72,5%) e autodeclarada preta ou parda (85,2%). Em relação à escolaridade, 20,1% possuíam até o ensino fundamental; 42%, ensino médio; e 37,9%, ensino superior ou pós-graduação. A densidade de pessoas por cômodo foi alta em 57,1% dos domicílios. Na análise multivariada, a alta densidade domiciliar (≥ 0,5 moradores/cômodo) esteve significativamente associada a menor capacidade de isolamento (ORa = 0,41; IC95% 0,20–0,82). As demais variáveis sociodemográficas e comportamentais, incluindo idade, sexo, raça/cor, escolaridade, histórico de infecção por Covid-19, acesso aos serviços de saúde e comportamentos preventivos, não apresentaram associação estatisticamente significativa. CONCLUSÃO: O estudo indica que condições habitacionais, especialmente a alta densidade domiciliar, podem ser um determinante para a adesão ao isolamento domiciliar. Assim, estratégias inovadoras de prevenção devem combinar ações educativas e estruturais que considerem o contexto domiciliar de famílias em situação de vulnerabilidade.

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Publicado

2026-04-23

Edição

Seção

Artigos Originais

Como Citar

Victor, A., Soares, F., Zeballos, D., Rossi, T. A., Paim, J. N., Torres, T. S., Castanheira, D., Veloso, V. G., Dourado, I., & Magno, L. (2026). Capacidade do isolamento domiciliar após o diagnóstico de Covid-19 em comunidades populares de duas cidades brasileiras: Estudo TQT Covid-19. Revista De Saúde Pública, 60(S1), e247971. https://doi.org/10.11606/s1518-8787.2026060006674