Custo da cesta básica saudável e sustentável no Brasil entre 2009 e 2024
DOI:
https://doi.org/10.11606/Palavras-chave:
Alimentação Saudável, Alimentação Básica, Índice de Preços ao Consumidor, Análise de CustosResumo
OBJETIVO: Avaliar a evolução do custo de uma proposta de cesta básica saudável e sustentável, nacional e para as regiões metropolitanas, entre 2009 e 2024. MÉTODOS: Foram utilizados dados de aquisição de alimentos (quantidades e valores pagos) provenientes das Pesquisas de Orçamentos Familiares de 2008–2009 e 2017–2018. Os grupos de alimentos que compõem as cestas foram baseados na dieta planetária Eat-Lancet e em instrumentos regulatórios oficiais. O Índice de Preço ao Consumidor Amplo referente aos alimentos e grupos de alimentos foi utilizado para atualização mensal dos preços dos itens consumidos pela população brasileira no contexto das Pesquisas de Orçamentos Familiares que compõem a cesta básica proposta. Descontou-se a inflação acumulada no período para comparação de valores monetários ao longo do tempo, calculando-se o valor real das cestas básicas. RESULTADOS: O custo real da cesta básica nacional proposta manteve-se relativamente estável entre 2009 e 2012, apresentando posterior tendência de crescimento até início de 2017, incluindo crescimento mais expressivo entre 2018 e 2024. Padrão similar foi observado nas cestas básicas das regiões metropolitanas. O custo (adulto/mês) representou em média 26% do salário-mínimo vigente em cada ano do período de análise e 19% da renda per capita média nacional entre 2010 e 2023. A participação dos grupos de alimentos no custo da cesta proposta manteve-se estável no período. CONCLUSÃO: Houve um aumento no custo real da cesta básica saudável e sustentável proposta em nível nacional e regional, particularmente a partir de 2018. Ademais, o valor da cesta básica saudável e sustentável apresentou tendência de aumento em relação à renda média per capita da população, especialmente a partir de 2018.
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