Saúde, sono e falta de tempo: relações com o trabalho profissional e doméstico em enfermeiras

Autores/as

  • Luciana Fernandes Portela Fundação Instituto Oswaldo Cruz; Departamento de Biologia; Laboratório de Educação em Ambiente e Saúde
  • Lúcia Rotenberg Fundação Instituto Oswaldo Cruz; Departamento de Biologia; Laboratório de Educação em Ambiente e Saúde
  • William Waissmann Fundação Instituto Oswaldo Cruz; Escola Nacional de Saúde Pública; Centro de Estudos da Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana

DOI:

https://doi.org/10.1590/S0034-89102005000500016

Palabras clave:

Jornada de trabalho, Trabalho feminino, Sono, Enfermeiras, Gerenciamento do tempo, Saúde

Resumen

OBJETIVO: Avaliar a associação entre a carga de trabalho profissional e doméstico com doenças e queixas sobre o sono e falta de tempo em enfermeiras. MÉTODOS: Estudo exploratório transversal com profissionais de enfermagem do sexo feminino (N=206) de um hospital público no Rio de Janeiro, Brasil. Os dados foram obtidos por meio de questionário. Foram estimadas as razões de prevalência e seus intervalos de confiança de 95%. RESULTADOS: A duração média das jornadas semanais profissional e doméstica foram de 40,4h e 31,6h, respectivamente. Jornadas profissionais longas (acima de 44h) se associaram ao relato de tensão, ansiedade ou insônia (RP=1,37;IC 95%: 1,05-1,80), à falta de tempo para o descanso/lazer (RP=1,61; IC 95%: 1,31-1,97), o cuidado da casa (RP=1,48; IC 95%: 1,12-1,97) e dos filhos (RP=1,99; IC 95%: 1,51-2,63). Jornadas domésticas longas (acima de 28h) se associaram à menor prevalência de queixas de falta de tempo para os filhos (RP=0,62; IC 95%: 0,46-0,84). A alta sobrecarga doméstica relacionou-se à falta de tempo para si e ao relato de varizes (RP=1,31; IC 95%: 1,14-1,50 e RP=1,31; IC 95%: 1,08-1,58, respectivamente). Este último também foi mais freqüente entre aquelas cuja carga total de trabalho excedeu 84h (RP=1,30; IC 95%: 1,05-1,61), embora tenham apresentado menor prevalência do relato de hipertensão arterial e de dor de cabeça freqüente (RP=0,35; IC 95%: 0,15-0,83 e RP=0,53; IC 95%: 0,32-0,89, respectivamente). CONCLUSÕES: Os resultados sugerem que há que se valorizar tanto a esfera profissional quanto a doméstica na avaliação da sobrecarga de trabalho sobre a saúde e a vida socio-familiar de enfermeiras. Ressalta-se a demanda por instrumentos de análise que levem em conta as cargas laborais totais que se impõem sobre populações femininas.

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Publicado

2005-10-01

Número

Sección

Artigos Originais

Cómo citar

Portela, L. F., Rotenberg, L., & Waissmann, W. (2005). Saúde, sono e falta de tempo: relações com o trabalho profissional e doméstico em enfermeiras . Revista De Saúde Pública, 39(5), 802-808. https://doi.org/10.1590/S0034-89102005000500016