Recrudescimento da tuberculose no estado de São Paulo pós-covid-19: tendências e clusters
DOI:
https://doi.org/10.11606/s15188787.2025059006987Palabras clave:
Tuberculose, COVID-19, Recrudescimento, Tendências, Saúde PúblicaResumen
OBJETIVO: Analisar o recrudescimento da tuberculose no estado de São Paulo após a pandemia de covid-19, identificando tendências temporais e clusters espaciais da doença. MÉTODOS: Estudo ecológico de casos de tuberculose notificados no TBWeb em todos os municípios paulistas entre janeiro de 2015 e dezembro de 2023. Foram aplicadas técnicas de decomposição temporal, análise de séries temporais interrompidas por mês e análise espacial por municípios (índice global de Moran e Getis-Ord Gi*) para identificar tendências, mudanças abruptas associadas à pandemia e clusters de alta incidência, mortalidade e desfechos do tratamento. Os períodos pré-pandêmico (01/2015 a 01/2020), pandêmico (02/2020 a 04/2022) e pós-pandêmico (05/2022 a 12/2023) foram analisados separadamente. RESULTADOS: Observou-se o recrudescimento da tuberculose no período pós-pandêmico, com aumento de 21,2% no número de municípios com incidência > 110 casos por 100 mil habitantes. Verificou-se aumento progressivo da tendência de mortalidade em 0,0026 (IC95% 0,0016 a 0,0035) mortes por 100.000 habitantes ao mês após a pandemia. Enquanto houve queda gradual de 0,67% (IC95% -1,099 a -0,246) ao mês na proporção de cura após a pandemia. Foi constatada a persistência de clusters de alta incidência na região de Presidente Prudente em todos os períodos, e novos clusters em Marília e Registro após a pandemia. As áreas com altos índices de mortalidade persistiram nas regiões de Taubaté, Baixada Santista, Grande São Paulo, Registro, Sorocaba e Campinas em todos os períodos. CONCLUSÃO: O recrudescimento da tuberculose em São Paulo no contexto pós-pandemia evidencia a necessidade de estratégias direcionadas para diagnóstico precoce, fortalecimento do tratamento e monitoramento intensivo em regiões identificadas como clusters, especialmente aquelas com populações vulneráveis e desafios estruturais dos serviços de saúde.
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