Violência por parceiro íntimo e fatores associados entre mulheres adultas: um estudo de base populacional
DOI:
https://doi.org/10.11606/s15188787.2026060007176Palabras clave:
Violência por Parceiro Íntimo, Violência contra a Mulher, Estudos Populacionais em Saúde Pública, BrasilResumen
OBJETIVO: O estudo investigou a prevalência de violência por parceiro íntimo na vida em mulheres de 20 a 69 anos, residentes na zona urbana de São Leopoldo (RS) e os fatores associados. MÉTODOS: Trata-se de estudo transversal de base populacional, no qual foram entrevistadas 1.113 mulheres. O desfecho foi o autorrelato de violência por parceiro íntimo na vida e avaliou-se variáveis sociodemográficas, saúde física, mental e comportamentos. Realizou-se uma análise estratificada por geração etária. RESULTADOS: Verificou-se prevalência de 17,9% (IC95% 15,6–20,1) de violência por parceiro íntimo na amostra. Na análise ajustada, associaram-se ao desfecho a menor classe econômica, ter tido infecções sexualmente transmissíveis na vida e a presença de transtornos mentais comuns. Na análise estratificada, mulheres entre 20 e 39 anos tiveram 13,7% (IC95% 10,5–16,8) de violência por parceiro íntimo na vida, com quase três vezes mais probabilidade entre aquelas com transtornos mentais comuns. Já nas mulheres com 40 anos ou mais a prevalência foi de 20,7% (IC95% 17,6–23,8), sendo que aquelas com classe econômica mais baixa, solteiras, divorciadas ou viúvas, com autorrelato de infecções sexualmente transmissíveis e presença de transtornos mentais comuns tiveram mais probabilidade do desfecho. Análises interseccionais secundárias revelaram maior prevalência de violência por parceiro íntimo entre mulheres pretas ou pardas com baixa escolaridade (RP = 1,67; IC95% 1,14–2,45) e brancas com baixa escolaridade (RP = 1,58; IC95% 1,14–2,19), comparadas às brancas com maior escolaridade. CONCLUSÕES: O estudo demonstrou alta prevalência de violência por parceiro íntimo na vida, o que reforça a necessidade de políticas públicas que melhorem as condições socioeconômicas das mulheres, bem como programas integrados de prevenção à violência de gênero que incorporem cuidados em saúde mental no acolhimento às vítimas.
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