Insistindo em revoluções: a problematização como “arma teórica” para a prática terapêutico-ocupacional social
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2238-6149.v35i1-3e237247Palavras-chave:
Terapia ocupacional social, Cotidiano, Problematização, Mudança social, RevoluçãoResumo
Frente ao cotidiano, marcado pela alienação, que consome as possibilidades de uma vida com mais liberdade, é importante para terapeutas ocupacionais compreender (para agir) as forças do capitalismo que vêm devorando as bases naturais, culturais, políticas e sociais - nas variadas dimensões, macro e microssociais - da vida. Por isso, é necessária uma perspectiva revolucionária que tenha a problematização como “arma teórica” para desenvolver uma prática terapêutico-ocupacional antiopressiva e que tenha a criação de “zonas de liberdade” como intencionalidade. A fim de fundamentar essa assertiva, discutimos dois aspectos neste ensaio: a superação idealista de que a terapia ocupacional é essencialmente boa e inocente, lidando assim com seu potencial, já demonstrado pela história, de produzir violências, para que seja possível assumir um compromisso técnico-político contra-hegemônico; e, sob tais parâmetros, a proposição de terapeutas ocupacionais enquanto agentes de problematização, em ações, junto aos indivíduos e coletivos, que contribuam para que a vida cotidiana aconteça melhor. Trata-se de compreender a História como possibilidade, o que não quer dizer negar seus condicionantes culturais, sociais, políticos e econômicos, mas reconhecê-los como não determinantes, afirmando a responsabilidade ética de ser e estar no e com o mundo e, assim, insistir na diretriz de transformá-lo coletivamente.
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