Significados da morte e do morrer a partir de experiências de sepultadores paulistas

Autores

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2238-6149.v36e242169

Palavras-chave:

Morte, Trabalho, Sepultadores

Resumo

A morte de um ser humano constitui-se como processo biológico influenciado por determinantes socioculturais, temporais e religiosos. No Brasil, a colonização e o modo de produção capitalista interferem no manejo da morte. Historicamente, a revolução higienista do século XIX substituiu as inumações em igrejas pela criação de cemitérios, fazendo do sepultador uma figura central. Estes profissionais são expostos à precariedade laboral, discriminação social e à angústia dos enlutados. Objetivou-se compreender como as experiências laborais de sepultadores paulistas influenciam sua significação da morte. Trata-se de estudo qualitativo de inspiração etnográfica, desenvolvido em 2024, a partir de observação participante, entrevistas e diário de campo. Para apreciação dos achados utilizou-se análise de conteúdo temática. Os resultados evidenciaram que a forma como o morrer se dá, a faixa etária e a apresentação do corpo morto são aspectos que influenciam a percepção da morte e a elaboração do luto pelos sepultadores. Este processo também é atravessado pela espiritualidade e pelas estratégias coletivas de defesa contra o sofrimento no trabalho. Adicionalmente, compreendeu-se que o trabalho dos sepultadores tangencia processos de cuidado. Espera-se que o estudo fomente discussões sobre as condições trabalhistas e a necessidade de espaços de acolhimento e capacitação profissional a esses trabalhadores.

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Biografia do Autor

  • Lucas Miguel Parra Belmiro, Universidade de São Paulo

    Terapeuta Ocupacional e residente multiprofissional em Saúde Coletiva e Atenção Primária pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

  • Juliana de Oliveira Barros, Universidade de São Paulo

    Possui graduação em Terapia Ocupacional (2006), Mestrado (2010) e Doutorado (2016) em Ciências da Reabilitação, todos pela Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) - Doutorado com período sanduíche no exterior (CNAM, Paris / França - 6 meses), sob a orientação do Prof. Christophe Dejours. Atua no Laboratório de Investigação e Intervenção em Saúde e Trabalho (LIIST) vinculado a área de Terapia Ocupacional do Departamento de Fisioterapia, Fonoaudiologia e Terapia Ocupacional da FMUSP desde fev/2010. Tem como atribuições o desenvolvimento de atividades de ensino (graduação e pós graduação), pesquisa e extensão. É orientadora colaboradora (nível: mestrado) e docente do Programa de Pós Graduação em Ciências da Reabilitação - FMUSP e tutora da Residência Multiprofissional em Promoção da Saúde e Cuidado na Atenção Hospitalar da FMUSP (Área de concentração: Saúde coletiva com ênfase em saúde e trabalho). Editora da área Saúde e Trabalho da Revista de Terapia Ocupacional da USP. Membro ativo da Associação Internacional de Especialistas em Psicodinâmica do Trabalho (LAISPDT - L'Association Internationale des Spécialistes en Psychodynamique du Travail). Tem experiência nos seguintes temas: Saúde Mental e Trabalho; Psicopatologia e Psicodinâmica do Trabalho; Saúde e Trabalho; Saúde do Trabalhador; Reabilitação e Readaptação Profissional, Retorno e Permanência no Trabalho. Mãe da Sophia (licença maternidade jan - jul/2018) e da Leticia (licença maternidade fev - ago/2020).

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Publicado

2026-10-27

Edição

Seção

Artigo Original

Como Citar

Belmiro, L. M. P., & Barros, J. de O. (2026). Significados da morte e do morrer a partir de experiências de sepultadores paulistas. Revista De Terapia Ocupacional Da Universidade De São Paulo, 36. https://doi.org/10.11606/issn.2238-6149.v36e242169