A Rússia na obra de Gustavo Barroso: um estudo imagológico
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2317-4765.rus.2026.245842Ключевые слова:
Gustavo Barroso, Literatura Brasileira, Literatura Russa, Imagologia, IntegralismoАннотация
Propõe-se uma leitura imagológica e crítica da obra de Gustavo Barroso, perpassando por três esferas: a literária, a doutrinária e a tradutória. No caso das obras literárias, o foco recai sobre dois contos escritos antes da adesão do autor ao integralismo, “Autokrator” e “A rapariga de Kiev”, com o objetivo de apontar como neles se constrói uma heteroimagem da Rússia como espaço de atavismos e autoritarismos. Essa heteroimagem seria posteriormente reaproveitada nas obras doutrinárias do autor, vinculadas à Ação Integralista Brasileira, articulando-se à elaboração de uma autoimagem desejada para o Brasil — barreira ao devir-oriental e aspirante a um devir-ocidental, espiritualizado e coeso. No entanto, a relação barrosiana com a Rússia revela-se mais ambígua, o que se evidencia em sua tradução de Jesus Desconhecido, de Dmitri Merejkóvski, obra que, ao sintetizar as inquietações políticas e espirituais de Barroso, parece sugerir a cultura russa como referência para a autoimagem nacional integralista.
Скачивания
Библиографические ссылки
BARROSO, Gustavo. Aquem da Atlântida. Rio de Janeiro: Companhia Editora Nacional, 1931a
BARROSO, Gustavo. O bracelete de safiras. Rio de Janeiro: Editora Americana, 1931b.
BARROSO, Gustavo. O santo do Brejo. Rio de Janeiro: Renascença Editora, 1933.
BARROSO, Gustavo. O Quarto Império. Rio de Janeiro: José Olympio Editora, 1935.
BARROSO, Gustavo. O Espírito do Século XX. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1936a.
BARROSO, Gustavo. O Integralismo em marcha. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1936b.
BARROSO, Gustavo. O Integralismo e o mundo. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1936c.
BARROSO, Gustavo. A ronda dos séculos. Rio de Janeiro: José Olympio, 1937a.
BARROSO, Gustavo. Reflexões de um bode. Rio de Janeiro: Gráfica Educadora Ltda., 1937b.
BARROSO, Gustavo. Comunismo, cristianismo e corporativismo. Rio de Janeiro: Empresa Editora ABC, 1938.
BERMAN, Marshall. The Politics of Authenticity. Nova York: Atheneum, 1972.
BOTTMANN, Denise. Três coleções. TradTerm, v. 34, p. 5-26, São Paulo, 2019.
CHASIN, José. O Integralismo de Plínio Salgado: forma de regressividade no capitalismo hipertardio. São Paulo: Livraria Editora Ciências Humanas Ltda., 1978.
DYSERINCK, Hugo. As fontes da teoria da négritude como objeto de estudo da imagologia literária. Trad. KarolamZimber. In: Ribeiro de Sousa, Celeste (org. e apresentação). Imagologia. Coletânea de ensaios de Hugo Dyserinck I. São Paulo, Instituto Martius-Staden, 2005a.
DYSERINCK, Hugo. Imagologia literária: para além da imanência e transcendência da obra. Trad. Moriçá de Souza Torres. In: Ribeiro de Sousa, Celeste (org. e apresentação). Imagologia. Coletânea de ensaios de Hugo Dyserinck I. São Paulo, Instituto Martius-Staden, 2005b.
GOMIDE, Bruno Barreto. Da estepe à caatinga: o romance russo no Brasil (1887-1936). Tese (Doutorado em Letras) — Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Estudos da Linguagem, Campinas, 2004.
GOMIDE, Bruno Barreto. Dostoiévski na Rua do Ouvidor: a literatura russa e o Estado Novo. São Paulo: Edusp, 2018.
LÖWY, Michael. Para uma Sociologia dos Intelectuais Revolucionários: a evolução política de Lukács (1909-1929). Trad. Heloísa Helena A. Mello e Agostinho Ferreira Martins. São Paulo: Cortez, 1998.
LUKÁCS, György. História e consciência de classe. Trad. Rodnei Nascimento. São Paulo: Martins Fontes, 2003.
MELO, Alfredo Cesar Barbosa de. A formação como nacional-ocidentalização. Revista Criação & Crítica, n. 26, p. 136-148, 2020.
MENDES, Murilo. Integralismo, mística desviada. Anuário de Literatura, v. 9, n. 9, p. 37–40, 2001. Disponível em: <https://periodicos.ufsc.br/index.php/literatura/article/view/5108>. Acesso em: 19 ago. 2024.
MEREJKOVSKY, Dmitri. Jesus desconhecido. Trad. Gustavo Barroso. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1935.
MORETTI, Franco. Distant reading. Verso: Londres, 2013.
RAGO FILHO, Antônio. A crítica romântica à miséria brasileira: o integralismo de Gustavo Barroso. 1989. 443 f. Dissertação (Mestrado em História) — Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 1989.
RIBEIRO DE SOUSA, Celeste. Perspectivas imagológicas. Apresentação. In: Ribeiro de Sousa, Celeste (org. e apresentação). Imagologia. Coletânea de ensaios de Hugo Dyserinck I. São Paulo, Instituto Martius-Staden, 2005.
SCHWARZ, Roberto. Ao vencedor as batatas. São Paulo: Editora 34, 2000.
TRINDADE, Hélgio. Integralismo. In: Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC). Atlas histórico do Brasil. Rio de Janeiro: Editora FGV, 1978.
VAN DOORSLAER, Luc. Embedding Imagology in Translation Studies (among others), Slovo.ru: baltijskij accent, Vol. 10, № 3, p. 56—68, 2019. Disponível em: https://cyberleninka.ru/article/n/embedding-imagology-in-translation-studies. Acesso em: 24 abr. 2025.
WARWICK RESEARCH COLLECTIVE (WReC). Combined and Uneven Development: Towards a New Theory of World-Literature. Liverpool: Liverpool University Press, 2015.
WELLEK, René. Conceitos de crítica. Trad. Oscar Mendes. São Paulo: Cultrix, 1977.
Загрузки
Опубликован
Выпуск
Раздел
Лицензия
Copyright (c) 2026 João Marcos Cilli de Araujo

Это произведение доступно по лицензии Creative Commons «Attribution-NonCommercial-ShareAlike» («Атрибуция — Некоммерческое использование — На тех же условиях») 4.0 Всемирная.
Авторы, желающие опубликовать свои работы в журнале «РУС», соглашаются со следующими требованиями:
a. Авторы сохраняют за собой авторское право и предоставляют журналу право первой публикации, при этом работа одновременно лицензируется в соответствии с лицензией Creative Commons Атрибуция 4.0 Всемирная (CC BY-NC-SA 4.0), согласно которой разрешаются последующие публикации работы с подтверждением авторства и ссылкой на первоначальную публикацию в данном журнале.
b. Авторы имеют право отдельно заключать дополнительные контракты для неэксклюзивного распространения версии работы, опубликованной в данном журнале (например, публикация в институциональном репозитории или в виде книги), с подтверждением авторства и ссылкой на первоначальную публикацию в данном журнале.
c. Авторам разрешено и рекомендуется публиковать и распространять свою работу в Интернете (например, в институциональных хранилищах или на их личной странице) в любой момент до или во время редакционного процесса, поскольку это может привести к качественным изменениям, а также увеличить импакт-фактор и цитирование опубликованной работы (см. «Влияние свободного доступа» (O Efeito do Acesso Livre)

