Os modos de (não) fazer saúde para mulheres trans e travestis no “território líquido”

Autores

DOI:

https://doi.org/10.1590/S0104-12902025240533pt

Palavras-chave:

Mulheres Trans, Travestis, Atenção Básica, Amazonas

Resumo

A partir de um espaço dinâmico, em constante movimento e transformação, aqui denominado “território líquido”, buscamos compreender os modos de (não) fazer saúde voltados para mulheres trans e travestis. Trata-se de um estudo qualitativo, de caráter descritivo e compreensivo-interpretativo, construído a partir das experiências narradas por trabalhadoras da Atenção Básica à saúde e por mulheres trans e travestis usuárias, em Manaquiri, município do Amazonas. A análise das narrativas revelou três eixos principais que organizaram os sentidos do cuidado ou da sua ausência: “Não conheço”; “Não atendo”; e “Então não faço nada sobre isso”. Tal sequência de enunciados sintetiza a lógica institucional que evidencia, sobretudo, práticas de não cuidado, marcadas por silenciamentos, omissões e negação da existência dessas identidades no cotidiano dos serviços. Ao final, ressaltamos que é imperativa a construção de estratégias inclusivas e operacionais que promovam o cuidado efetivo à saúde de mulheres trans e travestis na Atenção Básica. Tais práticas devem se basear no (re)conhecimento da realidade vivida por esses corpos em diferentes contextos territoriais, articulando saberes e afetos capazes de romper com os ciclos históricos de aniquilamento e abrir a principal porta de entrada dos serviços do Sistema Único de Saúde brasileiro para as mulheres trans e travestis.

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Biografia do Autor

  • Willams Costa de Melo, Universidade do Estado do Amazonas

    Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Programa de Pós-graduação em Saúde Coletiva, Manaus, AM, Brasil.

  • Clarisse Braga de Souza, Universidade Federal do Amazonas

    Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Bacharelado em Psicologia, Manaus, AM, Brasil.

  • Fábio Henrique Almeida Dantas, Universidade Federal do Amazonas

    Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Programa de Pós-Graduação em Psicologia, Manaus, AM, Brasil

  • Breno de Oliveira Ferreira, Universidade Federal do Amazonas

    Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Programa de Pós-Graduação em Psicologia, Manaus, AM, Brasil

Referências

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Publicado

2025-12-03

Edição

Seção

Artigos de pesquisa original

Como Citar

de Melo, W. C. ., de Souza, C. B. ., Dantas, F. H. A. ., & Ferreira, B. de O. . (2025). Os modos de (não) fazer saúde para mulheres trans e travestis no “território líquido”. Saúde E Sociedade, 34(4), e240533pt. https://doi.org/10.1590/S0104-12902025240533pt