Adição de álcool como estratégia de destruição da saúde mental do povo negro: da colonização aos dias atuais
DOI:
https://doi.org/10.1590/S0104-12902026250720ptPalavras-chave:
Uso Abusivo de Álcool; População Negra; Colonialidade; Perspectiva Histórica; Saúde Mental.Resumo
Este trabalho buscou identificar a relação entre a colonização, o racismo e a adição de álcool na comunidade negra sob uma perspectiva histórica, e suas repercussões na saúde mental na contemporaneidade. Trata-se de um ensaio. Os povos africanos sempre consumiram álcool, mas a colonização europeia os apresentou à bebida destilada, que foi utilizada para desestabilizar reinados, usurpar terras e comprar negros escravizados. Durante a escravidão no Brasil, o álcool também foi utilizado como ferramenta de controle. Os negros eram incentivados a beber cachaça em excesso a fim de controlar o risco de rebeliões. No pós-abolição, o negro usou o álcool como escape diante da exaustão, fome e ambiente hostil. O estigma do bêbado foi associado à pele negra, especialmente no momento em que se propagavam teorias psiquiátricas de deterioração da raça pelos exageros alcoólicos. Na contemporaneidade, a exposição persistente ao racismo segue produzindo intenso sofrimento mental, relacionado ao aumento do consumo de álcool. Na saúde mental, é necessário analisar as raízes históricas do consumo problemático de álcool na população negra, reconhecer o impacto do racismo enquanto determinante social de saúde e investir em políticas de saúde para combater a opressão que continua a marcar a vida dessa população no Brasil.
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