Vivências de mães de adolescentes com deficiência intelectual: um estudo sobre a intersecção entre raça, gênero e classe social
DOI:
https://doi.org/10.1590/S0104-12902026250026ptPalabras clave:
Deficiência Intelectual, Mulheres, Saúde Mental, Enquadramento InterseccionalResumen
O presente estudo objetiva discutir a intersecção entre gênero, raça e classe social de mães de adolescentes com deficiência intelectual, a fim de fortalecer o debate para as políticas públicas sobre as ações de saúde necessárias para oferecer a equidade, diante da compreensão e visibilidade das múltiplas dimensões de vulnerabilidades presentes nesses contextos. Trata-se de uma pesquisa qualitativa realizada com 12 mães de adolescentes com deficiência intelectual, atendidos em um serviço ambulatorial especializado em saúde mental infantojuvenil. A coleta de dados foi realizada por meio de entrevistas em profundidade e roteiro semiestruturado. Dados analisados com uso do software Iramuteq e da Análise de Conteúdo de Bardin. A maioria das mulheres é negra, possui baixa renda familiar proporcionada por políticas públicas e assume todas as responsabilidades pela criação do filho. Os resultados abordaram quatro classes distintas: vivências de racismo, preconceito e estigma relacionados à deficiência e o papel das políticas públicas; relatos do dia a dia; relações parentais, dependência e perspectivas para o futuro; percurso até o diagnóstico. Observou-se que as mães enfrentam uma realidade desafiadora, na qual se perpetuam os mecanismos de manutenção dos fatores de opressão em um cenário de múltiplas dimensões de vulnerabilidade.
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