As Ciências Sociais e Humanas em Saúde diante dos desafios contemporâneos: ciência, colonialidade, branquitude e arenas epistêmicas
DOI:
https://doi.org/10.1590/S0104-12902026260072ptPalabras clave:
Ciências Sociais e Humanas em Saúde, Saúde Coletiva, Colonialidade do saber, Branquitude, Arenas epistêmicasResumen
Este ensaio aborda os desafios contemporâneos das Ciências Sociais e Humanas em Saúde (CSHS), analisando como contextos marcados por crises sociais, sanitárias, ambientais, políticas e epistêmicas, pela intensificação da produção científica e pela emergência da inteligência artificial (IA) tensionam identidades disciplinares, regimes de visibilidade, legitimidade e autoridade do conhecimento e processos formativos. Sustenta que as CSHS oferecem instrumentos para compreender e desnaturalizar estruturas e produzir conhecimentos situados, ética e politicamente implicados. Em diálogo com debates sobre ciências, colonialidade do saber, branquitude e epistemicídio, argumenta que a ciência moderna instituiu hierarquias epistêmicas persistentes. À luz das críticas à colonialidade do saber, ao racismo científico e à branquitude, as assimetrias epistêmicas não são desvios ocasionais, mas dimensões estruturantes da ciência. O diálogo com a noção de arenas epistêmicas e de ontopolítica permite compreender que os objetos da saúde são produzidos nas práticas e implicam eticamente pesquisadores e docentes na produção dos mundos que investigam e ensinam. Examina a automatização do pensamento e a ampliação das desigualdades epistêmicas. Articulando perspectivas decoloniais, epistemologias situadas e o sentipensar latino-americano, aponta que uma Saúde Coletiva plural exige deslocar privilégios, tensionar a branquitude e fortalecer processos formativos comprometidos com a justiça cognitiva e a equidade social.
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