Por um paradigma de humanidade como ferramenta de produção de cuidado integral na Atenção Primária à Saúde
DOI:
https://doi.org/10.1590/S0104-12902026250482ptPalabras clave:
Racismo e Saúde, Interseccionalidade, Saúde de Lésbicas, Colonialidade e saúde, Atenção Primária à Saúde e Saúde da População Negra.Resumen
Principal porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS), a Atenção Primária à Saúde (APS) posiciona-se como locus privilegiado para garantia de saúde como direito para todos os brasileiros, quando consegue operacionalizar os princípios de universalidade, integralidade e equidade. No desejo de uma produção de cuidado efetivamente integral, conjuntural e capaz de compreender os distintos processos de saúde e adoecimento, a APS tem buscado implementar o paradigma biopsicossocial em lugar do modelo biomédico. Forjados na modernidade/colonialidade e no mito da democracia racial brasileira, tanto o paradigma biomédico como o biopsicossocial falham em reconhecer a racialidade como central na construção de subjetivação e socialização e do racismo interseccionado com outros marcadores sociais de diferença no processo de saúde-adoecimento e cuidado. O presente artigo apresenta o paradigma da humanidade como instrumento capaz de produzir cuidado de maneira desuniversalizada, contextualizada, atenta aos processos de saúde e adoecimento e com vistas à emancipação e bem viver. Tal paradigma, forjado em coprodução de mulheres negras lésbicas, questiona a noção de humanidade fabricada pela modernidade que considera humano o sujeito branco, enquanto desumaniza negros e indígenas. Aponta caminhos para uma clínica capaz de reconhecer a diversidade sociorracial de adoecimento e propor práticas de cuidado que rompem com a lógica desumanizante imposta pela colonialidade.
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