Geração, presença e aprendizados na cozinha
DOI:
https://doi.org/10.1590/S0104-12902026250743ptPalabras clave:
Geração; Habilidades Culinárias; Aprendizado Culinário; Presença; População Negra.Resumen
Neste artigo, discuto os processos de aprendizado culinário em uma perspectiva geracional e relacional, a partir de uma pesquisa etnográfica realizada em cozinhas coletivas e domésticas com pessoas negras residentes em São Paulo. Meu interesse é compreender como o conhecimento culinário é aprendido, desenvolvido e estendido nas relações entre aprendizes e mestres, dentro e fora de casa. Dialogando com as noções de geração e presença, problematizo a ênfase da literatura sobre habilidades culinárias centrada no indivíduo e proponho dois deslocamentos conceituais: o primeiro amplia a noção de habilidade culinária de competência técnica individual para prática relacional; o segundo propõe pensar o conceito de geração de bloco etário fixo para processo contínuo. Argumento que aprender a cozinhar é também desenvolver a habilidade de estar em presença atenta — com os alimentos, com o tempo dos processos, com o que acontece na cozinha e com as pessoas. Por fim, argumento que o conhecimento culinário não se transmite entre blocos de gerações, mas é continuamente estendido entre aprendizes e praticantes habilidosos que se encontram na prática compartilhada de cozinhar.
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