Eu sinto medo: a paranoia negra na Revista Médica de S. Paulo (1898-1914)
DOI:
https://doi.org/10.1590/S0104-12902026250099ptPalabras clave:
História da Psiquiatria; Branquitude; Paranoia; Biopolítica; Racismo Científico.Resumen
O artigo examina a articulação entre medo branco e o diagnóstico psiquiátrico de paranoia no Hospício do Juquery, a partir de publicações na Revista Médica de S. Paulo (1898-1914). A análise se desenvolve em quatro eixos centrais: o papel da Revista na consolidação da autoridade científica paulista; a ideologia da branquitude no pós-abolição; a apropriação, por Franco da Rocha, da teoria da degeneração de Kraepelin; e a patologização de conflitos sociais por meio de um caso clínico, descrito por Enjolras Vampré em 1910. Metodologicamente, o estudo articula a historiografia crítica da Saúde Coletiva (Breilh, 2013) à lógica histórica de Thompson (1981). Os resultados indicam que a paranoia operou como categoria subjetiva que converteu desigualdades raciais e sociais em patologia individual, legitimando práticas de vigilância e segregação. O caso de A. T. C. evidencia como violência policial, dissenso político e religiosidade afro-diaspórica foram traduzidos como delírio, reforçando hierarquias raciais. Conclui-se que a psiquiatria paulista da Primeira República funcionou como tecnologia de governo racializada, transformando o medo branco em linguagem médica e contribuindo para a reprodução de um padrão de normalidade e desvio orientado à sustentação dos privilégios políticos, econômicos e simbólicos da branquitude no Brasil pós-abolição.
Descargas
Referencias
Descargas
Publicado
Número
Sección
Licencia
Derechos de autor 2026 Revista Saúde Sociedade

Esta obra está bajo una licencia internacional Creative Commons Atribución 4.0.