Masculinidades e saúde mental: um olhar sobre a gestão de cuidado em saúde ofertado a homens em um município do Sertão Nordestino
DOI:
https://doi.org/10.1590/S0104-12902026260068ptPalabras clave:
Saúde Mental; Masculinidades; Cuidado em Saúde.Resumen
Este artigo analisa as relações entre masculinidades e saúde mental a partir do cuidado ofertado a homens que acessem o Sistema Único de Saúde (SUS) no Sertão pernambucano. Ancorado nos estudos de gênero e nas contribuições do campo das masculinidades, compreende o sofrimento psíquico como uma experiência socialmente situada, atravessada por normas de gênero, relações de poder e desigualdades estruturais. A pesquisa adota uma abordagem teórico-metodológica construcionista e foi realizada em um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) III, utilizando entrevistas/conversas com profissionais da saúde mental. A análise das práticas discursivas examinou repertórios sobre gênero, masculinidades e saúde que informam a gestão do cuidado ofertado aos homens. Os resultados indicam que, embora os profissionais reconheçam a influência das normas de gênero na experiência do sofrimento masculino, essas compreensões nem sempre se traduzem em práticas de cuidado. Observa-se a persistência de uma lógica biomédica marcada pela centralidade dos sintomas e por encaminhamentos para internação psiquiátrica. O estudo também identifica estratégias profissionais voltadas à construção de vínculo e à adesão ao tratamento, problematizando os riscos de reforço de estereótipos de gênero. Conclui-se que a incorporação crítica das discussões sobre masculinidades nas práticas de saúde mental é fundamental para qualificar o cuidado e promover uma atenção mais integral e equitativa aos homens.
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