Entre a colonialidade e o cuidado: contribuições das Ciências Sociais e Humanas para repensar a Saúde Coletiva
DOI:
https://doi.org/10.1590/S0104-12902026260167ptPalabras clave:
Saúde Coletiva, Decolonialidade, Interseccionalidade, Iniquidades em Saúde, Saberes tradicionaisResumen
Este ensaio discute os desafios contemporâneos das contribuições das Ciências Sociais e Humanas para o campo da Saúde Coletiva a partir da incorporação de epistemologias decoloniais e da perspectiva interseccional. Parte-se da constatação de que a produção científica em saúde permanece fortemente marcada por matrizes epistemológicas eurocentradas, que frequentemente negligenciam a intersecção entre raça, gênero e classe na produção das iniquidades em saúde no Brasil. A partir de uma reflexão crítica sobre processos de formação acadêmica, práticas de pesquisa e mecanismos de validação científica, problematiza-se a persistência de epistemicídios e de formas de extrativismo de saberes que invisibilizam conhecimentos produzidos por povos indígenas, comunidades quilombolas e outros grupos historicamente subalternizados. Argumenta-se que a incorporação de epistemologias decoloniais, do encontro de saberes e de abordagens interseccionais pode ampliar a compreensão das determinações sociais da saúde e contribuir para transformar práticas de cuidado, pesquisa e formulação de políticas públicas. Conclui-se que as Ciências Sociais e Humanas devem constituir eixo estruturante da Saúde Coletiva, orientando a produção de conhecimento comprometido com equidade, justiça social e transformação das práticas em saúde.
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