Uso de drogas por mulheres: a saga por dignidade e o direito à maternidade
DOI:
https://doi.org/10.1590/S0104-12902026240375ptPalabras clave:
Mulheres; Uso de Drogas; Maternidade; Racismo; Direitos Sexuais e Reprodutivos.Resumen
Entre as mulheres que acessam serviços públicos por questões relacionadas ao uso de substâncias, muitas são mães em contextos de pobreza, violência e ruptura de vínculos afetivos. Este estudo buscou identificar os principais temas discutidos nos Grupos de Mães de um Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS-ad) no interior de São Paulo. Tratase de pesquisa qualitativa, descritiva e exploratória, de inspiração etnográfica, baseada em imersão prolongada no campo, observação participante implicada e registros em diário de campo ao longo de dois anos, com participação de 16 mulheres. A análise temática identificou desafios relacionados à percepção da capacidade de cuidar, à experiência de ser filha de pais usuários de drogas, aos direitos sexuais e reprodutivos, medo de perder a guarda dos filhos e à busca por dignidade. Os resultados mostram que o Grupo de Mães constitui espaço de diálogo sobre sexualidade, parentalidade e acesso a direitos, além de acolher vivências traumáticas e desafios da maternidade. O grupo também contribuiu para fortalecer a articulação da rede intersetorial do município. Observou-se que o acesso ao serviço é frequentemente retardado pelo medo do estigma e da perda da guarda dos filhos. Ainda assim, o CAPSad tem se mostrado importante aliado na construção de autonomia e condições de vida mais dignas.
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