Saberes negros na saúde e na alimentação
DOI:
https://doi.org/10.1590/S0104-12902026260304ptPalabras clave:
Saúde da população negra; Epistemologias negras; Cultura alimentar.Resumen
A alimentação e a saúde são princípios básicos da vida humana. No desenvolvimento do campo de estudos de saúde e alimentação no Brasil, no entanto, ainda há pouco espaço para a difusão de pesquisas que abordem, a partir de uma perspectiva de análise crítica e afro-diaspórica, a complexidade de nossa realidade, a pluralidade de nossos “comeres, beberes” e as nossas práticas tradicionais de cuidado em saúde. Em vez disso, nas extensas produções que referenciam este debate, as relações de poder, de violência e de escassez, estruturantes na composição dos hábitos alimentares e no estado de saúde, são superficialmente mencionadas, invisibilizando resistências seculares de cultura alimentar e de promoção da saúde contracoloniais. Raramente se contestam perspectivas engessadas na narrativa da tríade racial “harmônica” entre brancos, negros e indígenas, como pilar de uma fundação “equilibrada” na formação brasileira e, de modo corriqueiro, costumam reificar o mito das três raças, consequentemente, a ideologia da democracia racial — para tratar das experiências e contribuições da população negra no campo da alimentação e da saúde. Nesse contexto, este dossiê é um convite à reflexão e cria espaço para o acolhimento de trabalhos que possuam um olhar crítico acerca da alimentação e da saúde em suas mais diversas áreas, como forma de contribuir para a estruturação e fortalecimento de estudos que estabeleçam as epistemologias negras como referências.
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