Identidade social e desinstitucionalização: um estudo sobre uma localidade que recebe residências terapêuticas no Brasil
DOI :
https://doi.org/10.1590/S0104-12902015000100016Résumé
As residências terapêuticas (RTs) constituem importantes dispositivos no cuidado em saúde mental. Contudo, as resistências das comunidades à sua implantação se constituem como dificuldade para sua consolidação. No sentido de analisar essa realidade, o estudo discute as concepções sociais sobre a convivência com RTs partindo da visão de habitantes de um conjunto residencial que recebe três RTs. Por meio de perspectiva etnográfica, foram realizadas entrevistas e observações. As RTs foram representadas como locais seguros, exercendo controle sobre seus moradores e desempenhando o papel do hospital psiquiátrico. Além disso, a presença das RTs naquela vizinhança possibilitou a classificação Conjunto dos Doidos estabelecida pelo Pessoal de fora, pondo em risco a identidade social dos habitantes do local. Foi observada uma tendência à diferenciação intergrupal na relação entre habitantes do conjunto residencial e os moradores das RTs, podendo ser compreendida como uma necessidade decorrente do processo de identidade social. Antigos signos associados à loucura foram observados, mas foram desfeitos a partir do convívio cotidiano com os moradores das RTs, o que pode ser um aspecto positivo a ser destacado. Mesmo com a tendência à separação das RTs, como observado neste estudo, existe um movimento que, baseado na experiência concreta de vida com as RTs na vizinhança, aponta para a possibilidade da coexistência sem maiores conflitos entre os grupos envolvidos, ilustrando a ambiguidade das relações e a necessidade de mais estudos, uma vez que, no contexto da convivência com RTs, não tem fórmula de bolo para isso como as pessoas pensam.Téléchargements
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Publiée
2015-03-01
Numéro
Rubrique
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Comment citer
Ribeiro Neto, P. M., & Avellar, L. Z. (2015). Identidade social e desinstitucionalização: um estudo sobre uma localidade que recebe residências terapêuticas no Brasil. Saúde E Sociedade, 24(1), 204-216. https://doi.org/10.1590/S0104-12902015000100016