Saúde de mulheres negras e APS: entre a colonialidade do cuidado, lutas cotidianas e o enfrentamento ao racismo
DOI :
https://doi.org/10.1590/S0104-12902026250511ptMots-clés :
Saúde de Mulheres Negras, Racismo, Interseccionalidade, Vulnerabilização, ColonialidadeRésumé
Ao analisar o lugar social de mulheres negras, em especial na Atenção Primária à Saúde, esse ensaio evidencia como o racismo, o sexismo e as desigualdades de classe e território operam na produção de vulnerabilidades. Tendo a interseccionalidade e a crítica à colonialidade do cuidado como ferramentas teóricopolíticas, problematiza como a lógica universalista, alicerçada numa suposta neutralidade, e a equidade, insuficientemente trabalhada quanto à questão racial e de gênero, invisibilizam as vulnerabilizações dessas mulheres e as repercussões nas condições de vida, especialmente nos contextos de rua, favela e cárcere. Questiona a eficácia de abordagens que não levam em consideração múltiplas camadas de opressão, reforçam estereótipos e contribuem para a manutenção de desvantagens sociais. Destaca o protagonismo de mulheres negras na denúncia do racismo institucional e criação de tecnologias coletivoancestrais de cuidado. Aponta a urgência em articular e transversalizar políticas públicas, com destaque à Política Nacional de Saúde Integral da População Negra e Política Nacional de Saúde Integral de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais, e destaca significativas iniciativas em curso. Conclui-se que um cuidado equânime exige o enfrentamento ao racismo e sexismo nas práticas da APS, fundado em epistemologias feministas negras e na valorização de suas experiências de reexistência.
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