Saúde e doença no interior do país e o projeto modernista de Mário de Andrade: problematizando a empatia do intelectual
DOI :
https://doi.org/10.1590/S0104-12902026250024ptMots-clés :
História; Saúde Pública; Educação; Identidade Nacional.Résumé
O objetivo deste estudo foi analisar as representações sobre saúde e doença em textos sobre a medicina e em relatos de viagem ao interior escritos por Mário de Andrade. Tivemos como hipótese que, ao contrário da categoria “empatia”, Mário de Andrade consolidava seu projeto modernista ancorado em perspectivas conciliatórias sobre a saúde dos brasileiros, mediante a construção de uma identidade nacional homogeneizadora, embora tivesse características mais críticas em comparação às representações médicas sobre o interior do Brasil. Para isso, em termos metodológicos, tomamos como fontes privilegiadas dois textos de Mário de Andrade, “O Turista Aprendiz” e “Namoros com a Medicina”, por trazerem perspectivas do escritor em relação aos temas da saúde e da doença nas primeiras décadas do século XX em um processo de interiorização de serviços públicos de educação e de saúde no país. Concluímos que os escritos de Mário de Andrade sobre saúde e doença ancoram um projeto de nação representado pela integração dos regionalismos, dando visibilidade à cultura popular e, concomitantemente, transformando-a em nacional por meio de uma justaposição entre saberes populares e referenciais acadêmicos e científicos, dando homogeneidade a uma identidade nacional.
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